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Partido do Trabalho do Irã: “A Derrubada da República Islâmica é Dever do Povo Iraniano!”

O Partido do Trabalho do Irã encaminhou uma nota política através do jornal “Tempestade” sobre os recentes acontecimentos da luta de classes no Irã após o criminoso assassinato de Qasem Soleimani. A nota denuncia os grupos manifestantes financiados pelos EUA, mas não se submete à defesa conciliadora da República Islâmica.

Thales Caramante e Gabriel Borges


Foto: Reprodução/Jornal Tempestade

TEERÃO – O assassinato de Qasem Soleimani no início do ano demonstrou que a burguesia internacional, dona de uma série de inúmeros monopólios, está se preparando para uma nova fase de acumulação de riqueza, ignorando qualquer lei internacional, soberania e prudência entre países e figuras internacionais. Enquanto a burguesia se prepara para essa nova fase, o que se desenvolve em conjunto é a luta de classes, e no Irã esta última se agudiza de forma violenta.

Uma crise social e econômica descontrolada causada pelo que o Partido do Trabalho caracteriza como um regime de “sistema familiar mafioso repleto de conexões religiosas e econômicas cujo vínculo é o sangue de origem e devoção pelo sistema capitalista” através de uma política que busca “assegurar uma minoria orgulhosa no poder eternamente saqueando os trabalhadores.”

Em meio a essa realidade, o povo se levanta para se libertar. Entretanto, isso não demonstra a segurança de sua vitória. Em torno a esse vislumbre de disputa pelo poder, o proletariado se encontra disputado nas ruas ideologicamente por três forças políticas com capacidades hegemônica, moral e militar. Essas forças são:

1. Os comunistas, organizados através do Partido do Trabalho do Irã, que busca construir o socialismo através de uma revolução, destruindo a atual república capitalista islâmica e as instituições estatais burguesas, sendo essa uma tarefa da classe operária iraniana;

2. Os governistas, que buscam se manter no poder, criar uma retaguarda sólida através da unidade nacional antiocidental e antissionista de todas as classes para a guerra contra os Estados Unidos;

3. Por último, os “Verdes” – alusão à tática da revolução colorida no Irã em 2009 – grupo de oposição estrangeira, financiada diretamente pelos EUA para desestabilizar o governo e permitir a instalação de um governo “ocidental” e simpático aos EUA.

O que se manifesta, então, é uma contradição antagônica, irreconciliável, entre três poderosos grupos ideológicos inseridos no movimento popular. E que constantemente entram em choque entre si. Os governistas detêm hoje o poder do estado, mas não se apega a esse princípio e também disputa o movimento popular nas ruas. As manifestações massivas que relembraram e denunciaram o assassinato de Qasem Soleimani com a presença de milhões de pessoas em todo o país marcam o poder e a presença ideológica dos governistas nas massas. Ao mesmo tempo que, utilizando o poder do estado, reprime as manifestações contrárias a palavra de ordem de “unidade nacional contra os EUA” à medida que mantém o poder do “sistema familiar mafioso”.

Os “verdes”, alimentando-se das recentes experiencias internacionais das “revoluções coloridas” na Líbia (2011), Síria (2011) e Ucrânia (2014), utilizam as mesmas táticas e palavras de ordem dos processos iniciais do golpe de estado, em geral exigindo “liberdade e democracia” ao estilo intervencionista estadunidense que justifica suas intervenções militares em defesa da “democracia” burguesa. Dessa forma, os “verdes” não representam hoje uma verdadeira oposição, mas sim a representação dos interesses estrangeiros no país, que utiliza o descontentamento geral das massas com o governo como meio de legalizar moralmente um golpe de estado entre o povo. Assim, através de seus movimentos, utilizam a palavra de ordem reacionária “todos juntos pela derrubada da república islâmica!”

Em meio ao perigo do crescimento das forças estrangeiras no movimento popular, os comunistas emitiram através do jornal Tempestade uma nota do Partido do Trabalho do Irã. Segundo a nota, o Partido deixa claro que “os oportunistas, os inimigos do povo iraniano querem que as linhas políticas não sejam claras”, ou seja, os “verdes” buscam uma palavra de ordem genérica para que ninguém identifique seus reais interesses políticos e, assim, “reivindicar para si a derrubada da República Islâmica”, isso através da “contaminação da opinião pública.”

A condição de todos agirem como “um” é o que falta para permitir até mesmo que o imperialismo seja uma força aliada necessária para se alcançar esse objetivo estratégico, ou seja, ela impede a distinção e a diferença, impede uma análise justa do que virá adiante do fim da República Islâmica. “todos juntos pela derrubada da república islâmica” torna-se a pílula do auto-engano. Os defensores da derrubada da República Islâmica são inúmeros, uma frente muito ampla que vai desde os comunistas aos imperialistas e sionistas. Porém, para ambos, a derrubada da república islâmica é um principio tático que se distancia completamente no que se refere aos objetivos estratégicos à medida em que um defende construir o socialismo e o outro em balcanizar o Irã de acordo com os interesses econômicos e políticos dos EUA na região.

Quando se tratam de linhas políticas confusas, a palavra de ordem a ser adotada deve ser sempre o mais precisa possível. Esta é a grande experiência dos bolcheviques na Revolução Russa de 1917, e Lênin tratou disso em seu grande trabalho “Duas táticas da socialdemocracia”.

O confundir as palavras de ordem políticas para todo o povo do proletariado revolucionário com as da burguesia monárquica, o adulterar as condições da vitória decisiva da revolução […], tudo isto, tomado em conjunto, dá como resultado precisamente a política do seguidismo nos momentos revolucionários, que desorienta o proletariado, o desorganiza e leva a confusão à sua consciência, rebaixa a táctica da socialdemocracia, em vez de indicar o único caminho da vitória e agrupar em torno da palavra de ordem do proletariado todos os elementos revolucionários e republicanos do povo.

Os Estados Unidos têm muito o que apoiar dessa palavra de ordem, até porque o próprio usa a defesa da “derrubada da república islâmica”, “estabelecimento dos direitos humano” e o “impedimento das violações aos direitos de minorias étnicas e religiosas” como meios para sua intervenção direta. “A palavra de ordem ‘todos juntos’ é uma autoproclamação aberta contra o Irã, uma frente ampla que inclui Donald Trump, Benjamin Netanyahu e o príncipe Ben Salman da Arábia Saudita. Os defensores dessa frente se opõem mais ao Irã do que à República Islâmica. Eles querer destruir o Irã, antes destruindo a República Islâmica. […] Estão muito longe de uma revolução [popular] e querem “libertar” – leia-se “escravizar” – o Irã por meios bárbaros. Essas pessoas não são promotoras da paz, são carrascos do cativeiro.” – Assim falou o Partido do Trabalho do Irã.

Foto: Reprodução/Jornal Tempestade

A solução para essa contradição antagônica, segundo Partido do Trabalho do Irã, é que a unidade deve ser entre os partidos e organizações de oposição e que isso só pode ser forjada ao se tornarem transparentes as claras diferenças entre os amigos e inimigos do Irã. Para o partido isso parece simples, pois trata-se de separar das fileiras aqueles que andam de mãos dadas com os imperialistas e suas palavras de ordens. Qualquer boicote econômico e intervenção militar imperialista devem ser condenados e a “derrubada do regime capitalista da República Islâmica é dever do povo iraniano!”

Ao contrário do que fazem diversos elementos de “esquerda” que, ao analisarem a presença sútil de um movimento que seja reflexo da “revolução colorida”, abstém-se imediatamente da luta política e recuam a uma política colaboracionista ao estado e governo burguês. Para o Partido do Trabalho, é impensável não ser a favor da derrubada de um regime como a república capitalista islâmica, pois “para salvar a sociedade iraniana e a humanidade não podemos aceitar mais o capitalismo, mas sim devemos abraçar o socialismo.” Diz-se isso, pois “a palavra de ordem deixa claro que a oposição progressista no Irã é contra a República Islâmica e quer derrubá-la”, deixando claro ao mesmo tempo, obviamente, que “não está disposta a aceitar a agressão imperialista contra o Irã.”

Dessa forma, analisa-se que o Partido do Trabalho do Irã não é usado como massa de manobra nem se acovarda e nem se deixa levar pelas aventuras esquerdistas, mas tempera-se na luta de classes junto ao proletariado, identificando os inúmeros inimigos da classe operária iraniana.

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