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sábado, 26 de novembro de 2022

Crise econômica leva estudantes inglesas à prostituição

Desde 2008, a economia capitalista mundial vive uma crise de trágicas consequências para os trabalhadores e a juventude. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), atualmente o número de desempregados no mundo ultrapassa 200 milhões de pessoas e mais de um bilhão de seres humanos vivem em situação de completa miséria.

Nem mesmo países ricos como a Inglaterra, que já ocupou o lugar de principal potência econômica do mundo e que há pouco tempo atrás era tida como exemplo de sociedade harmônica e de elevado bem-estar social, escapam da degeneração social fruto da crise capitalista.

Exemplo disso é o fato de que tem crescido o número de estudantes inglesas que, por não conseguirem se manter e tocar seus estudos por conta das medidas de austeridade do governo, estão recorrendo à prostituição, aos jogos de azar e a outras atividades “perigosas” para financiar a universidade, como atesta a Cooperativa Inglesa de Prostitutas (ECP, na sigla em inglês).

De acordo com a cooperativa, o número de pessoas que procurou a entidade em busca de ajuda dobrou no último ano. “O governo conhece os cortes e os programas de austeridade e a remoção dos empréstimos, ele sabe que quando remove esses recursos empurra as mulheres para a pobreza”, disse Sarah Walker, da ECP. “O modo como as mulheres sobrevivem à pobreza geralmente é a prostituição. O governo sabe disso e, francamente, não parece se importar”, completou.

No Reino Unido a juventude foi a mais atingida pela crise econômica, com o desemprego entre os jovens chegando a 1,03 milhão dos 2,64 milhões de desempregados do país, o maior índice desde 1992. Hoje, quase um em cada quatro jovens está desempregado por mais de 12 meses.

No ano passado, o governo inglês anunciou o fim da Pensão para a Educação, uma espécie de bolsa para estudantes permanecerem na escola, e aumentou as mensalidades nas universidades para 9.000 libras por ano (cerca de R$ 26 mil reais) a partir de 2012. Em consequência, estudo feito por uma universidade de Londres e publicado no ano passado mostrou que 16% dos estudantes estavam dispostos a se prostituir para pagar sua mensalidade e 11% trabalharia para agências de acompanhamento.

“’Eu não poderia ir para a universidade sem a ajuda de custo. Eu gasto com transporte um total de 70 libras por mês (cerca de R$ 200). Não tinha a quem recorrer na universidade e não queria ter de contar com a minha família. Comecei a procurar empregos, mas os horários eram incompatíveis. Muitas amigas começaram a procurar empregos e acabaram largando os estudos. Eu não queria fazer o mesmo”, afirmou uma estudante inglesa. “’Eu tinha um amigo que vinha tentando me convencer a entrar para uma agência de garotas de programa desde que eu tinha 16 anos. Ele me contava histórias sobre o quanto eu poderia ganhar, como os horários seriam flexíveis, que eu poderia escolher quem eu gostaria de encontrar, assim que os visse e com que frequência. Parecia uma opção melhor. Eu não conseguia ver nenhuma outra. Fiz isso para poder ir para a universidade, mas sou uma pessoa diferente de quando eu comecei. Perdi muito da minha auto-estima e a confiança em muitas pessoas”, completou.

De acordo com a União Nacional dos Estudantes do Reino Unido, com empregos cada vez mais escassos e o custo de vida entre os mais altos do mundo, não têm restado muitas alternativas de sobrevivência para a juventude inglesa. “Em alguns casos é a prostituição, mas também escutamos histórias de testes como cobaia em clínicas, jogos de azar… atividades perigosas, em que praticamente não há nenhum tipo de direito trabalhista”, disse Estelle Hart, da dirigente da União. “Em um ambiente econômico em que há poucos empregos, onde políticas de apoio a estudantes sofreram cortes profundos, as pessoas estão cada vez mais buscando trabalho junto à economia informal, como a indústria do sexo. São todos trabalhos perigosos e sem regulamentação, mas que permitem que elas permaneçam estudando”, afirmou Hart.

Da Redação

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