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segunda-feira, 4 de julho de 2022

Encontro de sindicalismo classista convoca trabalhadores à luta contra o capital

A 8ª edição do Encontro Latino-Americano e Caribenho de Sindicalistas (ELCS) se realizou com grande sucesso na cidade de Santo Domingo, capital da República Dominicana, nos dias 18, 19 e 20 de novembro. Além de dezenas de organizações do país-sede, compareceram ao evento 150 delegados de entidades e movimentos de mais dez países: Brasil, Equador, Colômbia, Porto Rico, Haiti, Martinica, Guadalupe, México, EUA e Filipinas (os dois últimos como convidados especiais). A delegação do Movimento Luta de Classes (MLC) foi composta pela companheira Denise Maia e os companheiros Luiz Henrique Assis, Rafael Freire e Victor Madeira.

A preparação desta atividade ficou por conta de um Comitê Coordenador Internacional, do qual é membro o Movimento Luta de Classes (MLC). O comitê se reuniu em diversos momentos, como no 1º Congresso do MLC, em meados de 2010, em Belo Horizonte, e durante o 9º Congresso da União Geral dos Trabalhadores do Equador (UGTE), em dezembro passado. A partir deste debate coletivo, foram traçadas as linhas gerais do 8º ELCS e definido seu tema central: “A crise do sistema capitalista: formas de organização, níveis de unidade, demandas e alternativas atuais dos trabalhadores”.

O ato de abertura se realizou em clima de grande alegria e expectativa no Colégio dos Engenheiros e Arquitetos Dominicanos. A mesa oficial contou com a presença de representantes de cada um dos países presentes e do Comitê Nacional Preparatório. Coube ao MLC a saudação em nome das delegações internacionais, feita pelo companheiro Victor Madeira, dirigente da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef). A palestra inaugural, com o tema “A crise do sistema capitalista” foi feita por Nelson Erazo, presidente da UGTE.

O dia 19 iniciou-se com os informes dos países acerca das lutas dos trabalhadores dentro de sua realidade específica e no contexto geral da crise capitalista. Como um todo, o que se verifica é um aprofundamento das contradições entre os trabalhadores e as classes dominantes, levando a um reaquecimento e a uma radicalização das lutas. E o balanço dessas lutas evidencia que o proletariado, os setores juvenis e populares têm dado uma resposta à altura do que exige este momento especial.

O informe do MLC foi apresentado pelo companheiro Rafael Freire, presidente do Sindicato dos Jornalistas da Paraíba, que  ressaltou o grande ano de lutas vivido pelos trabalhadores brasileiros, especialmente pelas grandes greves realizadas por setores operários da construção pesada, como nas obras dos estádios da Copa de 2014, das usinas hidrelétricas no Norte, da refinaria de petróleo em Suape (Pernambuco), etc. Também as greves nacionais dos bancários, Correios, servidores técnico-administrativos das universidades federais, professores e servidores dos institutos federais tecnológicos, bombeiros do Rio de Janeiro, professores públicos de vários estados, etc. Apontou as lutas e mobilizações desenvolvidas pelo MLC, como nas greves e paralisações nos setores da limpeza urbana, água, construção civil, metalurgia, indústria naval e de alimentos, educação, etc. e a luta contra os leilões do Pré-Sal e por uma Petrobras 100% estatal.

Em seguida, foram formados os grupos de trabalho para debater os temas já apresentados. Posteriormente, palestra com o tema “Estratégia de organização dos trabalhadores”, mais informes das entidades dominicanas acerca da realidade local.

No último dia do encontro, Colômbia e Haiti tiveram a oportunidade de apresentar mais detalhadamente sua conjuntura, por se tratarem de países em que as contradições do sistema estão num nível mais elevado do que nos demais. Na Colômbia, o ex-presidente Álvaro Uribe investiu, em seus oito anos de governo, mais recursos públicos no setor militar do que nas áreas sociais. O objetivo é sufocar a luta revolucionária que desenvolvem no país as Farcs e as demais guerrilhas pela libertação nacional e social. Já no governo do atual presidente Juan Manuel Santos, o que se vê é uma escalada de prisões e assassinatos de sindicalistas e o fechamento do Tratado de Livre Comércio (TLC) com os EUA, convertendo a Colômbia, cada vez mais, num Estado policial, fascista e pró-imperialista.

No Haiti (país situado na porção ocidental da ilha Hisponiola, dividindo-a com a Republica Dominicana) a situação é gravíssima. Além da miséria que assola a imensa maioria da população, ocorreu, em 2010, um terremoto de grandes proporções na capital Porto Príncipe, provocando a morte de mais de 200 mil pessoas e deixando outras milhões desabrigadas. Desde então, o país está ocupado por tropas da ONU, sob o comando do Exército brasileiro. Esta missão, que deveria ser de paz, ao invés de promover a efetiva reconstrução do país quanto à sua estrutura física, agricultura, rede de saúde e educação, saneamento básico, frentes de trabalho, está servindo unicamente para impedir, à força, a revolta popular contra séculos de exploração dos países ricos (seja França ou EUA) e contra as condições desumanas impostas pelas elites locais e suas forças policiais de repressão e extermínio. Registram-se frequentemente denúncias de espancamentos, roubos, estupros e execuções por parte das tropas de ocupação contra os moradores das favelas do Haiti.

Após a exposição destes importantes temas, formaram-se novos grupos de trabalho para levantar propostas concretas sobre os eixos de organização, formação, mobilização, propaganda, resoluções/moções e declaração oficial.

Na plenária final, todas as propostas dos grupos foram aprovadas por unanimidade, destacando-se: 1. Defesa de uma organização sindical por ramos de produção (metalurgia, telecomunicações, saúde, educação, alimentos, construção civil e pesada, etc.); 2. Formatação de um projeto de escola permanente de formação sindical em nível internacional; 3. Reforço nas mobilizações e unificação das palavras de ordem do Dia Internacional de Luta das Mulheres (8 de março); Dia Internacional dos Trabalhadores (1º de maio); Dia de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (25 de novembro); Dia de Mobilização pelos Direitos dos Migrantes (18 de dezembro), entre outros; 5. Luta por uma educação pública de qualidade, laica e para todos; 6. Reforma agrária; 7. Liberdade de organização sindical e libertação de todos os presos políticos, com reforço à campanha em favor do líder estudantil equatoriano Marcelo Rivera e dos cubanos presos nos EUA; 8. Maior interação entre as organizações sindicais do continente, a partir de fóruns permanentes na internet, um site unificado do ELCS, etc.; 9. Rechaço à ocupação da ONU no Haiti, sob as ordens do imperialismo norte-americano.

Como encerramento do 8º ECLS, todos os participante entoaram de pé e com o braço esquerdo erguido o hino dos trabalhadores de todo o mundo, A Internacional.

A 9ª edição será realizada no México, em 2013, também no mês de novembro. A declaração oficial do encontro destaca que:

“Estamos convencidos e comprometidos com nossa organização, por isso, entendemos a necessidade da unidade e da mobilização para enfrentar nossos inimigos de classe.” (…)

“Faz-se oportuno e necessário o chamado para que se produza uma vigorosa integração continental, na qual a classe operária assuma a vanguarda combativa sob uma perspectiva classista e revolucionária. Neste sentido, este 8° Encontro Latino-Americano e Caribenho de Sindicalistas se reafirma como um importante espaço de reflexão a serviço da classe trabalhadora. É importante insistir na urgente necessidade de continuar, ampliar, fortalecer quantas iniciativas se requeiram para alcançar cada vez maiores níveis de unidade.”

“O sindicalismo classista se constrói em unidade permanente com a classe e combatendo os mais diversos desvios existentes, entre os quais o sindicalismo amarelo, o revisionismo, o anarco-sindicalismo, aos quais podemos opor um sindicalismo consequente, que enfrente a repressão policial, o regime jurídico em que se sustenta, e defenda a plena liberdade de atuação sindical.”

Na avaliação de Victor Madeira, do MLC, “o encontro foi muito produtivo e ratificou a necessidade de construir um sindicalismo classista e articulado em nível internacional, como alternativa dos trabalhadores para suas reivindicações mais específicas e para a conquista do socialismo, única saída ante a crise geral do sistema capitalista”.

Da Redação

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