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sábado, 25 de junho de 2022

Povo de Salvador espera por metrô há 12 anos

Terceira maior cidade do país em população, atualmente com cerca de 3 milhões de habitantes, Salvador tem o transporte como um de seus principais problemas. São 600 mil veículos‚ ônibus lotados, excesso de semáforos e grandes engarrafamentos.

Uma das soluções para esse drama seria o metrô. Mas, iniciada há doze anos‚ as obras de construção da linha 1 ainda não terminaram, apesar de já terem sido gasto um total de R$ 1 bilhão; trata-se do metrô fantasma mais caro do mundo. Por isso, com apenas6,5 quilômetrosde extensão, a obra ganhou dos baianos o singelo apelido de “autorama”.

O projeto inicial previa41 quilômetros. Só que o investimento foi todo  consumido no primeiro trecho, que deveria ter12 quilômetros, mas acabou reduzido à metade. Para agravar, um estudo de viabilidade econômica do projeto mostrou que, para cobrir os custos de operação, o bilhete do metrô poderá custar R$ 15,seis vezes o preço cobrado em São Paulo.

As obras, iniciadas em 1997, foram paralisadas e retomadas em abril de 2000 com a construção da  linha 1, primeira etapa do projeto. A abertura desse primeiro trecho foi programada inicialmente para meados de 2003, depois foi prorrogada para dezembro de 2008 e até hoje não há previsão de quando o metrô entrará em funcionamento.

O governo estadual adquiriu os trens para o metrô, mas como a obra não terminou, eles foram guardados em galpões alugados pela prefeitura. Com chuvas e o desgaste do tempo, corre-se o risco de ficarem imprestáveis antes mesmo de realizarem uma só viagem. O aluguel dos galpões custa à prefeitura (do PMDB) cerca de R$ 180.000 (cento e oitenta mil reais) por mês.

O metrô, entretanto, não entrou em funcionamento não por falta de dinheiro, mas por roubo. A Justiça Federal da Bahia aceitou denúncia do Ministério Público por suspeita de formação de quadrilha, cartel e fraude na licitação. Foram acusados sete dirigentes das empresas que participaram da concorrência: dois da Camargo Corrêa e dois da Andrade Gutiérrez, integrantes do consórcio Metrosal, além de três dirigentes da construtora italiana Impregilo, do consórcio Cigla. Segundo o Ministério Público Federal, as empresas atuaram em conluio.

Quem sofre com todo esse descaso é a população pobre‚ que diariamente pega ônibus lotados‚ passa horas e mais horas para chegar ao local de trabalho ou à escola, além de pagar uma passagem cara de R$ 2‚50. Sabemos que este é um ano de eleição municipal e, sem dúvida‚ mais uma vez o metrô de Salvador será mais uma promessa. Está na hora de o povo de Salvador se rebelar, pois não dá mais para conviver com tanta enrolação.

Claudiane Lopes, Salvador

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