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quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

As consequências da privatização no telemarketing

O setor de telecomunicação no Brasil, até meados de 1998, pertencia 100% ao Estado, quando estava protegido da ganância das grandes monopólios imperialistas. Nesse período os trabalhadores eram bem remunerados, tinham vários direitos garantidos, direitos que foram conquistados após muitas greves, manifestações e assembleias organizadas pelos sindicatos.

O Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Minas Gerais (Sinttel-MG) era detentor de grandes conquistas na época da estatal Telemig. Sua força era tal que suas conquistas abrangeram empresas de outros setores dos serviços públicos, como a Cemig e a Copasa. Após a implementação do projeto neoliberal no Brasil, que visava entregar as empresas estatais ao capital privado, e que se iniciou com o presidente Fernando Collor de Mello e se concretizou nos governos de Itamar Franco e de Fernando Henrique Cardoso, esse quadro mudou. Várias estatais foram entregues ao capital estrangeiro e, em 29 de julho de 1998, foi a vez de privatizar a telecomunicação brasileira.

Embora houvesse uma grande propaganda enganosa sobre as supostas vantagens da privatização nesse setor, a realidade foi bem diferente. Esse processo ocasiona até hoje grandes perdas para os trabalhadores que fazem parte do setor de telemarketing. Inicialmente, essas empresas se tornaram propriedade de pequenos grupos de pessoas que tinham por objetivo único aumentar a exploração dos trabalhadores, pela contratação de mão de obra barata, buscando conseguir o lucro máximo. Hoje, o setor é dominado por grandes monopólios, entre eles, graças às privatizações das telecomunicações em vários países, se destaca a empresa daquele que é considerado o homem mais rico do mundo, o mexicano Carlos Slim, dono da Embratel e também da Claro.

A realidade dos trabalhadores em telemarketing é fruto da política de terceirização nos serviços de telecomunicações. Atualmente a categoria é tão desvalorizada que nem mesmo na CLT é reconhecida. Há uma intensa precarização do trabalho no setor, proporcionando várias doenças, assédio moral, metas abusivas e alta rotatividade. Todos esses problemas citados são apenas estratégias aplicadas para obter um enfraquecimento dos sindicatos em nível nacional, e, assim, o empresário atinge o seu único objetivo, os lucros excessivos.

O Movimento Luta de Classes (MLC), criado pelos próprios trabalhadores, entende que essa situação insustentável não pode mais continuar. Nós trabalhadores devemos nos unir para transformar essa realidade, conquistar nossos direitos e lutar para construir um estado socialista, em que a vida do ser humano seja prioridade – e não o capital.

Ana Carolina Maia, trabalhadora de telemarketing em BH

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