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segunda-feira, 4 de julho de 2022

Greve mostra força dos trabalhadores em transportes

Reposição salarial, vale-alimentação, plano de carreira, luta contra a precarização, terceirização e por 2% do PIB destinados ao transporte público: esses são alguns dos motivos que levaram os trabalhadores das linhas 11 e 12 e do metrô de São Paulo a cruzar os braços a partir da zero hora do dia 23 de maio.

Não são poucas as reivindicações que, segundo o diretor do sindicato dos metroviários, Alex Fernandes, chegaram a 103 itens, dos quais os principais não foram atendidos durante o período de negociação da campanha salarial, que durou quase 90 dias e desembocou na greve.

Enquanto 100% dos trabalhadores da CPTM e do metrô debatiam nos sindicatos e organizavam piquetes nos pátios de estacionamento dos trens, nas ruas a população protestava contra o descaso com o transporte sobre trilhos.

No entorno das estações de trem Guaianases e metrô Corinthians-Itaquera, os usuários foram às ruas e, em Itaquera – em frente ao futuro estádio que está consumindo um bilhão de reais para a Copa –, muitos sentaram na rua e fecharam completamente as duas faixas da Radial Leste, a via mais importante de acesso da Zona Leste ao centro da cidade de São Paulo. Como sempre, a polícia agiu com violência e afastou os manifestantes com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo, deixando vários feridos.

Mentiras contra os trabalhadores

Na luta contra a organização dos trabalhadores, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, usou mais uma vez da sua tradicional arrogância e truculência para atacar a greve dos trabalhadores e tentar desvirtuar o verdadeiro problema do transporte público na cidade e no Estado. Em uma entrevista na maior rede de televisão do Brasil, o governador alegou que nas linhas privatizadas não havia greve e que essa era uma greve política visando às eleições. Tudo isso fazendo parte do plano de precarização dos transportes sobre trilhos que tentará chegar ao processo de privatização.

Segundo os dirigentes dos sindicatos das duas categorias, isso é um desespero do governo e da empresa, que vêm sendo derrotados na luta contra os trabalhadores. Segundo Edson Gutierrez “eles têm o compromisso deles, que é com as empreiteiras que estão aí dentro, e eu creio que com as empreiteiras que bancam as campanhas deles. Se ele não quer discutir com o trabalhador ferroviário, não quer discutir a qualidade de vida com o trabalhador ferroviário, não quer discutir melhoria do transporte com o trabalhador ferroviário, ele está pouco se lixando com a população de São Paulo”.

Alex Fernandes reforça o coro dos trabalhadores: “Na verdade, a linha privatizada, que é a linha 4-Amarela, é uma linha que está superlotada porque não tem extensão, não tem expansão. É uma linha que não tem operador de trem; inclusive se o acidente que ocorreu na linha 3, no dia 16, ocorresse na linha 4, teria uma fatalidade na cidade de São Paulo. Então essas coisas sobre a privatização, isso que ele tenta jogar sobre a opinião pública contra os trabalhadores, isso aí não cola mais.”

Fim da greve

No dia 23, em assembleia realizada no sindicato dos metroviários, a categoria decidiu aceitar a proposta do governo, que foi abaixo daquela determinada pela juíza do Tribunal. Essa proposta ainda não abarcou as principais lutas da campanha salarial, mas, com o discurso de um passo de cada vez, a direção do sindicato conseguiu convencer os metroviários a voltar ao trabalho.

Enquanto os metroviários voltavam a seus postos, os ferroviários da Zona Leste decidiam o futuro da sua greve nos fundos do sindicato, ao lado da Estação Brás, em  um terreno escuro e sem estrutura. A assembleia ocorria sobre pressão, já que as negociações estavam se encerrando e eles estavam agora “sozinhos” na luta, pois os metroviários começavam a voltar para o trabalho.

Uma reposição salarial percentualmente superior à dos metroviários – 6,38% e 6,09%, respectivamente – e o fato de considerarem uma vitória a mobilização e os efeitos da greve para um sindicato ainda novo, foram suficientes para levar a maioria dos trabalhadores a decidir pelo fim da greve. Mas ainda mantiveram o estado de greve e a ameaça de parar novamente nas próximas semanas, caso não seja atendida uma antiga reivindicação pelo “PCL” (plano de cargos e carreiras).

A luta não para

Ao final, os metroviários conseguiram um reajuste de 6,09%, sendo 4,15% de reajuste e 1,94% de aumento real; além de reajuste no vale-refeição de 21,05%, passando para R$ 23 por dia, e aumento no vale-alimentação de 45,33%, passando para R$ 218, mais o adicional de risco de vida de 10% para 15% para agentes de estação e seguranças. Ainda não haverá desconto do dia parado.

Já os ferroviários obtiveram um reajuste de 6,38%, com promessa de pagamento da PR de, no mínimo, em março de 2013, e aumento no vale-refeição para R$ 20. Eles terão as horas descontadas e deverão voltar ao trabalho imediatamente, em razão do caos que foi instalado na Estação da Luz, de onde partem os trens do Expresso Leste.

Embora a greve tenha durado um só dia, foi considerada vitoriosa pela direção dos sindicatos, já que a última paralisação do metrô havia ocorrido em 2007, com uma derrota da categoria e, no ano passado, a greve dos ferroviários não obteve grandes conquistas.

Mas o que fica claro para todos os trabalhadores é a necessidade de eles se organizarem e lutarem, principalmente neste momento em que, com a Copa do Mundo, os governos quererem proibir as manifestações trabalhistas para não “sujar” a imagem do País.

Lucas Marcelino, São Paulo

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