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domingo, 3 de julho de 2022

Revolta e repressão em Madrid

Repressão em MadridA polícia de choque espanhola, com cerca de 1300 efetivos no terreno, respondeu com várias cargas e disparos de balas de borracha na quarta-feira à manifestação convocada por um conjunto de cidadãos para junto do Parlamento de Madrid com o objetivo de protestar contra as medidas de austeridade e também contra o funcionamento do sistema político. Registraram-se mais de 20 detidos e de uma dezena de feridos.

Os manifestantes, que as autoridades direitistas de Madrid calculam em cerca de seis mil, concentraram-se na Praça Neptuno, nas imediações do Parlamento, com o objetivo de forçar os deputados a revogar as medidas de austeridade que têm vindo a ser impostas com grande intensidade pelo governo pós-franquista de Mariano Rajoy. O primeiro detido, segundo a imprensa, foi um manifestante que trepou à barreira de segurança para tentar hastear uma bandeira do Sindicato Andaluz de Trabalhadores.

Cidadãos de várias regiões de Espanha afluíram a Madrid correspondendo a uma iniciativa convocada sobretudo através das redes sociais. Para uma manifestação que o governo avaliou em seis mil pessoas foram convocados 1300 polícias de choque, ditos “antidistúrbios”, o que, respeitando os cálculos oficiais, significa um agente da repressão por cada 4,5 manifestantes. Os efetivos, que dispararam balas de borracha durante as várias cargas realizadas, correspondem a 30 dos 52 grupos operacionais de choque existentes em Espanha, desde logo uma mobilização considerada “desproporcional” pela comunicação social e “provocatória” pelos manifestantes.

A manifestação corresponde a uma intensificação do descontentamento numa Espanha afetada profundamente pela crise de uma dívida que continua a crescer, apesar da austeridade, e bateu todos os recordes no segundo trimestre deste ano, atingindo os 800 bilhões de euros. O crescimento da dívida do primeiro para o segundo trimestre foi de quase quatro por cento e coincidiu com a aplicação plena das medidas anti-sociais impostas em fevereiro pelo governo.

Na terça-feira o governo pediu esclarecimentos ao Banco Central Europeu sobre se tenciona ou não comprar títulos de dívida espanhola num momento em que se torna cada vez mais evidente a necessidade de Madrid recorrer a um resgate das organizações prestamistas congregadas na troika.

Ao mesmo tempo agravam-se os sinais de desagregação do Estado, sobretudo na Catalunha, onde o governo de Barcelona, dominado pelos nacionalistas da Convergência i Unión, decidiu antecipar para 25 de Novembro as eleições autônomas tencionando transformá-las igualmente num referendo sobre aprofundamento da autonomia, designadamente em matéria fiscal. A decisão ocorre duas semanas depois de dois milhões de catalães, cerca de um terço da população da região, se terem manifestado nas ruas a favor da independência.

A Andaluzia decidiu terça-feira solicitar a Madrid um resgate de aproximadamente cinco mil milhões de euros devido às dificuldades financeiras com que se debate a região.

Fonte: BE Internacional

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