Milhares de portugueses e imigrantes tomaram as ruas neste sábado (25/04) para celebrar os 52 anos da vitória da Revolução dos Cravos contra o fascismo.
Luan Almeida e Larissa Santos | Lisboa (Portugal)
INTERNACIONAL – 52 anos depois da Revolução dos Cravos, milhares de pessoas tomaram as ruas portuguesas para celebrar o fim da ditadura fascista que governou Portugal por décadas. Nós marchamos, junto com a Unidade Popular pelo Socialismo e o Movimento de Mulheres Olga Benario, para recuperar e honrar a memória histórica daquelas e daqueles que pereceram diante da repressão fascista e das guerras coloniais e denunciar a piora das condições da classe trabalhadora, com o pacote de alterações de leis que virá a ser aprovado em breve pelo governo burguês para aumentar o sofrimento do povo!
O 25 de Abril foi um movimento que nasceu internacionalista! Nasceu em África, nasceu da rebeldia! Marchamos hoje para lembrar daqueles que abriram mão de suas vidas, aqueles que se rebelaram contra um sistema de opressão. Marchamos em pelo menos três cidades para lutar pela nossa classe, pelas mulheres que sofrem violência de uma sociedade machista, pela população negra que sofre racismo e discriminação e por todos os imigrantes que tem sido cada vez mais ameaçados pelo projeto fascista que se constrói na Europa e tem tido cada vez mais força em Portugal.
O que foi a Revolução dos Cravos
No dia 25 de Abril de 1974 houve uma revolta popular e militar que, liderada pelos capitães do MFA (Movimento das Forças Armadas), em menos de 24 horas derrubou a ditadura do Estado Novo que dominou Portugal por 48 anos, restaurando as liberdades democráticas e abrindo espaço para várias conquistas da classe trabalhadora.
Um dos principais motores do 25 de Abril foi a guerra colonial. O conflito, iniciado em Angola, no ano de 1961, rapidamente se estendeu para novas frentes (Guiné e Cabo Verde, 1963; Moçambique, 1964). Durou cerca de 13 anos e foi travado entre os militares portugueses e os movimentos revolucionários nacionalistas nas colônias africanas de Portugal entre 1961 e 1974.
Em resposta à nova legislação que visava suprir a falta de oficiais na frente de combate em África, em setembro de 1973, se constitui o Movimento dos Capitães/Movimento das Forças Armadas.
Com a Revolução dos Cravos, um movimento de agitação popular começou a dominar os sindicatos, fábricas e a luta no campo, reivindicando os direitos das classes trabalhadoras. Os trabalhadores e as massas populares não se limitaram a apoiar o movimento dos capitães, também somaram à iniciativa e em aliança com os militares progressistas, impuseram profundas transformações na sociedade portuguesa.
Algumas conquistas principais representaram mudanças fundamentais como a criação do Sistema Nacional de Saúde, a Reforma agrária e ocupação de terras para atividades agrícolas, as Nacionalizações e controle da produção pelos trabalhadores, Liberdade de imprensa e de associação, Salário mínimo nacional e jornada de trabalho de 40 horas semanais, Criação do subsídio de desemprego e da pensão social, Direito à greve e 13° salário. Para as mulheres, as conquistas foram ainda mais substanciais, pois passaram a ter possibilidade de participar da política de forma integral, ser juridicamente independente do marido e ter acesso às mesmas condições de trabalho que os homens.
25 de Abril sempre! Fascismo nunca mais!