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Reforma de Rajoy provoca catástrofe trabalhista na Espanha

Desemprego na EspanhaA “reforma trabalhista” do presidente espanhol Mariano Rajoy provocou um aumento de 13,2 por cento do desemprego, quase um milhão de novos desocupados, perda de poder de compra dos salários e subida em flecha da precariedade, segundo o balanço feito após um ano de vigência.

“É uma reforma em que todos ganham, empresários e trabalhadores e pretende satisfazer mais e melhor os legítimos interesses de todos”, assegurava há um ano o texto da lei do governo pós-franquista do Partido Popular.

No entanto, “a legislação não serviu para gerar trabalho mas sim para duplicar o ritmo de destruição de emprego e para que os salários baixem em termos nominais”, concluiu Miguel Ángel García, responsável pelo gabinete econômico da central sindical Comisiones Obreras. A liberalização do mercado de trabalho, acrescentou, “desequilibrou a posição dos trabalhadores em relação aos empresários, que abusaram dela para destruir postos de trabalho.

Para a UGT, a reforma trabalhista “confirmou os nossos piores presságios”. A lei “não cumpriu os seus objetivos, não criou emprego, não reduziu o desemprego”, declarou Toni Ferrer, secretário de ação sindical da central. “A contratação caiu com caráter geral em 3,6 por cento, a ocupação baixou cinco por cento e o desemprego aumentou 13 por cento, o que demonstra o fracasso das políticas baseadas em cortes e na redução dos direitos dos trabalhadores”, acrescentou.

Números oficiais divulgados em Madrid revelam que após um ano de aplicação da “reforma trabalhista” o desemprego aumentou 13,2 por cento, o número de desocupados cresceu em 850 mil pessoas, as demissões motivadas (com indenização de 20 dias por ano) aumentou 49 por cento e as manobras relacionadas com a “regulação de emprego” aumentaram 66 por cento. Os salários perderam poder aquisitivo e o Ministério do Emprego reconhece que 30 mil trabalhadores foram afetados pelo fato das entidades patronais não terem aplicado os convênios.

Sara de la Rica, catedrática de Economia da Universidade do País Basco, considera que no primeiro ano a aplicação da reforma foi “desequilibrada e incompleta”. “Não evitou de modo algum a dualidade contratual, continuam a fazer-se contratos temporários apesar das reformas introduzidas e as medidas não deveriam ser tomadas em tempos de crise”, comentou a professora.

Xabier Thibault, diretor geral do Emprego, declarou-se satisfeito com os resultados. O governo “avalia de maneira positiva a reforma, como também o FMI acaba de nos comunicar”, disse. Segundo ele, a “flexibilidade” permitiu “evitar uma maior destruição de emprego”.

Fonte: BE Internacional

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