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sábado, 26 de novembro de 2022

CBF nas mãos de uma quadrilha

Protesto contra corrupção na CBFO ex-artilheiro da Seleção Brasileira de futebol, deputado federal Romário (PSB-RJ), vem realizando denúncias sobre as ilegalidades cometidas na CBF, principalmente por seu ex-presidente Ricardo Teixeira e pelo atual José Maria Marin.

Em seu microblog (twitter), ele compartilhou um vídeo com áudio de Marin comentando as negociatas articuladas entre a CBF e grandes empresários (assista o vídeo abaixo). O seguinte comentário acompanhava o vídeo: “Este último vídeo do Marin comprova que a CBF está nas mãos de uma quadrilha. Prendam esses caras, está na hora de dar exemplo para o Brasil”.

Em uma das suas intervenções na Câmara dos deputados Romário foi contundente na necessidade de transparência nas ações da CBF. “Entendo que, ao explorar a imagem desse símbolo do nosso País, a CBF deve prestar contas e ter transparência nas suas ações. Eu insisto, por exemplo, em conhecer a destinação desses patrocínios à Seleção Brasileira. Quem ganha e quanto ganha? Quem se beneficia da comissão de mercado nessas transações milionárias? E mais: além da Nike, outras empresas investem no uniforme da Seleção, como a AMBEV, o Banco Itaú, a Gillette, a Vivo etc. Consta que, depois da Nike, que destina, em média, R$ 70 milhões anuais à CBF, a AMBEV é a principal investidora. Conforme o contrato são 15 milhões de dólares anuais, mais de 30 milhões de reais. Estamos falando aqui de uma instituição gigantesca, que opera com valores vultosos, mas cuja transparência não existe sabe-se lá por quê”, afirmou o deputado.

A denúncia e o pedido de transparência foram feitos após a divulgação do vídeo da conversa entre Marin e os irmãos Balsinelli. A dupla é dona da empresa BWA que fabrica ingressos para jogos de futebol.

A BWA já foi acusada de fabricar ingressos falsos. O esquema tem ligação também com Marco Pólo Del Nero que é presidente da Federação paulista de futebol e funcionaria assim: em articulação com a BWA, federações e CBF diminuem a divulgação do público total do que realmente teve uma determinada partida. Isso explicaria a estranha diminuição de público máximo, por exemplo, no estádio do Morumbi que já chegou a receber 150 mil torcedores e hoje o máximo publicado oficialmente é de 65 mil. Chega-se ao cúmulo de jogos com 20 mil torcedores terem na verdade 25 mil.

É hora de prender José Maria Marin!

Combatente áspero das negociatas feitas com o esporte nacional, na última sessão do plenário da câmara, Romário conseguiu aprovar o requerimento de uma audiência pública para discutir a relação entre futebol e ditadura.

O fato é que José Maria Marin, além de fazer parte da quadrilha que desvia milhões da CBF, foi também torturador e assassino de lutadores populares na época da ditadura militar. Admirador de Sérgio Paranhos Fleury no DOPS, ele é um dos principais suspeitos de responsabilidade sobre a morte Vladimir Herzog.

A pressão popular cresce contra Marin. Após diversas entidades realizarem um ato, chamado de escracho, em frente sua casa no ano passado, na cidade de São Paulo, a petição online “FORA MARIN” já alcançou 50 mil assinaturas.

Para a Ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, pessoas como Marin não deveriam ocupar funções de representação: “Eu penso que todas as pessoas que comprovadamente estiveram envolvidas em situação de morte, tortura e desaparecimentos não devem ocupar funções públicas no país. Por que os que cometeram, traíram qualquer princípio ético de dignidade humana e não devem ocupar funções de representação”.

Essa situação mostra que é preciso unir todos os setores. Ações como a do deputado Romário contra Marin fazem diferença para que a comissão da verdade seja firme em casos como esse. Pois muitos ex-torturadores ocupam posições influentes na sociedade e as usam contra os interesses do povo, beneficiando a mesma minoria que deu o golpe de 1964.

Assine a petição “FORA MARIN”:
http://www.avaaz.org/po/petition/Jose_Maria_Marin_Fora_da_CPF/?launch

Ricardo Senese

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