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domingo, 3 de julho de 2022

Apesar da crise, cresce riqueza de uma minoria

Apesar da crise, cresce riqueza de uma minoriaEm fins de 2012, o CréditSuisse, uma das maiores instituições financeiras do mundo, publicou o relatório Riqueza Global – Databook 2012 (http://migre.me/fB7dv), em que analisa a evolução da riqueza nos diferentes países do mundo e sua distribuição entre os adultos (maiores de 20 anos) e entre os países.

O relatório faz uma estimativa da riqueza existente no mundo a partir da análise do PIB e de relatórios financeiros fornecidos por alguns países, e considera riqueza os ativos financeiros, os ativos não financeiros (principalmente casas e terras) e a capacidade de endividamento para consumo. Conclui que a riqueza mundial, em 2012, atingiu o patamar de US$ 227,7 trilhões, divididos – ou melhor, mal divididos – entre a população de 4,6 bilhões de adultos. É um crescimento de 96% desde o ano 2000 e proporcionalmente maior que o da população no período.

É importante ressaltar que, mesmo com a crise econômica de 2008, considerada a maior desde 1929, houve crescimento da riqueza mundial.

Todo esse crescimento, no entanto, não serviu para resolver as desigualdades ou diminuir os problemas sociais no mundo. Pelo contrário, quase todos os países ficaram ainda mais desiguais. Um punhado de capitalistas – 29 milhões de pessoas – detém nada menos do que US$ 87,5 trilhões, o que significa 39,3% da riqueza existente no mundo. Estes são os milionários, a classe usurária, com patrimônio acima de US$ 1 milhão.

Na outra ponta está a imensa maioria da população mundial, 3,184 bilhões de humanos, quase 70% do povo que detêm menos de US$ 10.000 cada. Estes bilhões de pessoas, juntas, apenas alcançam US$ 7,3 trilhões, ou seja, quase 11 vezes menos do que toda a riqueza monopolizada pelo punhado de capitalistas.
Esta riqueza também está concentrada em determinadas regiões do planeta. A América do Norte e a Europa detêm mais de 60% de toda a riqueza produzida no mundo, apesar de representarem menos de 15% da população.

O relatório é eficaz para provar dois fatos que ficam cada dia mais evidentes no capitalismo. O primeiro é que a geração de riqueza significa, na fase imperialista em que estamos, acumulação dessa mesma riqueza na mão de poucos. Sendo a economia mundial dominada por monopólios e por gigantescas instituições financeiras, o crescimento dessa economia só pode beneficiar a pequena minoria que a domina.

Fica provado também que a sociedade já atingiu um nível de desenvolvimento onde não há lugar para os graves problemas sociais que persistem. Miséria, fome, pessoas sem casa, desemprego, mortes por doenças curáveis, nada disso é condizente em um mundo que atingiu uma riqueza per capita de US$ 48.500 para cada adulto.
A verdade é que a pirâmide da riqueza está de cabeça para baixo, pois todos os recursos foram drenados para o topo. A verdade é que é insustentável manter esta pirâmide de pé, pois ela gera a degradação da vida humana e do meio ambiente.

Sandino Patriota, São Paulo

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