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segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Egito vive nova ditadura militar

Egito vive nova ditadura militarNo último dia 14 de agosto, a contra-revolução teve mais uma vitória no tortuoso caminho do povo Egípcio em busca de sua libertação. Com o argumento de reprimir os partidários do presidente deposto Mohamed Morsi que estão acampados em diversos pontos do país e em mobilização exigindo a volta do presidente ao poder, o governo dos militares assassinou milhares de pessoas e decretou estado de exceção com duração de pelo menos um mês. Neste momento, civis estão sendo presos e polícia secreta do exército trabalha livremente.

As mobilizações de rua que depuseram Mohamed Morsi em junho deste ano, abriram espaço para o fortalecimento da imagem do exército junto à população, imagem que estava desgastada desde a queda do ditador Hosni Mubarak fortemente apoiado pela cúpula da corporação. O atual ministro da defesa, Abdul Fatah Khalil Al-Sisi, é quem exerce o poder de fato, apoiado por uma junta civil que incluía o cientista Mohamed El Baradei como vice-presidente. Os eventos de 14 de agosto, no entanto, fizeram o próprio governo estremecer e El Baradei apresentou sua demissão.

Durante seu governo, o presidente deposto Mohamed Mursi, membro da irmandade mulçumana, intentou aplicar um programa conservador inspirado nos escritos islâmicos que, entre outras medidas atrasadas, atacava os direitos das mulheres e outros direitos democráticos fundamentais. Foi um governo incapaz de realizar as medidas populares reclamadas pelo povo, realizando a reforma agrária e nacionalizando as reservas naturais. Como resultado, cresceu o desemprego e os problemas sociais do país se agravaram.

Os militares liderados por Al-Sisi, por outro lado, mantêm fortes relações com os EUA e uma posição dúbia frente ao estado de Israel. São uma casta estabelecida há anos no país e que trabalha pela manutenção de seus privilégios. No último período, os militares têm insuflado o sentimento nacionalista no povo do Egito, pregando a xenfóbia para com sírios, palestinos e iemênitas, sob o pretexto de combater o fundamentalismo da irmandade mulçumana.

A história recente do Egito é um grande ensinamento para a classe trabalhadora de todos os países e do Brasil, em particular. Sem organizações políticas da classe trabalhadora, fortes o suficiente para fazer a revolução e retirar da classe dos burgueses o poder político construindo um novo estado, as revoltas populares serão sempre cegas, inconsequentes e manipuláveis por setores da própria burguesia.

 Sandino Patriota

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