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quinta-feira, 30 de junho de 2022

Despejo truculento na reintegração do cais José Estelita

Despejo truculento da polícia na reintegração do cais José Estelita 01Ocupe Estelita é um movimento organizado em prol do Cais José Estelita, ameaçado pelo projeto intitulado “Novo Recife” do consórcio formado pelas construtoras Moura Dubeux, Queiroz Galvão, G.L. Empreendimentos e Ara Empreendimentos, que compraram o terreno da RFFSA em leilão no ano de 2008 a preço de banana. O empreendimento imobiliário, orçado em R$ 800 milhões e que prevê a construção de 12 torres com até 40 andares, é objeto de cinco ações judiciais que questionam sua legalidade. O movimento entende que há outras alternativas para a área, como parques públicos e uma melhor ocupação do solo, de forma popular.

No dia 21 de maio de 2014, a construtora Moura Dubeux deu início, à noite, à demolição das estruturas que ainda existem no Cais. A partir daquele dia, o local foi ocupado, tornando-se ponto de cultura, debates e contestação ao modelo atual de planejamento da cidade. Passaram por lá os cantores Otto, Karina Buhr, Junio Barreto, Cannibal, Siba e Lia de Itamaracá.

Reintegração violenta

Na madrugada desta terça, dia 17 de junho, a Polícia Militar de Pernambuco promoveu uma violenta reintegração de posse, com bombas de gás lacrimogêneo, pancadas com cassetetes e arrancando as pessoas das barracas.

Durante o dia, a população chegou aos poucos ao local, em solidariedade ao movimento Ocupe Estelita, crescendo o número de pessoas a todo instante, além de notas de repúdio à ação policial.

Despejo truculento da polícia na reintegração do cais José Estelita 02A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) afirmou, em nota, que “expressa sua estranheza e indignação pelo ocorrido, que desrespeita frontalmente o acordo envolvendo diversas instituições, a Prefeitura do Recife e os empreendedores”. O Ministério Público do Estado também repudiou a reintegração: “Em audiência realizada no MPE, na data de 23 de maio de 2014, presentes a Polícia Militar, a Prefeitura do Recife, representantes do Projeto Novo Recife, Movimento Direitos Urbanos e sociedade civil, foi acordado que, enquanto perdurassem as negociações entre as partes, não haveria ação policial para eventual desocupação do local, sem a prévia comunicação ao Ministério Público de Pernambuco.” Mas não foi isso o que ocorreu.

As centenas de pessoas que se concentraram em frente ao Cais José Estelita repudiaram a truculência da Polícia, mas tempestivamente foram surpreendidas com uma chuva de gás lacrimogênio e bala de borracha, com o objetivo de dispersar. Logo depois, manifestantes se reagruparam numa das principais vias de Recife, o viaduto Capitão Temudo, parando o trânsito por cerca de duas horas, onde foram novamente atacadas com gás de pimenta.

Manifestantes permanecem acampados em frente ao Cais, e a solidariedade da população tem crescido.

Alexandre Ferreira, Recife

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