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segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

O terror por trás do véu

O terror por trás do véuAté meados do século 19 a mulher era tratada como socialmente inferior, tendo apenas o direito de obedecer ao marido, pai ou irmão e cuidar de assuntos relacionados à casa e à família, sendo totalmente isolada do mundo. A falta de direitos das mulheres era tão gritante que elas não tinham sequer o direito de ler e escrever ou de sair de casa desacompanhada. As que se atrevessem a desobedecer qualquer uma dessas e outras “regras sociais” da época eram ridicularizadas e oprimidas pela sociedade e não podiam contar com o apoio da família, que também fora ensinada a ver como certos o machismo e a opressão.

Nos dias de hoje as mulheres já conquistaram diversos direitos, com muito suor e luta, desafiando a sociedade e suas regras de opressão e de exclusão da mulher das decisões sociais e convívio com outras pessoas. Porém, infelizmente, muitos direitos conquistados não são respeitados, e o machismo do passado ainda assombra nossos dias e deve ser combatido diariamente.

No Oriente Médio, por exemplo, as mulheres ainda convivem e sofrem diariamente com o as regras sociais e religiosas do passado, sendo excluídas da sociedade e tendo mais deveres do que direitos propriamente ditos.

Quando se escuta falar nas mulheres árabes, o pensamento de grande parcela da sociedade é o harém e o véu, a fantasia que os meios de comunicação propagam secundarizando o terror e o medo que existem. O véu pode esconder marcas de chicotadas, mutilações, queimaduras ou simplesmente olhos assustados.

Ao nascer, a mulher árabe já enfrenta sua primeira batalha pela vida, pois, enquanto a chegada de homem é tida como sinônimo de alegria e festa, a de mulher é o peso, a desgraça na vida da família. Esse pensamento e cultura fazem com que muitas meninas não passem do dia que vieram ao mundo.

Aquelas que conseguem ficar vivas são “educadas” de uma forma diferenciada dos homens, pois não têm direito de ir a escolas e universidades nem de trabalhar. Não têm seu direito de ir e vir e só podem sair de suas casas com o marido, irmão ou pai.

As muçulmanas são obrigadas a usar a burca, uma vestimenta que as cobre dos pés à cabeça, e, se por um acaso um pedaço do calcanhar estiver aparecendo, são chicoteadas em público. Se desobedecerem alguma regra muçulmana, podem e devem ser castigadas fisicamente e até mortas. Essas mulheres não têm direito sobre seus corpos nem o direito de pensar. Em alguns lugares, são sequestradas pelas famílias dos homens que desejam matrimônio. Durante o cárcere privado, o suposto noivo pode estuprar e cometer outras violências contra a mulher para que ela aceite o casamento. É obvio que acabam aceitando, por medo e não pelo desejo de felicidade.

Não bastasse, muitas mulheres são assassinadas por familiares sob a acusação de ter desonrado sua família. Normalmente são mulheres que rejeitaram o casamento arranjado, sofreram abuso sexual, buscaram divórcio, cometeram adultério ou praticaram sexo fora do casamento.

Sabe-se que a cultura e as leis dos países devem ser respeitadas, porém atentados contra a vida dessas mulheres não podem ser tratados como normais, ou simplesmente ignorados. Muitas vivem com medo de reagir, de falar sobre essas violências, pois são duramente oprimidas. A luta pela libertação feminina de todo machismo que a sociedade nos impõe deve ser diária. Não podemos nos calar ou parar de lutar enquanto no mundo ainda existirem mulheres violentadas e oprimidas todos os dias.

Da Redação

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