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sábado, 25 de junho de 2022

Trabalhadores terceirizados na UFRGS enfrentam patrão por melhores salários

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Trabalhadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), membros da empresa terceirizada Multiágil, paralisaram suas atividades, no dia 09 de fevereiro, tendo em vista o não pagamento dos salários. “Deveria ter caído no quinto dia útil do mês”, ressalta a funcionária Antônia*.

E esta não é a primeira vez que os salários atrasaram. No mês de dezembro, a angústia era com que carne os filhos iriam se alimentar, pois o patrão já estava até por beber o sangue dos trabalhadores.

Assédio moral foi o que não faltou. A pressão da empresa para que os funcionários trabalhassem sem a garantia de salário passava do ridículo: “quero pedir encarecidamente que trabalhem hoje e quarta-feira […]. O salário pode cair até as 17h do dia 10”, informava Pinheiro, representante da empresa.

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Chamava a atenção naquele instante de embate político com a patronal, além da raiva em ver que uma única pessoa dava ordens a toda uma maioria, as jóias caras e um terno que sequer acumulava o suor, mesmo debaixo de um calor de 30 ºC. Assim, todos se chocavam em ver onde estava o seu salário e quem estava acumulando sobre o árduo trabalho exercido.

O descaso com os terceirizados na UFRGS é um absurdo, as condições de trabalho que são submetidos mais ainda. Em setembro de 2014, ocorreu a explosão de uma caldeira, ferindo quatro trabalhadores, os quais ficaram com sequelas e com o custeio de remédios caros e a necessidade de ficarem durante o dia todo em frente a um ar condicionado, sem mais possibilidades de exercerem nenhum ofício, em virtude dos traumas físicos e psicológicos.

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O quadro de funcionários da maior empresa terceirizada na universidade é de cerca de 650 funcionários, aonde segundo informações da própria universidade – 500 funcionários estão sem salário. Não a justificativa para o não pagamento, se não o lucro, pois a UFRGS já repassou a verba para a empresa. É importante ressaltar que mais da metade destes funcionários são mulheres, mães e em sua maioria negras; possibilitando assim fazermos um recorte de classe de quem é mais explorado na sociedade capitalista.

Fora o atraso do salário, referente ao mês de janeiro, o mais corriqueiro é o atraso diário do valor da passagem de ônibus, como também o dinheiro da alimentação. Os trabalhadores não possuem refeitórios, muitas vezes, comem em banheiros, sequer local para trocar de uniforme existe e, como se não bastasse, os equipamentos de trabalho são impróprios.

A auxiliar de serviços gerais Ana* ressalta: “a gente é tratado aqui pior que cachorro, aqui os cachorros são bem tratados, e a gente é tratada como lixo. Até o lixo é recolhido, e a gente fica aqui atirada sem nenhuma satisfação”.

Da Redação RS

*Nome fictício.

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