UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Sobre o uso do Facebook

O Brasil conta com 306 milhões de dispositivos conectados a internet, a maioria telefones inteligentes (154 milhões de smartphones), segundo um estudo divulgado em abril deste ano em São Paulo pela universidade Fundação Getúlio Vargas (FGV). O 26ª Relatório Anual de Tecnologia da Informação calculou que o Brasil conta com três terminais (computadores, tablets ou telefones inteligentes) para cada dois habitantes. Isso quer dizer que a maioria da população acessa a internet, na maior parte do tempo dos seus celulares.  O maior tempo de acesso acontece em redes sociais como o Facebook e WhatsApp.

Assim, fica claro que os revolucionários podem utilizar essas ferramentas para a divulgação de suas ideias, tendo em vista o grau de visitação das massas nesses meios. Ao mesmo tempo, em que devem se manter vigilantes com o tipo de informações veiculadas, percebendo que o controle de todos os dados se encontra nas mãos de nosso inimigo de classe, a burguesia, e particularmente o imperialismo norte-americano.

Por outro lado, o uso das redes sociais, como de toda e qualquer ferramenta seja ela um martelo, um jornal ou uma arma, deve estar submetido aos princípios gerais da luta de classes, da nossa ideologia proletária, do acúmulo do marxismo-leninismo e da nossa construção partidária. Isso quer dizer que os comunistas não podem utilizar esses mecanismos da mesma forma que a pequena burguesia, burguesia e seus partidos. E devem achar estranho se assim estiverem fazendo.

Com efeito, se não estivermos concentrados em nosso objetivo maior, o de fazer a revolução mobilizando as mais amplas massas de trabalhadores para se libertarem do sistema capitalista, cairemos em várias armadilhas criadas pelos nossos inimigos e potencializadas pelas redes sociais. Os “mexericos” (mais conhecidos como conversa de corredor) são uma destas armadilhas.

Assim falava Enver Hoxha em seu artigo Sobre o caráter ideológico dos mexericos: “Os mexericos são um fenômeno típico da pequena-burguesia. Têm um caráter pequeno-burguês e são manifestações da ideologia burguesa. Os mexericos mal intencionados são produto do subjetivismo e não têm nada de comum com uma crítica sã, realista e construtiva. Bem pelo contrario, têm um caráter difamador, frequentemente calunioso, tanto com intenção como sem ela… Deve-se ver aí um método de crítica dos mais odiosos, próprio dos pequeno-burgueses. Não há nele qualquer atitude sã, de princípio, nem construtiva porque ela deforma os fatos, inventa, intencionalmente ou não, circunstâncias não verificadas, porque procede de boca a ouvido pelas costas e em prejuízo do elemento que toma como alvo.” (Ver site de A Verdade, no link https://averdade.org.br/2013/03/sobre-o-carater-ideologico-dos-mexericos/).

enverhoxha congress

O Facebook em particular está cheio disso. Alguém faz uma crítica solta no ar sem dizer a quem e o porquê, muito menos sem revelar os fatos concretos e materiais que levaram àquilo, e reproduz o disparate até a exaustão mesmo para milhares de pessoas que não estão envolvidas com a questão, apelando sempre para “os maus instintos da multidão”, como diria Lênin. Termina sendo muito mais uma provocação do que uma crítica e não precisamos falar dos efeitos nocivos e não educativos que tem as provocações. Além disso, depois da crítica subjetiva e sem endereço, fica também um convite generalizado para a fofoca in box (ferramenta para conversações particulares), afim de “esclarecer” o ocorrido.

Como se não bastasse ainda existem os “prints” (fotos das discussões em particular) que são feitos visando expor a pessoa que apresentou divergência a determinado pensamento, em público, e provar por a mais b, também em meios virtuais, que ela está errada. Transformando assim o movimento educativo e pedagógico de crítica e autocrítica, apenas em uma luta entre vencedores e perdedores. O resultado é que pessoas da mesma classe social, ao invés de aprofundarem sua união contra o inimigo comum, criam laços de ódio entre si que dificilmente serão superados nos momentos de luta. Isso se transforma em um enorme favor para os capitalistas que continuam a nos explorar sem maiores problemas.

Por sua vez, o Whatsapp não foge muito dessa lógica, ainda com mais um aditivo. São criados grupos para discussão de determinados assuntos em vez de levar esses debates para as reuniões. Quem procede assim, sem dúvida pensa que “o centralismo democrático deve servir aos outros, e não a mim”, revelando sua própria incompreensão do marxismo e seu próprio individualismo.

Vejamos uma vez mais o que o camarada albanês tem a nos dizer: “Combater implacavelmente os ‘mexericos’ sob as formas burguesas e pequeno-burguesas com que se apresentam, não significa dissimular os erros que se manifestaram em qualquer domínio político, ideológico, moral ou organizativo. Pelo contrário, a crítica destes erros deve ser feita, mas deve repousar sobre sólidas bases de princípio, apoiar-se bem sobre fatos, ser aberta, formulada cara a cara ou perante o coletivo, no momento em que é necessária e não ser baseada em simples suposições. A crítica deve, em todas as circunstâncias, caracterizar-se por um objetivo moral, político e ideológico, ter uma função educativa para o indivíduo ou para o coletivo criticado, nunca ter como objetivo esmagar moralmente o elemento em causa, mas, pelo contrário, elevar o seu moral para lhe permitir corrigir os seus erros”.

A presunção comunista e o estilo de trabalho cotidiano

Outro problema é a sensação falsa de dever cumprido ao declararmos nossa opinião sobre determinado assunto ou luta nas redes sociais. Assim que nossa postagem, ou mesmo uma foto que tiramos no momento de um protesto, é visualizada por milhares de pessoas e ‘curtida’ por centenas, temos a impressão que o nosso papel comunista foi cumprido. O mesmo ocorre quando preferimos “criar um evento” no facebook, substituindo o panfleto da entidade/movimento e sua distribuição com nossa linha política, data, horário e local onde determinada atividade será realizada. Sem levar em conta o que podemos aprender com as massas, quais suas reivindicações e que formas de luta querem utilizar, a nossa presunção comunista diz: “o título do evento ficou ótimo, a arte também, já convidei mais de 2 mil pessoas, todos vão aderir”.

Mas isto não é verdade. Nada pode substituir o trabalho cotidiano de diálogo e contato com as pessoas em espaços privilegiados como as brigadas do jornal, panfletagem nos bairros e no centro da cidade, passagens em sala ou locais de trabalho, confecção dos jornais das entidades e etc. Todo esse trabalho é quem pode ao fim e ao cabo levantar as massas pra lutar contra um determinado problema e desenvolver sua consciência política.

“A presunção comunista — disse Lênin  — significa que um indivíduo, que se acha no Partido Comunista e ainda não foi expulso, imagina poder cumprir todas as tarefas a golpes de decretos comunistas. Menos frases pomposas mais trabalho concreto, cotidiano… Menos estrépito político, maior atenção aos fatos mais simples, mais vivos… da edificação comunista…” (Lênin. Uma grande iniciativa).

As redes sociais são muito propícias para os que muito falam e pouco fazem. De modo que temos que estar vigilantes para que nossa militância não se assemelhe a dos partidos da pequena-burguesia, que mais querem ter reconhecimento, do que dedicar a energia de seus militantes à luta cotidiana de nosso povo.

Divulgar nossas ideias

Como dito no início, é grande o número de pessoas que tem se informado sobre os acontecimentos da política nas redes e os revolucionários não podem desprezar isso. O acesso ao site do nosso jornal, por exemplo, pode aumentar e muito se todos escreverem mais matérias sobre tudo o que acontece em suas localidades e utilizarem essas ferramentas para divulgar mais a nossa página e nossa política.

Também podemos formar mais quadros e com maior rapidez se ajudarmos os militantes a evitarem a superficialidade tão presente nesses espaços e, ao invés de ler o título de determinada notícia, lerem toda a matéria ou todo um livro que trate sobre aquele assunto, se for o caso. Se conseguirmos que vários de nós deixem de passar horas na frente de um computador julgando a vida das pessoas e passem a ter mais atenção com os problemas do seu bairro, da sua escola ou do seu trabalho, ou seja, que estejam atentos aos mais próximos e aos seus problemas.

Ainda podemos fortalecer nossas entidades/movimentos usando as redes de forma auxiliar e nunca substituindo o corpo a corpo da luta de massas. Sendo pessoas mais simples e verdadeiras, e não olhando de cima para baixo para o povo, conseguiremos conquistar de vez o coração daqueles que estão a nossa volta.

Quanto a nossa organização, tudo o que nos interessa deve que ser discutido em nossas instâncias e as ferramentas podem apenas nos ajudar a colocar em prática aquilo que definirmos nas reuniões presenciais de nosso coletivo.

Deste modo garantiremos nossa unidade de vontade e de ação, bem como uma ligação privilegiada  e concreta com a juventude e o povo trabalhador, estando assim bem mais pertos de realizar a revolução e construir o socialismo em nosso país.

Queops Damasceno, militante do PCR

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