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quinta-feira, 30 de junho de 2022

Uma revoada de abutres sobre a Venezuela

imagesApós 16 anos de governos chavistas, da vitória do PSUV e das forças de apoio ao governo em mais de uma dezena de eleições e da derrota do golpe de Estado de abril de 2002, o povo da Venezuela se vê diante de uma eleição decisiva. No próximo domingo, 6 de dezembro, serão renovados os 165 deputados da Assembleia Nacional, órgão máximo do poder legislativo.

O garrote e o boicote econômico impostos pelos capitalistas parecem, mais do que nunca, surtir o efeito eleitoral desejado. Ao contrário do que é propagado pela grande mídia de quase todos os países latino-americanos, mais de 93% das unidades econômicas são privadas na Venezuela e existem 2169 empresas capitalistas classificadas como grandes, ou seja, com mais de 100 empregados*.

Esses capitalistas continuam, ainda que pesem todas as medidas reformistas do chavismo, a dominar a economia venezuelana. Eles se reúnem em suas entidades empresariais (FEDECAMARAS, CONSECOMERCIO, FEDEAGRO e VENAMCHAM) e mantêm inúmeros vínculos dentro do Estado burguês. Recebem, como muitas vezes já ficou provado, vultuosos financiamentos do imperialismo estadunidense para promover ações de desestabilização do governo e perseguição às lideranças dos trabalhadores e dos movimentos sociais.

Leia mais:

https://averdade.org.br/2014/09/venezuela-organizacao-e-unidade-devem-ser-mais-que-uma-bandeira/

https://averdade.org.br/2014/03/o-que-quer-extrema-direita-na-venezuela/

Trata-se de uma tática, aliás, muito antiga, já testada e aprovada quando do golpe que derrubou o presidente Salvador Allende no Chile, em 11 de setembro de 1973. Boicote a economia, aumento abusivo de preços, formação de estoques que serão vendidos no mercado negro e o prejuízo que os capitalistas tiverem com toda essa operação é coberto com o financiamento internacional.

O restante do trabalho é realizado pela mídia, que repete uma mentira mil vezes até que ela pareça uma verdade. E a mentira dessa vez repetida é a de que os golpistas de 2002, os que nunca respeitaram os resultados das eleições, os que assassinam dirigentes sindicais no campo e na cidade são os “democratas” e o governo legitimamente eleito sob regras abonadas por observadores do mundo todo é o “ditador” que mantêm presos políticos e impede a liberdade de expressão.

Nessa operação de repetir a mentira estão juntos todos os monopólios da mídia latino-americana. São abutres em revoada sobre a Venezuela, vendo a oportunidade de derrotar não apenas o governo chavista, mas além disso e principalmente, derrotar a todos os o bravos militantes que nesta última década e meia ocuparam e colocaram em funcionamento fábricas falidas, organizaram cooperativas populares no campo, construíram comunas que são embriões do Poder Popular nos bairros e começaram a alcançar as condições de construir um novo Estado.

Uma eventual derrota eleitoral do chavismo no próximo dia 6 poderá significar um retrocesso na onda progressista que derrotou os governos da direita e do neoliberalismo e que teve início exatamente com a eleição de Hugo Chavez, no início deste século. A tendência de unidade latino-americana e de enfrentamento ao imperialismo dos EUA poderá ser duramente afetada.

É o momento de levantar a mais ampla solidariedade ao povo da Venezuela e combater o cerco midiático imposto pelos monopólios. É preciso preparar uma nova onda de transformações e de avanços populares em nosso continente, dessa vez sem concilições ou ilusões com os capitalistas e sua máquina estatal.

Jorge Batista, São Paulo

*Dados do censo econômico nacional 2007-2008.

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