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sábado, 26 de novembro de 2022

Por que Geraldo Alckmin festeja a repressão?

Ontem, dia 12 de fevereiro, a PM de São Paulo reprimiu covardemente, sem qualquer motivo, milhares de pessoas que tentavam protestar contra os aumentos das tarifas de ônibus, trem e metrô na Grande São Paulo. Concentrados na esquina da Avenida Paulista com a Avenida Consolação, na Praça do Ciclista, os/as manifestantes foram cercados pelos policiais. A truculência policial deixou centenas de feridos – entre eles, um jovem teve fratura exposta na mão e uma jovem grávida teve uma costela quebrada depois de levar um chute de um Policial Militar.

No meio do aumento dos preços de tantas coisas, algumas pessoas não compreendem o motivo pelo qual milhares de jovens saem as ruas para protestar contra o aumento das passagens. É importante lembrar que, há poucos anos atrás, em várias cidades brasileiras a juventude não tinha nem acesso à meia tarifa estudantil, que o passe livre era algo impensável e como o custo do transporte tem impacto direto na mobilidade dos jovens, um movimento nacional de luta contra esses aumentos (sempre abusivos) foi sendo construído. Hoje, quando ocorre o aumento das tarifas, muitos já sabem que está correto se manifestar, ocupar as ruas com alegria e combatividade para dizer que é contra o lucro exorbitante das empresas de ônibus, que transporte não é mercadoria e, de uns tempos para cá, lutar pela ampliação do passe livre e pela tarifa zero.

Esse exemplo pode servir para gente se organizar contra todos os outros aumentos que consideramos injustos, abusivos, desnecessários, como da eletricidade, da telefonia, da comida, dos aluguéis, do gás, dos combustíveis, etc. Claro, as formas de pressão, de luta podem ser adaptadas de acordo com cada realidade. Contra o aumento das passagens, temos um protagonismo bem maior da juventude pobre, que possui suas próprias características e experiências.

As vitórias desse tipo de mobilização, principalmente em 2013, foram gigantescas. Centenas de cidades revogaram o aumento das tarifas do transporte e tudo isso só foi possível porque a juventude, que há anos insistia nessa possibilidade, não se acovardou, não se vendeu, não permitiu que o oportunismo passasse por cima dos interesses coletivos e enfrentou tudo que apareceu pela frente. Aqui em São Paulo, arrancamos, além disso, o passe livre “limitado”, e ficou claro que, nessa luta, é possível ir muito mais além. O MPL (Movimento pelo Passe Livre), assim como vários outros movimentos e organizações, possuem uma grande responsabilidade nessas vitórias e por isso nosso trabalho está em aprimorar essa luta da maneira mais unitária possível e obter novos resultados.

Porém, Geraldo Alckmin (PSDB), assim como os setores mais conservadores de nosso estado, perceberam que a maior derrota não foi ir para televisão junto com o Prefeito Haddad e anunciar a revogação dos 0,20 centavos de aumento no dia 19 de junho de 2013, depois de milhões de pessoas irem para as ruas. Isso, com certeza, foi admitido como uma grande derrota para o governador e para vários prefeitos e prefeitas, principalmente considerando os compromissos eleitorais que possuem com a máfia das empresas de ônibus, mas sabiam que poderiam dar um “jeitinho” e recompor essas perdas de lucro em pouco tempo. Foi o que aconteceu em 2015 e tentam ampliar isso agora, no ano eleitoral. No entanto, a coragem com que a juventude enfrentou a Polícia Militar em todo o estado foi o que realmente os assustou e passaram a ter uma decisão ainda maior em aniquilar esses métodos de luta, desmoralizar os movimentos com o auxílio das redes de televisão e tentar intimidar ainda mais a juventude de luta com a repressão policial. Eles decidiram destruir a organização da juventude combativa no estado de São Paulo.

É verdade que nessas lutas, passando pelos protestos contra os gastos com a Copa do Mundo em 2014, os dois lados foram se aprimorando, mas, do nosso lado, é possível perceber que o efeito das bombas e das balas de borracha já não são os mesmos. O medo foi diminuindo entre os/as manifestantes, o gás já não cria o mesmo pânico de antigamente e todo o aparato de persuasão da Polícia Militar (a cara feia, roupas especiais, armamentos, Tropa de Choque, Força Tática, Rocam, P2, Rota, Cavalaria, blindados, câmeras, tortura e a quantidade absurda de policiais cercando as manifestações) não consegue deter a legítima decisão de ocupar as ruas da cidade contra um aumento injusto, abusivo, que realimenta a lógica dos financiamentos eleitorais, que afeta a sobrevivência de milhares de trabalhadoras/es e que incide diretamente na inflação em todo o país. Prenderam, bateram, arrancaram dentes, olhos, quebraram ossos, torturaram, humilharam, e nosso medo diminui a cada luta.

E essa foi a maior derrota do Governo Alckmin (PSDB) e dos fascistas de São Paulo nos últimos anos. Perceberam que todo esse aparato das polícias e dos grandes meios de comunicação não foram suficientes para frear a luta da juventude. Viram o efeito disso na ocupação de mais de 200 escolas em todo o estado. Por aqui, não foram poucas as vezes que vimos adolescentes, meninos e meninas de 12, 13, 14 anos olhando no olho dos policiais, dizendo com toda tranquilidade para irem embora e fechando o portão das escolas com seus próprios cadeados (Tem mandado? Então dá licença…https://youtu.be/AG-cmqUXtXg).

A festa que fizeram depois da brutalidade de ontem tem a ver com isso. Querem aparecer como donos da situação e convencer os setores mais ricos de nosso estado, do país e o imperialismo que são capazes de ter essa atitude no Brasil inteiro. Estão de olho na eleição de 2018 e querem provar que possuem habilidades para serem fascistas, mas com verniz democrático — o fascista cordial. É um jogo de cena, dentro de uma tática de marketing político que manejam bem. Não é à toa que esse governo foi reeleito no 1º turno nas últimas eleições.

Festejam também porque sabem que nos últimos anos conseguiram “ganhar” um setor que poderia atrapalhá-los bastante: o PT e o Prefeito Fernando Haddad. A ação desse partido na oposição ao governo estadual hoje é nula. Na Assembleia Legislativa, depois da saída de Adriano Diogo (PT), perderam completamente a capacidade de se opor a essa política fascista. Com a prefeitura na mão, não são capazes de fazer nenhuma crítica ao Governo do Estado, nada! Pelo contrário, em 2013 fizeram o mesmo discurso que o PSDB; em 2014, agiram de forma conjunta nos protestos contra a Copa; em 2015, anunciaram juntos um aumento de R$ 0,50 no transporte. Mesmo com essa covardia de ontem tendo acontecido na cidade em que eles foram eleitos, não fazem nada. Haddad fala “que vê a repressão com preocupação”, propõe que o Ministério Público acompanhe as manifestações, e só isso. Tanto o prefeito Fernando Haddad (PT) quanto a vice Nádia Campeão (PCdoB) sabem que militantes dos seus partidos foram duramente reprimidos, feridos nas manifestações, e não são capazes de tecer nenhuma crítica contundente a esse tipo de conduta da PM e do governo estadual. Repito, dentro da cidade que eles foram eleitos.

Anunciam os aumentos em conjunto com o governo estadual, se reúnem com o Secretário Estadual de Segurança Pública para tratarem da ação policial nas manifestações e se tornam cúmplices, promotores da política de Geraldo Alckmin e do PSDB. Não duvido que o Alckmin seja o primeiro a utilizar contra manifestantes a “Lei Antiterrorismo”, enviada pela presidente Dilma ao Congresso Nacional, outra colaboração com a política fascista em nosso país.

Minha gente, desse jeito não se derrota a “bancada da bala” na Câmara dos Vereadores e na Alesp ou mesmo Eduardo Cunha e o impeachment; pelo contrário, estão jogando gasolina na labareda.

Alckmin festeja a ação da PM no ato de ontem porque estava com muita vontade de “enfiar o sarrafo” na gente, estavam com as ocupações das escolas e a readmissão de vários metroviários grevistas entalada na garganta. Estão comemorando, acham que nos desmoralizaram, mas os opressores tentam nos calar na base da porrada há muito tempo e cá estamos nós outra vez!

Nos últimos 3 anos, nossa capacidade de luta se ampliou em todos os setores. Precisamos aprimorar muita coisa, muita mesmo, mas nossa juventude e toda nossa classe temem cada vez menos suas bombas e seus cassetetes. Os jornais e as novelas começam a perder cada vez mais sua influência. Conseguimos identificar com mais clareza nossos verdadeiros inimigos, assim como as práticas oportunistas e vacilantes de setores da esquerda, e por isso vocês estão preocupados. A tendência nesse momento de crise política e econômica do capitalismo é que a repressão e a criminalização dos movimentos populares se amplie muito mais e você, que hoje está aí em cima do muro, pode se arrepender muito em não ter combatido agora com muito mais firmeza essa política fascista.

Podem sorrir essa noite. Vocês são herdeiros dos que quiseram nos escravizar há mais de 500 anos atrás. Nós somos herdeiros daqueles que nunca deram nenhum minuto de sossego para vocês e hoje, depois de recolher centenas de feridos, estamos dispostos a continuar a luta nas ruas, sem ceder à pressão de um governo fascista de suas polícias e de seus colaboradores.

Fernando Oliveira, São Paulo

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1 COMENTÁRIO

  1. O MPL que está à frete dos protestos é o mesmo grupo que
    comandou as invasões das escolas. E em ambos os casos, a “causa” que
    dizem protestar na verdade é outra. Não era para barrar a reorganização das
    escolas que as invadiram. Tanto é que continuaram nelas mesmo depois do
    governador adiar o projeto. Assim como não é pelos R$ 0,30 de aumento na tarifa
    do transporte que estão vandalizando. Na verdade, eles têm apenas dois
    objetivos: o primeiro é tirar o foco da mídia dos escândalos do governo Dilma e
    do PT. O outro, é colocar a população contra Alckmin. Basta saber quem está por
    trás do MPL.

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