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quinta-feira, 30 de junho de 2022

Invasão à Escola Nacional do MST

araupel-4No último dia 04 de novembro de 2016, ocorreu uma invasão na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) do MST, na cidade de Guararema-SP, segundo a imprensa dos capitalistas e banqueiros o motivo foi uma “operação” policial, batizada de “Castra”. A Policia Militar ao chegar ao local da escola, pularam o portão e janela da recepção, entrando de armas em punhos atirando em direção às pessoas que se encontravam na escola em cursos regulares.

Para entender este fato é necessário lembrar a origem da operação, que teve inicio a partir de 2014, quando cerca de 3 mil famílias ocuparam áreas griladas pela empresa Araupel, no município de Quedas do Iguaçu-PR. Essas áreas eram griladas e após vistoria, foi declarada pela Justiça Federal terras públicas, pertencentes à união e destinadas para a Reforma Agrária. A Araupel, sempre utilizou da grilagem de terras públicas, uso constante da violência contra trabalhadores rurais e posseiros, geralmente sem nenhuma punição pois este serviço sujo é feito com o aparato da polícia civil e militar.

No mês de abril deste ano, nas terras griladas pela Araupel onde fica o Acampamento Dom Tomas Balduíno, ocorreu uma emboscada realizada pela Policia Militar e seguranças, executando Vilmar Bordim e Leomar Orback, além de inúmeros feridos a bala. A Araupel é uma empresa que explora os setores de reflorestamento e beneficiamento em madeira. Reconhecida por grilar terra no PR, com capitalistas nacionais e com a produção sendo destinada principalmente para exportação aos países europeus e os EUA. As fazendas de monoculturas atingem os municípios de Quedas do Iguaçu, Rio Bonito do Iguaçu, Nova Laranjeiras e Espigão Alto do Iguaçu. As unidades industriais ficam em Quedas do Iguaçu/PR e Guarapuava/PR, sendo a matriz em Porto Alegre/RS. Sua origem foi em 1972, a união da Madeireira Giacomet S.A. e a Marodin Exportação S.A., formaram a Giacomet-Marodin Indústria de Madeiras S.A. Fruto da grilagem de terras no centro-sul do Paraná, chegaram a reivindicar proprietários de 85.000 ha. Em 1997 a Giacomet-Marodin mudou sua denominação para Araupel S.A.

Após não conseguir provar na justiça a titularidade das terras, em 2015, a Justiça Federal finalmente determinou ser da União 23 mil hectares, criando o Projeto de Assentamento Celso Furtado em Quedas do Iguaçu. O desmascaramento perante a própria justiça burguesa do seu roubo, aumentou o conflito com o MST, usando cada vez mais da violência e buscando a sua criminalização. Por outro lado a produção dos trabalhadores rurais sem terra impulsionou o desenvolvimento do município e a distribuição de renda. Na sequência, a Justiça condenou a empresa a devolver as indenizações recebidas pelas benfeitorias, já que a madeireira usava indevidamente área pública.

Como a polícia civil do estado do Paraná, na região de Quedas do Iguaçu, possui estreitos laços de cumplicidade e colaboração com a empresa, as prisões e invasões da ENFF apenas reafirma a perseguição política contra o MST desencadeada a pedido e com financiamento da empresa Araupel. A tentativa de enquadrar o MST como organização criminosa serve aos interesses do latifúndio e do agronegócio, que encontram em membros do Judiciário fortes aliados.

Conforme a CPT (Comissão Pastoral da Terra), o golpe parlamentar está avançando contra os direitos dos trabalhadores e sendo desrespeitado os mais elementares procedimentos legais, aumentando a violência contra os trabalhadores do campo. Só neste ano já se computam 50 trabalhadores assassinados em conflitos no campo, número igual a todo o ano de 2015, que por sua vez registrou o maior índice de assassinatos desde 2004.

Cabe observar se a invasão da ENFF, será repetido sobre os milhares de estudantes em todo o país que ocupam escolas, institutos federais e universidades, protestando contra as medidas do governo golpista para a educação e a PEC 55. Por fim, prestamos nossa solidariedade ao MST e a todos os movimentos atingidos por semelhantes agressões no Brasil. Os movimentos sociais não são organizações criminosas e devem aumentar a sua luta pelos direitos da classe trabalhadora, a exemplo de uma profunda Reforma Agrária e Urbana, mas a imprensa dos ricos sempre irão buscar incriminar as organizações da classe trabalhadora, a exemplo da invasão da ENFF evitando revelar as verdadeiras causas.

Redação – PE

Fontes: www.mst.ogr.br;    www.cpt.org.br; www.araupel.com.br;

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