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sábado, 3 de dezembro de 2022

Ganância dos capitalistas eleva preço da carne

Qual o verdadeiro motivo da carne ter se tornado um artigo de luxo nas mesas do país? 

Por Felipe Annunziata
Rio de Janeiro


Foto: Henrique Arakaki

BRASIL – A carne bovina sofreu um aumento de 13,49% apenas em dezembro, segundo a Fundação Getúlio Vargas. De fato, em qualquer açougue ou mercado o preço da carne está um absurdo. A questão é tão grave que muitas famílias já cortaram a carne do cardápio diário. Com isso, o preço do frango também aumentou 17,8%, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), da USP.

À população mais pobre, que há anos já não consome carne vermelha com frequência, resta consumir ovos para ter alguma fonte de proteína no almoço ou jantar.

Dessa forma, a crise chegou forte na mesa dos brasileiros, comprometendo até mesmo o feijão com arroz do trabalhador.

Por que a carne está tão cara?

A grande mídia burguesa, financiada pelo agronegócio, mente para o povo ao justificar o aumento da carne como resultado exclusivo da “entressafra” (quando a disponibilidade de pastagem para os animais diminui) e do crescimento da demanda chinesa pela produção brasileira, devido a uma peste que está devastando os rebanhos daquele país,

Escondem, assim, o real motivo da carne ter se tornado um artigo de luxo nas mesas país a fora, ou seja, a ganância dos capitalistas e do agronegócio, que colocam seus lucros acima dos interesses da imensa maioria da população brasileira.

De fato, atualmente o Brasil conta, segundo o IBGE, com 213 milhões de cabeças de gado bovino, quer dizer, mais de um boi para cada habitante. Somos o maior exportador e produtor de carne vermelha do mundo. Porém, toda essa riqueza está toda concentrada em poucas empresas que formam um enorme monopólio da produção, distribuição e comercialização de carne no Brasil. A maior delas, a JBS/Friboi, de propriedade da família de Joesley Batista, é dono de quase metade de todos os estabelecimentos industriais ligados ao processamento de carnes no Brasil.

Essa concentração permite que essas grandes empresas estabeleçam o preço que bem entenderem ao consumidor nacional, bem como se priorização a venda para o mercado interno ou externo. Como para o agronegócio dá mais dinheiro exportar para a China, Estados Unidos ou Europa do que garantir que o povo brasileiro tenha acesso à carne barata e de qualidade, a maior parte da produção bovina e de frango é destinada à exportação, tornando o preço desses produtos mais caros no Brasil.

Em outras palavras, o preço da carne só é caro porque os donos das grandes fazendas de pecuária e frigoríficos querem. Dessa maneira, nosso país está condenando, em nome da ganância de meia dúzia de burgueses e latifundiários, milhões de famílias brasileiras a comerem ovo, pé de galinha ou salsicha, enquanto uma reduzida elite se empanturra nos restaurantes da alta sociedade.

Existe saída?

Porém, diferente do que os defensores do agronegócio afirmam, é possível ser de outro modo. A Unidade Popular (UP), o mais recente partido legalizado no país, defende um rigoroso “controle social de todos os monopólios e consórcios capitalistas e dos meios de produção nos setores estratégicos da economia”, além da “planificação da economia para atender às necessidades da população e acabar com as desigualdades regionais e sociais”.

Ou seja, a UP defende que a produção dos gêneros mais essenciais para a vida humana esteja sob o controle dos trabalhadores, seus verdadeiros produtores, e não da burguesia.

Nada mais justo, aliás, pois, como sabemos, não é Joesley Batista ou a ministra da Agricultura Tereza Cristina que labutam diariamente na terra para prover comida à população, mas milhões de trabalhadores rurais.

Fica claro, portanto, que a única forma de evitar o aumento dos preços dos alimentos que consumimos diariamente é colocando nas mãos dos trabalhadores o controle e planejamento a economia no Brasil.

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