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Governos relaxam quarentena: lucro acima da vida

EXAUSTÃO – Na Itália, os médicos, enfermeiros e profissionais da saúde trabalham até as últimas consequências para assegurar a vida do povo. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Guilherme Piva

BRASIL – Nesta quinta-feira (26), o prefeito de Milão, Giuseppe Sala, reconheceu que errou ao apoiar a campanha “Milão não para”, lançada há um mês para “combater” o isolamento face à pandemia da Covid-19, causada pelo novo coronavírus. No início da campanha, a região da Lombardia (onde Milão se encontra) tinha 258 infectados pelo vírus, e a Itália registrava então 12 mortes. Hoje, Milão é o epicentro da Covid-19 na Itália: são 32.346 casos confirmados e 4.474 mortes pela doença.

Boris Johnson, primeiro-ministro conservador da Inglaterra, disse há pouco tempo que continuaria apertando as mãos das pessoas, como havia feito em um hospital com pessoas contaminadas pelo vírus. Nessa semana, Johnson (que testou positivo para o SARS-CoV-2) fez um vídeo apelando para que as pessoas ficassem em casa e determinou quarentena obrigatória em todo o país.

Donald Trump foi na mesma linha, subestimou a pandemia e viu os Estados Unidos ultrapassarem China e Itália em número de casos e se tornarem o novo epicentro mundial da pandemia. Hong Kong suspendeu a quarentena após controlar a doença. O resultado foi um novo aumento dos casos.

Bolsonaro, que diversas vezes se referiu à Covid-19 como “gripezinha”, fez essa semana um pronunciamento em rede nacional no qual não só menosprezava a doença e fazia afirmações anticientíficas e falsas, como também pedia que o comércio reabrisse em todo o território nacional. Na contramão do que os outros países do mundo vêm fazendo, o presidente fascista jogava sobre os trabalhadores a responsabilidade que deveria ser sua. Enquanto pega dinheiro emprestado de bancos para a renda mínima aos trabalhadores autônomos e informais, o governo federal gasta 5 milhões de reais em uma campanha publicitária sem licitação pra defender que “o Brasil não pode parar”.

O presidente miliciano mostra, com isso, que é um genocida fascista, que não se importa que morram milhares de pessoas, e que usa a pandemia como pretexto para jogar sobre o povo a culpa por sua negligência. Chegou a baixar um decreto permitindo a abertura de igrejas e agências lotéricas. Tripudiou da situação, afirmando que o vírus não passaria pelo vidro blindado das lotéricas. Bolsonaro não afirmou isso porque seja burro, e sim porque é um cretino que zomba do povo brasileiro e busca fazê-lo de idiota.

A justiça suspendeu seus decretos que liberavam a abertura dos templos e das loterias, mas a pandemia escancarou de vez a face mais criminosa de Bolsonaro. E com isso, trouxe também mais isolamento político a ele. O “discurso da morte”, como o pronunciamento da semana vem sendo chamado por entidades de profissionais da saúde, custou a ele o apoio de uma parcela dos que ainda o defendiam. Os eleitores que ainda o apoiavam, o chamavam de “louco” enquanto assistiam o pronunciamento criminoso abismados. Até cães de guarda bolsonaristas, como o governador de Goiás Ronaldo Caiado, romperam com ele após o infame discurso. João Dória teve um forte atrito com ele durante uma videoconferência entre ele e os governadores estaduais, mostrando que o apoio a Bolsonaro entre a burguesia também cai gradualmente.

Bolsonaro segue apostando no genocídio, ignorando as graves consequências que sua omissão já causa. Outros chefes de Estado capitalistas que apostaram na “tentativa e erro” recuaram diante dos resultados avassaladores de seus “experimentos”. Empresas seguem expondo seus trabalhadores ao risco de infecção e morte enquanto os donos milionários se isolam confortavelmente em suas mansões. O capitalismo, que já causou duas guerras mundiais, embargos comerciais e ditaduras fascistas que causaram genocídios em diversos países, mais uma vez usa a classe trabalhadora como cobaia. É incontável o número de vidas que esses “experimentos” do sistema capitalista ainda custarão. Portanto, derrubar o sistema capitalista torna-se mais a cada dia uma questão de sobrevivência.

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