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A violência doméstica durante o Coronavírus


BRASIL – Vivenciamos um momento de epidemia global devido a transmissão comunitária do COVID-19, ou popularmente Coronavírus, em grande parte das regiões do país. Essa pandemia surgiu na China, se alastrou para Itália, Espanha, Portugal, Estados Unidos, Brasil e outros diversos países. A Organização Mundial de Saúde – OMS orienta a quarentena de quase toda a população para diminuir a contaminação, reduzir a demanda sobre os hospitais e, assim, salvar a vida de milhares de pessoas, especialmente as mais idosas e portadoras de doenças crônicas. Mas, para mulheres que sofrem violência doméstica como fica essa situação?

Na China houve um aumento exponencial desse tipo de violência quando foi decretada a quarentena. Em fevereiro, houve 162 queixas nesse departamento, três vezes mais que as habituais que eram cerca de 40. A epidemia teve um impacto enorme com o aumento de 90% das causas desta violência estão relacionadas ao isolamento. A Organizações das Nações Unidas apontou enormes impactos para as mulheres gerados pelo novo coronavírus, principalmente para as mulheres da América Latina e do Caribe.

Se você é mulher e vive no lar em situação de violência, essa tensão deve aumentar com o isolamento obrigatório. E nesse caso, se alguém vive com outra pessoa abusiva, que violenta, seja verbal ou fisicamente, como reagir? Para as mulheres que continuam atreladas ao parceiro agressor, a dificuldade para se manter financeiramente fica muito maior nessa situação, pois existe uma real redução da atividade econômica em razão da pandemia, são principalmente as trabalhadoras informais, as trabalhadoras domésticas, as trabalhadoras ambulantes que perderam os seus meios de sustento quase que imediato, isso agrava, cada vez mais, a sua condição de emancipação, dentro de casa.

Para onde vão essas mulheres? Já que os equipamentos públicos como, as Casas de Referências ou Casas Abrigos públicos estão proibidos de receber qualquer demanda na quarentena. A Casa de Referencia Tina Martins de Belo Horizonte, dirigida pelo Movimento de Mulheres Olga Benário montou um sistema de atendimento 24 horas todos os dias, resguardando todas as medidas de segurança orientadas pela OMS, acolhe as vítimas de violência de gênero.

Foto: Jornal A Verdade

“No momento onde os governos não reconhecem as medidas de enfrentamento à violência contra as mulheres como serviços essenciais a estarem em funcionamentos, cabe ao movimento de mulheres, como o nosso, tomar medida práticas, pois essas mulheres e seus filhos, vítimas da violência doméstica, estão desassistidos pelo governo. Assim, os atendimentos às mulheres em nossa casa estão em caráter de urgência a partir dos agendamentos.” – declara Indira Xavier, Coordenadora da Casa Tina Martins.

Infelizmente essa situação vai piorar no mês de abril, pois com a paralisação da economia vai piorar a situação das mulheres trabalhadoras, principalmente as autônomas, seja pelo aumento da violência doméstica, como também, a situação dos hospitais lotados e sem recursos. Além disso, as mulheres podem estar mais expostas à violência sexual fora de casa neste período. As ruas estão mais desertas, especialmente à noite, e o efetivo da polícia também está reduzido. Há um risco maior. Evitar andar sozinha à noite e em lugares sem movimentação de pessoas são recomendações necessárias nesse momento crítico.

Precisamos ficar atentas, pois se alguma vizinha sofrer violência devemos acolhê-la e chamar a polícia. É necessário isolar a vítima do seu agressor, pois se os governos não o fazem, devemos fazer para salvar as vidas das mulheres, afirma Nana Sanches – Coordenadora da Casa de Referência Mulheres Mirabal da cidade de Porto Alegre – RS. “A nossa casa está lotada, mas continuamos com o atendimento de urgência, com aconselhamento jurídico e psicológico das vítimas, pois isso é fundamental diante dessa situação”, diz ela.

O Brasil é o quinto país com mais feminicídios no mundo. Em 2018, foram registrados 1.206 casos no nosso país, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, porém essas estatísticas irão aumentar com a epidemia. Assim, para termos uma sociedade que exerça de fato, a fraternidade, solidariedade e a empatia, que seja agora, através de ações, e o que mais precisamos nesse momento de crise humanitária que vivemos desde a Segunda Guerra Mundial é isso, ajudar quem mais precisa, sejam as mulheres vítimas de violência, sejam os pobres, pois são vidas humanas que estão em jogo.


O Que Fazer: As Recomendações Necessárias

1. Ir para casa de parentes ou amigos que possam acolher nessa situação;
2. Denunciar à polícia, ligar 180 – Central de Atendimento à Mulher;
3. Nos estados onde as casas de referência ou abrigo estejam aceitando acolhimento, ir até elas;
4. Ligue também se for o caso para a Polícia Militar: 190.

Claudiane Lopes, jornalista e membro da Coordenação Nacional do Movimento de Mulheres Olga Benario

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