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segunda-feira, 4 de julho de 2022

Cancelamento da venda da Embraer à Boeing é mais uma derrota de Bolsonaro

Foto: Roosevelt Cassio/ReutersFoto: Roosevelt Cassio/Reuters

Por Eduardo Leal
Rio de Janeiro

A maior fabricante brasileira de aviões, a Embraer, foi surpreendida com o cancelamento unilateral do acordo de venda da seção de aviação comercial da empresa para a americana Boeing. Firmado em 2018, pelo então presidente Michel Temer, o acordo de venda fechou milhares de postos de trabalho e representou um verdadeiro ataque à soberania nacional, um verdadeiro ato antipatriótico.

O cancelamento unilateral do acordo anunciado essa semana pela Boeing foi a saída encontrada pela empresa norte-americana para não pagar os 4,2 bilhões de dólares devidos, inclusive fabricando falsas alegações para justificar essa medida.

A verdade é que a Boeing passa hoje pela maior crise de sua história. Mostrando a sua ganância sem limites, a empresa fabricou aviões inseguros, os 737 MAX, resultando em dois grandes acidentes, além de ter sido afetada pela paralisação do setor aéreo em decorrência do coronavírus, chegando a pedir socorro financeiro para o governo americano.

O cancelamento deste acordo representa uma grande derrota da diretoria da empresa e do governo Bolsonaro, que apoiava a venda da Embraer a preço de banana. Foi comprovado que a decisão da diretoria de iniciar o processo de venda da empresa foi errada e gerou prejuízos e custos de 500 milhões de reais. Porém, invés de assumir seus erros, a diretoria da empresa quer jogar esses prejuízos nas costas dos trabalhadores, ameaçando a categoria com mais demissões e diminuição salários.

O rompimento do acordo, da forma que foi realizado, apenas mostra como o capital internacional, e especialmente o capital norte-americano, acha que manda e desmanda no mundo e não precisa dar satisfação a ninguém.

Por uma Embraer estatal e a serviço do povo brasileiro

Bolsonaro e sua quadrilha mostram que não aprenderam nada e já buscam outras empresas para entregar a Embraer, como a chinesa China Commercial Aircraft (Comac). A perda da Embraer significa a destruição de um esforço de quase 70 anos do país, que criou a terceira maior empresa de aviação comercial do mundo, e o fim de uma das maiores empresas exportadoras brasileiras, que gera dezenas de milhares de empregos altamente qualificados e é o maior símbolo da capacidade que o Brasil tem de desenvolver produtos de alta tecnologia.

A Embraer possui US$ 2,8 bilhões em caixa, valor suficiente para pagar todos seus custos por dois anos, mesmo que não vendesse nenhuma nova encomenda. O fato é que nenhum país do mundo entregaria uma empresa com tanta importância estratégica. Ao contrário, tanto os EUA quanto a Europa vêm endurecendo a legislação para impedir a compra de suas empresas estratégicas por potências estrangeiras, em particular a China.

Com isso, fica claro que o cancelamento deste acordo representa uma oportunidade de impedir definitivamente a entrega vergonhosa do nosso patrimônio tecnológico e de defender dezenas de milhares de empregos ligados à Embraer. É necessário compreender que esse processo faz parte de um mecanismo que visa manter a subordinação do Brasil, impedir seu crescimento e destruir a soberania nacional.

Somente a luta dos trabalhadores e do povo pode conquistar a reestatização da Embraer, bem como de todos os setores estratégicos da nossa economia, colocando sob controle popular o conjunto das riquezas do país.

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1 COMENTÁRIO

  1. Uma verdadeira Vitória para a classes trabalhadoras. Porém sentir falta no texto os esforços do PDT em particular do Ciro Gomes que no Preto e no branco protocolou documentos para vetar essa compra .

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