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segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Sindicatos italianos lutam pela segurança dos que seguem trabalhando

EXEMPLO – Operários Italianos mostram como a classe operária consegue se organizar em meio a pandemia do Covid-19. (Foto: Reprodução/La Repubblica)
Heron Barroso 

ITÁLIA – Mesmo com a maioria da população em quarentena desde que a epidemia de Covid-19 ganhou proporções incontroláveis, as centrais sindicais italianas convocaram uma greve geral em todo o país. Segundo os sindicatos, milhões de trabalhadores estão arriscando suas vidas trabalhando em empresas não essenciais, sem máscaras ou luvas de proteção. A reivindicação é de que apenas as empresas estritamente necessárias e com todas as medidas de segurança possam continuar funcionando.

A iniciativa de parar a produção partiu dos metalúrgicos da região da Lombardia, uma das mais afetadas pelo coronavírus. Imediatamente, outras categorias aderiram à paralisação, como bancários, frentistas e operários da indústria têxtil.

“A situação tornou-se incontrolável por haver empresas que deviam ter sido fechadas há dias e, sem qualquer necessidade de estarem abertas, continuam a pôr em risco a saúde dos seus trabalhadores”, disse Mamadou Seck, diretor da Federação Italiana dos Metalúrgicos (FIOM).

A Itália é um dos países com o maior número de mortos pelo Covid-19, com mais de oito mil vítimas, e só perde para os Estados Unidos em quantidade de infectados. A situação lá é tão grave que os profissionais de saúde têm ordens para não tratar pacientes com mais de 60 anos em máquinas de suporte de vida (respiradores), ou seja, têm de escolher quem morre e quem vive, em meio a hospitais superlotados.

Especialistas insistem que o isolamento social (quarentena) é a única forma eficaz de conter o alastramento da doença. “Todas as atividades econômicas devem parar, toda a gente deve ficar em casa, todos devem contribuir. As vidas das pessoas são o mais importante, não temos uma segunda oportunidade”, disse a representante da Cruz Vermelha, Su Shuopeng. Dessa forma, obrigar milhões de trabalhadores a seguirem a vida como se nada estivesse acontecendo é um risco para eles e para o restante da sociedade.

“É a revolta dos trabalhadores. Das fábricas de metais da Lomardia às de Piamonte, das siderúrgicas de Piombino aos altos fornos de Taranto, das empresas químicas e têxteis às empresas aeroespaciais e os estaleiros. É a revolta dos que se sentem reféns do trabalho, obrigados a desafiar o coronavírus enquanto o resto do país fica em casa”, disse um operário ao jornal italiano La Repubblica.

O exemplo dos operários italianos deve ser seguido pelo conjunto da classe trabalhadora dos países afetados pela pandemia de coronavírus. As vidas de milhões de pessoas não podem ser postas em risco unicamente para que os negócios continuem funcionando e dando lucro para uma minoria de capitalistas.

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