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Estudantes promovem ações de solidariedade no Rio de Janeiro

SOLIDARIEDADE – Campanha do DCE-UFRJ já atendeu mais de 140 famílias de estudantes durante a quarentena. (Foto: Correnteza)

Campanha de solidariedade promovida pelo Diretório Central dos Estudantes da UFRJ visa atender estudantes pobres da universidade durante a quarentena. Em apenas um mês, ação já atendeu mais de 140 famílias no Rio de Janeiro.

Por Thaís Rachel Zacharia
Rio de Janeiro

O Diretório Central dos Estudantes da UFRJ (DCE Mario Prata) está construindo uma ação de solidariedade dos estudantes da universidade durante a pandemia de Covid-19. A campanha já atingiu 140 famílias e a perspectiva é de que mais 50 famílias recebam a ajuda ainda durante esse mês. Através de uma verdadeira corrente, é feita a distribuição de alimentos, materiais de limpeza e medicamentos para estudantes carentes da UFRJ e seus familiares. Trata-se de uma campanha de estudantes para os estudantes. 

A ação foi criada a partir da experiência de diretores do DCE que participaram de outras campanhas dentro e fora da universidade, como por exemplo, a rede solidária do MLB no Rio de Janeiro e em outros estados, a distribuição de cestas básicas para os trabalhadores terceirizados feita pela Associação dos Trabalhadores Terceirizados da UFRJ (ATTUFRJ) e pelo Movimento Luta de Classes (MLC) e a campanha de solidariedade aos moradores da Vila Residencial, atingidos por uma enchente em março.

“Sentimos a necessidade de ampliar essa ajuda para todos os estudantes que estivessem passando por alguma dificuldade nesse momento tão difícil”, declarou Lili Anjos, diretora de cultura do DCE e militante do Movimento Correnteza e da UJR. Segundo ela, apesar do foco serem as demandas dos estudantes, a campanha é aberta a toda a comunidade acadêmica da UFRJ. 

Esse é o caso de Jonas, permissionário da cantina do DCE, que recebeu alimentos e materiais de higiene na primeira etapa da ação. Com a suspensão das aulas e de alguns serviços da universidade, os permissionários não têm como garantir o sustento de suas famílias, já que toda a renda desses trabalhadores é proveniente das vendas e prestação de serviços durante o período letivo.

Victor Davidovich, tesoureiro do DCE, explica que “a campanha vem também no sentido do debate que a gente tem feito de que o governo Bolsonaro, e mesmo os governos estaduais, têm sido muito negligentes em dar resposta às demandas das famílias trabalhadoras e da população pobre em geral”.

Exemplo desse descaso é o próprio auxílio “emergencial” que ainda não está disponível para milhares de famílias e segue sem previsão de pagamento da  segunda parcela para outras tantas. A solução encontrada pelo DCE e pelos estudantes foi a sua própria organização, dando respostas rápidas e práticas à urgência do momento que centenas de famílias estão vivendo. “O nome da ação diz isso claramente: ‘Eles pelo Lucro, Nós pela Vida!’. O povo se organiza pra sobreviver, pra ser solidário, pra ajudar o próximo”, disse Victor. 

TERCEIRIZADOS – 15% de todo o valor arrecadado pela campanha está sendo doado para a Associação dos Trabalhadores Terceirizados da UFRJ. (Foto: Correnteza)

O planejamento e organização de toda a ação foram realizados por meios digitais. Através de um formulário online é feito o cadastro tanto de quem precisa de ajuda como de quem quer se voluntariar. A partir daí, os diretores do DCE e demais voluntários entram em contato com os estudantes para saberem se existe alguma demanda específica da família, seja de remédios ou outros itens que estejam em falta, além de organizar e combinar a entrega. Além da compra distribuição desses itens, 15% de todo o valor arrecadado pela campanha está sendo doado para a Associação dos Trabalhadores Terceirizados da UFRJ (ATTUFRJ) para fortalecer a campanha de solidariedade da entidade.

“Eles pelo lucro, Nós pela vida!”

Até agora a ação se dividiu em três levas de distribuição e, para cada uma delas, foram necessários dias de trabalho árduo dos voluntários. Mas, de acordo com Victoria Alvim, estudante de História e militante do Correnteza, esse é um trabalho recompensador: “Ver que pessoas que convivem comigo todos os dias e saber que nesse momento de crise podem contar apenas com essas entidades, com esses movimentos que a gente constrói, é muito importante. Me dá muito orgulho de fazer parte do Correnteza, de construir o DCE e ver que o nosso trabalho tem resultado. As pessoas que ajudamos me mandaram muitas mensagens agradecendo, dizendo o quanto isso foi importante”.

Só no primeiro mês de campanha foram distribuídos mais de três toneladas de alimentos e materiais de limpeza, além de diversos medicamentos. A distribuição foi feita por regiões na capital e na baixada fluminense, com veículos disponibilizados pela reitoria da UFRJ e também pelos próprios voluntários. Para a próxima etapa da campanha já estão mapeadas mais de 60 famílias que estão precisando de apoio. 

Uma das famílias que tiveram acesso à ajuda na primeira semana da campanha foi a de Ariel Santos, estudante de Letras da UFRJ. Ariel relatou que recebeu muito emocionada a ajuda: “A gente estava esperando só os remédios. Então, quando o pessoal chegou aqui com a cesta básica e os remédios, foi uma surpresa muito grande. Principalmente porque a gente tava tentando ver como que ia conseguir comida, pois realmente não esperávamos tudo isso. A gente só tinha arroz pra passar o resto do mês, estávamos esperando o auxílio. Então foi incrível porque é muita coisa, e é coisa de qualidade. São coisas pensadas, tem uma preocupação com a família e eu realmente me senti muito abraçada e muito orgulhosa de fazer parte da UFRJ. Eu só tenho o que agradecer porque realmente salvou a nossa vida, salvou a nossa família nessa quarentena, nesse caos que gente tá vivendo. Foi incrível. Eu só posso agradecer”. 

Todas essas campanhas de solidariedade ao redor do Brasil têm demonstrado a força da organização popular nesse momento de crise. Ações como essa devem ser construídas e incentivadas também por outras entidades estudantis, já que os estudantes e o movimento estudantil sempre cumpriram um papel decisivo na defesa dos interesses do povo brasileiro.

É momento de construir redes de apoio para garantir a sobrevivência de milhões de pessoas que estão abandonadas ao acaso pelo governo, que têm que optar entre morrer de Covid-19 ou morrer de fome sem acesso ao auxílio “emergencial”. Só o povo salva o povo. 

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