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Governo quer privatizar universidades no Rio de Janeiro

INIMIGOS AMIGOS – Apesar do show de ofensas, Bolsonaro e Witzel ainda tem literalmente o mesmo projeto econômico e político para as universidades. (Foto: Reprodução)

Felipe Annunziata

RIO DE JANEIRO – No meio da pandemia de coronavírus, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), encaminhou um projeto de lei para a Assembleia Legislativa que permite a privatização de vários setores da administração pública. No projeto está prevista a privatização da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Estadual da Zona Oeste (Uezo) e Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), além da Companhia Estadual de Água e Esgoto (Cedae) e até da Fundação de Apoio à Infância (FAI), responsável por cuidar de crianças e adolescentes abandonados.

Não bastasse o coronavírus já ter matado mais de 500 pessoas no Estado e todos os hospitais estarem superlotados, Witzel quer aproveitar a crise para acabar de vez com patrimônios que são fundamentais para o desenvolvimento social e econômico do Rio de Janeiro. Para isso, usa o velho e falso argumento de que o Estado precisa fazer caixa para enfrentar as consequências da epidemia. Se é assim, por que então o governo não põe fim às isenções fiscais para as grandes empresas? A verdade é que a política de Witzel, assim como a de Bolsonaro, é de atender aos interesses dos ricos em detrimento da população trabalhadora. 

A UERJ, por exemplo, é uma das universidades mais tradicionais do país e tem sido responsável pela abertura de dezenas de novos leitos de UTI para atender a população durante a pandemia. Além disso, a universidade tem colocado todo seu arsenal de pesquisa para desenvolver mecanismos de combate à doença. Junto com a UERJ, o plano do governo estadual é privatizar a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), responsável pelo financiamento de centenas de cientistas que hoje estão na linha de frente da inteligência no combate ao vírus.

No caso da Cedae, a empresa é responsável por todo o saneamento básico e fornecimento de água no Estado. Apesar disso, nas últimas décadas, tem sido alvo de um processo de precarização, o que leva à falta d’água constante para milhões de pessoas.

Repúdio e Resistência

Imediatamente, diversos setores da sociedade se colocaram contra o projeto de lei do Governo do Estado. Em nota conjunta, os reitores das universidades estaduais afirmaram que “como o combate à pandemia revela, as universidades estaduais só vêm alcançando esses resultados [nas pesquisas sobre o coronavírus], ontem, hoje e sempre, por serem instituições públicas que colocam o interesse da sociedade e da pesquisa científica antes dos interesses imediatos do mercado”.

Ao mesmo tempo que tenta fazer uso da crise de saúde para entregar o patrimônio público para a iniciativa privada, o governo do Rio de Janeiro nada faz de sério para proteger a população contra a proliferação do coronavírus. De fato, até agora nenhum hospital de campanha foi aberto no Estado e o governador, contrariando todas as orientações dos especialistas, relaxou a quarentena em quase 30 municípios e já disse que fará o mesmo no resto do Estado, revelando todo desprezo que tem pela vida das pessoas.

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