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Ministro da Educação segue na contramão

Por Rafael Pires

Mais uma vez, o ministro da Educação Abraham Weintraub voltou a ser centro das atenções com a divulgação, no último dia 22, do vídeo da “reunião ministerial” do governo, em que ele esbraveja como sendo um fiel militante do presidente, zomba dos povos originários e agride o STF tentando mostrar-se indignado com a corrupção que toma conta de Brasília. Será verdade isso?

O professor da Unifesp não foi a primeira escolha de Bolsonaro para o MEC. Após pouco mais de três meses da gestão de Ricardo Vélez, Weintraub foi chamado não por seus méritos acadêmicos, mas sim como mais um representante do sistema financeiro, onde atuou por 18 anos no Banco Votorantim, tendo chegado a ser economista-chefe e diretor.

Ao avaliar sua gestão na pasta, mais encontramos uma lista de ataques do que de programas que tenham refletido em algo positivo na educação: cortes no orçamento das universidades e institutos, a quem chamou de balbúrdia; perda de verbas da União por falta de projetos; orientação a estudantes para filmarem em sala de aula seus professores; alegações absurdas de que as universidades possuem plantações de maconha e laboratórios para produção de drogas; ofensas a líderes da França e xenófobas contra a China.

Recentemente, tem protagonizado uma verdadeira guerra contra os estudantes de todo o país com a proposta de manutenção da data do ENEM, mesmo com a suspensão de aulas presenciais em todas as redes estaduais de ensino. Um verdadeiro absurdo!

A entrega do FNDE

O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação é o fundo responsável pela execução de diversos programas na educação brasileira, em especial na educação básica, como a merenda escolar, livros didáticos, transporte escolar, internet nas escolas, e mesmo obras de reforma e construção de quadras esportivas. Esse fundo possui um orçamento previsto de R$ 54 bilhões para o ano de 2020 e, por ser uma autarquia, possui gestão própria sobre esses recursos.

Diante da crise que o fascista Bolsonaro tem enfrentado, a solução encontrada pelo governo foi entregar o controle desse fundo ao PL (Partido Liberal), do corrupto Valdemar da Costa Neto, e ainda ao PP (Partido Progressista), ao qual Bolsonaro já foi filiado. Figuras como Arthur Lira (PP-AL) e Ciro Nogueira (PP-PI) têm sido os recorrentes negociadores para a indicação do presidente do FNDE.

Lembremos do que disse o ministro quando da saída do ex-ministro Sérgio Moro, falando que ele tinha errado e que a luta era contra o socialismo. Quer dizer, nunca foi corrupção o problema e, ao que parece, os indicados e líderes do PL e PP não se enquadram entre os que deveriam estar presos, em sua fala raivosa no show de horrores da reunião ministerial. Para Weintraub e Bolsonaro o lugar deles é no FNDE!

Desde que esse governo tomou posse, o FNDE já foi alvo de escândalos na alteração do edital dos livros didáticos, em janeiro de 2019, que propunha a retirada de conteúdos vinculados ao combate à violência contra as mulheres e mesmo as referências bibliográficas, abrindo espaço para todo tipo de defesas anticientíficas e antieducacionais. Em setembro do ano passado, uma licitação de R$ 3 bilhões para compra de computadores também foi questionada pela CGU. Em uma única escola na cidade de Itabirito (MG), estava prevista a compra de 30 mil laptops para um total de 255 alunos matriculados.

Nessa escalada de acordos para tentar a todo custo manter Bolsonaro no poder, os recursos da educação vão servindo de moeda de troca com os corruptos de Brasília. Weintraub, que se transformou no maior inimigo da educação pública no país, não é apenas conivente com essas medidas, é cúmplice do desmonte da educação!

As mobilizações do setor da educação, trabalhadores, pesquisadores, estudantes e da sociedade têm mostrado que essa política educacional precisa ser derrotada. Weintraub não pode seguir como ministro, da mesma forma que esse governo não pode prosseguir. Defender a educação hoje é dizer “Fora Bolsonaro! Fora Weintraub!”.

Rafael Pires é filiado da Unidade Popular e professor da educação básica

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