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O racismo e a exploração capitalista no Brasil

O caráter opressor do capitalismo com o povo negro é uma das estruturas que garantem sua manutenção. Mas qual a solução para isso? Qual a alternativa para a libertação das amarras que nos prendem?

Ícaro Santos,
negro, socialista e militante da Unidade Popular – SP 


Foto: Jorge Ferreira / Jornal A Verdade

BRASIL – É fato conhecido que a população negra no nosso país é a maioria, segundo dados Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE, atualmente, 56,8% do nosso povo se identifica como parte da etnia preta ou parda, e esse número vem em uma crescente a mais de oito anos. Contudo, essa mesma parcela da população não tem acesso a direitos de maneira igualitária. 

Segundo o IBGE, o rendimento médio domiciliar per capita de pretos e pardos era de R$ 934,00 em 2018. No mesmo ano, os brancos ganhavam, em média, R$ 1.846,00, quase o dobro, apesar de os negros representarem 54,9% da força de trabalho empregada na nossa nação. 

Por que o povo negro continua nessa situação de servidão? 

Dentro do sistema capitalista, a super exploração dos negros é indispensável. Com uma distribuição menor da renda para a maioria da população, os lucros dos capitalistas aumentam ainda mais. Isso se reproduz principalmente porque a construção de consciência do povo negro no capitalismo tem sido barrada e voltada para a manutenção da mesma ordem que nos oprime. Para entendermos essa questão, primeiro, precisamos rever a construção passiva do psicológico de uma pessoa negra. 

O conceito de sucesso, de progresso e de avanço para uma pessoa negra, assim como para uma mulher, um pobre ou outra vítima da opressão capitalista, é associado a uma vida financeira estável, a confortos paliativos. É inculcado na mente da pessoa que não devemos nos importar que alguém de nossa cor, do nosso bairro e que viveu ao nosso lado esteja sofrendo nesse sistema, afinal, tudo é uma questão de mérito, de trabalho. 

Será mesmo? Ideais impossíveis, como a ascensão enquanto artista ou atleta, ou a mentira de que uma criança que larga os estudos para trabalhar é uma “batalhadora“ e que algum dia alcançará as mesmas condições que uma pessoa privilegiada. Essa realidade injusta é, acima de tudo apresentada como a única possível. 

Mas será realmente essa a única forma? 

Tudo isso se deriva de um projeto de sociedade, que vem sendo forçado ao Brasil por mais de 520 anos. Esse projeto se baseia em manter a grande maioria da população trabalhando alienada, garantindo assim a manutenção da exploração pelos ricos. Por tanto, quando um de nossos jovem não encontra objetivo na vida, sofre das doenças desse sistema e refúgio nas drogas como forma de fuga psicológica, é reflexo de uma decisão política dos poderosos de nosso mundo. 

O sofrimento de nosso povo e nossa dor são, em sua natureza, um projeto para garantir o lucro, a exclusão da maioria, o atraso na consciência e, principalmente, os privilégios de poucos. 

Contudo, mesmo sendo a maioria, por que permitimos essa injustiça? 

Isso está no cerne da questão da organização social do capitalismo. Uma promessa de ascensão, uma esperança inalcançável, que se o povo ceder de tudo que tem, se venderem como máquinas para o bem de poucos, algum dia, eles mesmos terão sua fatia do bolo, por assim dizer. Esse discurso é reproduzido por cada instrumento desse sistema, e assim, a ideologia da classe opressora se torna a ideologia vigente na sociedade. Mas não tem de ser assim, existe uma saída! 

Conforme a história nos ensina, apesar das filosofias promovidas serem sempre a ideologia das classes dominantes, as mudanças quantitativas geram mudanças qualitativas. Em outras palavras, mudanças em quantidade, como o povo construindo uma nova consciência, que seja feita de união, solidariedade, orgulho de sua raíz e de seu papel futuro, pode construir uma mudança drástica na qualidade da sociedade, em vez dessa máquina opressiva e injusta, racista, machista e desumana, a construção da única sociedade onde a igualdade existirá para todos os povos, todo um projeto novo de país, uma sociedade sem opressores, não somente para nós negros, mas para todos os que sofrem sob o jugo capitalista: a sociedade socialista! 

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