TwitterFacebook

Governo protege banqueiros e deixa povo morrer de Covid-19 e desempregado

ANTIFASCISTAS – Manifestação massiva contra o fascismo no dia 07 de junho. (Foto: Jorge Ferreira/Jornal A Verdade)

Luiz Falcão
Diretor de Redação de A Verdade

BRASIL – O presidente Jair Bolsonaro, autoproclamado PR, chamou de gripezinha o vírus da Covid-19 que já matou mais de 30 mil brasileiros. Até agosto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima, infelizmente, que o número de mortes no Brasil pode atingir 90 mil. O PR teve três meses para evitar essa tragédia, mas preferiu fazer piadas.

Poderia ter feito uma reunião ministerial para combater a Covid-19, comprar respiradores, ampliar os leitos das UTIs, equipar os hospitais, contratar médicos e enfermeiros, mas se preocupou em proteger seus filhos e amigos, como afirmou na reunião ministerial de 22 de abril: “Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meus, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final!”.

Este comportamento autoritário do capitão reformado foi reprovado por 76% da população, como mostrou o Datafolha. Nada a estranhar; 89 milhões de pessoas se recusaram a dar o voto no candidato da extrema-direita nas eleições de 2018.

Questionado no primeiro dia em que o país passou a ter mais de duzentas mortes, respondeu: “E Daí? Lamento”. Além das piadas ofensivas aos que perderam seus familiares com a Covid-19, ele demitiu dois ministros da Saúde em menos de um mês e nomeou um general com experiência em Jogos Olímpicos para cuidar da saúde do povo. Resultado: na última semana de maio, o Brasil passou a ter mais de mil mortes e tornou-se o país com maior número de óbitos por dia do mundo.

Há um ano e meio no Governo, o capitão reformado já proferiu centenas de palavrões e mandou jornalistas calarem a boca inúmeras vezes, mas não realizou uma só obra. Não melhorou as rodovias nacionais, por onde trafegam os caminhoneiros, não construiu nenhum hospital, universidade pública, ferrovia ou metrô. Porém, liberou milhões de reais dos cofres públicos para deputados e senadores aprovarem uma Reforma da Previdência que só permite o direito à aposentadoria a quem pagar sem interrupção 35 anos de contribuição.

Com sua política antissocial, aumentou em 3,5 milhões o número de pessoas que passaram a viver na extrema pobreza. Lembremos que o auxílio emergencial no valor de R$ 600,00 só existe porque foi aprovado pelo Congresso Nacional. Ele e seu ministro da Economia defendiam o valor de apenas R$ 200,00. Além disso, criaram todo tipo de obstáculos para que os trabalhadores sacassem o auxílio, ao ponto de obrigarem as pessoas a dormirem em imensas filas aumentando a contaminação em todo o país.

Passeios e Ofensas às Vítimas da Covid-19

Esse total desprezo do PR com a saúde e os direitos do trabalhador brasileiro ficou evidenciado em várias de suas atitudes. Vejamos suas mais recentes ações: levou uma comitiva aos EUA no início de março, a qual voltou com 23 pessoas infectadas; praticou tiro ao alvo em clube de Brasília; passeou de jet ski no Lago Paranoá; comeu doces em padaria chique da capital federal; fez passeios de helicóptero e participou de atos fascistas para acabar com as eleições diretas e fechar o STF e o Congresso. Porém, não encontrou tempo para visitar nenhum hospital nem procurou saber por que tanta gente morre nas portas dos hospitais.

Achando pouco, incentiva e promove a corrupção no país entregando centenas de cargos ao Centrão (deputados dos partidos PL, PTB, PSC, PROS, PSD, Avante e Republicanos), o chamado “toma lá dá cá”, para impedir a aprovação do pedido de impeachment encaminhado por 400 movimentos sociais e entidades. Assim, sem a máscara, vemos que a ética deste governo não é outra, senão a ética do Centrão. Centrão que, um dia do passado, o general da reserva Augusto Heleno o tachava assim: “se gritar pega Centrão, não fica um, meu irmão”.

Pergunta: mudou o Centrão, mudou o general ou ambos são iguais? Dicas: o governo está comprando uma esteira ergométrica com tela de alta definição, internet e TV para o general Mourão, vice-presidente da República, fazer seus exercícios pela bagatela de R$ 44 mil e contratando uma empresa por R$ 3,5 milhões por ano para fornecer serviços de internet nos aviões que transportam o presidente em viagens pelo país e pelo mundo.

Pois bem, para não fazer nada em prol da saúde dos brasileiros, o senhor Presidente da República recebe todo mês o supersalário de R$ 37 mil. Entretanto, nega metade de um salário mínimo (R$ 600) a milhões de trabalhadores informais. É ágil somente para defender os ricos.

Como ele próprio revelou na reunião ministerial, demitiu a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), após receber telefonema do amigo e dono das Lojas Havan, Luciano Hang. Em retribuição, o riquíssimo empresário financia a rede terrorista do Gabinete do Ódio e enviou dezenas de ônibus para os atos antidemocráticos em Brasília, como revelou investigação do Supremo Tribunal Federal (STF). Montou um gabinete de ódio para difamar e ameaçar todos aqueles que criticam o Governo, com o claro objetivo de espalhar um clima de terror.

Na mesma reunião, o PR declarou que não tem divergência com seu ministro da Economia, mesmo quando o banqueiro Paulo Guedes afirmou, entre risos, que o Governo deveria se preocupar somente com as grandes empresas: “Nós vamos ganhar dinheiro usando recursos públicos pra salvar grandes companhias. Agora, nós vamos perder dinheiro salvando empresas pequenininhas”.

Portanto, é proposital que até hoje as pequenas empresas, aquelas que geram maior número de empregos, não tenham acesso a crédito, que a Caixa, o Banco do Brasil e o BNDES neguem qualquer apoio às pequenas empresas, enquanto concedem vultosos subsídios às grandes empresas. Ainda na economia, nada fez para evitar que a classe capitalista demitisse milhões de brasileiras e de brasileiros, que, agora, vivem sem saber como vão sustentar suas famílias. De fato, de janeiro a maio, foram fechados 4,9 milhões de postos de trabalho, afirma o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mais uma prova de que, antes mesmo da pandemia, a economia brasileira já estava em recessão.

Não bastasse, incentiva o desmatamento da Mata Atlântica e da Amazônia, o derramamento de óleo no mar brasileiro e o roubo das terras dos povos indígenas.

Quer uma Polícia Federal submetida à sua tirania, que proteja seus filhos e amigos e persiga os adversários políticos. Entre os filhos do PR, três se destacam: o senador paladino das rachadinhas, o vereador investigado por uma rede criminosa de mentiras e o deputado federal que queria ser embaixador nos EUA para mostrar a Trump sua habilidade em fazer hambúrguer.

Há, entretanto, controvérsias na avaliação do capitão reformado e atual PR. Para alguns, sua cabeça é uma eterna barafunda. Ora fica agitado, nervoso, botando os bofes pela boca, que nem satanás o entende. Outros acreditam que ele é o próprio satanás.

O fato é que a cada crise política que o capitão reformado e seus generais criam, o Brasil vê seus recursos sendo desviados para o exterior: de janeiro até maio, saíram do país US$ 31,4 bilhões, o equivalente a R$ 160 bilhões.

O Plano Para Destruir a Educação Pública

Mas não é só na economia e na saúde que o governo age com total descaso. O atual ocupante do MEC, Abraham Weintraub, a exemplo do que fizeram os nazistas, se especializou em acusar sem provas e destilar ódio à universidade pública, aos povos indígenas, aos negros e aos ministros do STF. Depois de cortar verbas das universidades, as quais propõe fechar de forma autoritária para beneficiar os filhos dos ricos, queria empurrar o Enem de goela abaixo dos estudantes, mesmo sabendo que não há previsão para as escolas públicas voltem a funcionar, agindo com total preconceito em relação aos filhos das trabalhadoras e dos trabalhadores.

Para não fazer nada pela educação pública, este senhor recebe nada menos que R$ 33 mil por mês. Achando pouco seu salário, nomeou seus advogados para serem assessores especiais do Ministério recebendo cada um quase R$ 10 mil.

Na Cultura, o plano do governo era implantar a ideologia nazista, como foi impedido, desmantela todos os órgãos de apoio a cultura nacional. Segue o mesmo caminho no esporte. Não há, uma só área onde este Governo faça algo decente ou digno.

Pior: não existe nenhuma preocupação desse governo com a vida dos brasileiros e brasileiras. Não há sofrimento do nosso povo que faça o capitão reformado (o mesmo que planejou colocar bombas no quartel do Exército em 1987) ter alguma compaixão. Podem morrer dezenas, centenas ou milhares de pessoas por dia, ele e seus asseclas não estão nem aí para o sofrimento do nosso povo. A única coisa que os interessa é manter o poder para proteger seus filhos e amigos.

No dia 31 de maio, desesperado com o crescimento da rejeição popular ao seu governo e pelas manifestações pela democracia em São Paulo, Rio de Janeiro, BH e Porto Alegre, o capitão reformado, após oferecer bilhões para a imprensa se calar, montado em um cavalo e se achando a reencarnação do finado general Figueiredo, viu um pequeno retrato do que o espera.

Com efeito, só há uma saída para as pessoas conscientes: trabalhar sem descanso e revolucionariamente para organizar e mobilizar a classe operária, os pobres e a juventude para esmagar os golpistas e, no avanço desta luta, cortar o mal pela raiz, pondo fim ao domínio dos banqueiros e monopólios capitalistas e de seus aparelhos de repressão sobre a  sociedade. Esta tarefa terá de ser cumprida com ou sem pandemia, pois os adoradores de Hitler querem impor pelas armas um novo regime de terror, mas com  coragem e lutando ao lado dos trabalhadores, dos jovens, das mulheres e dos pobres, conquistaremos a vitória do poder popular.

Print Friendly, PDF & Email
classic-editor-remember:
classic-editor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Jornais Internacionais

Páginas

Categorias

Especial

Links

Movimentos Sociais e Organizações