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Prefeitos da Região dos Lagos jogam povo a própria sorte na pandemia

Ato da população de Cabo Frio contra o racismo e o descaso com povo na pandemia no último dia 2. Foto: Jornal A Verdade

Por Chantal Campello

CABO FRIO/RJ – Até o final de maio, o último balanço da COVID-19 confirmado pelo estado somava 1712 casos confirmados e 117 óbitos por toda a Região Lagos, onde se localiza a cidade de Cabo Frio, no interior do Rio. O balneário turístico lidera com 547 casos de coronavírus seguido por Araruama com 385 casos.

E apesar disso representar uma pequena parcela da população, sabemos que existe uma grande subnotificação dos casos. Diversos são os pacientes que não conseguem fazer o exame de confirmação por falta de testes nos hospitais públicos e são mandados para casa mesmo com os sintomas que confirmam a doença.

Essa situação é só mais um exemplo do descaso do poder público com o povo. Em Cabo Frio, principal cidade da Região dos Lagos, é notória como a crise sanitária atinge em diferentes escalas as classes sociais. Enquanto no centro da cidade os comércios estão fechados e é baixa a circulação de pessoas, em bairros como Jardim Esperança, um dos mais pobres da cidade, não existe uma vigilância real da prefeitura para que o mesmo aconteça. Não chega informação sobre qual a realidade que estamos passando, como enfrentá-la e manter a saúde.

Apesar de a quarentena ser um direito, no capitalismo se torna mais um privilégio das classes ricas. O governo fascista de Bolsonaro segue cultivando uma política genocida de negligenciar o coronavírus e a crise econômica para os pobres. Por todo país se encontram filas quilométricas em frente da Caixa Econômica para retirada do auxílio emergencial.

As medidas do poder público no interior do Estado para “combater” a crise

Na contramão do que necessita a população, no decorrer do mês de abril, alguns municípios da Região dos Lagos realizaram demissões em massa de trabalhadores da rede pública, sob a justificativa de queda na arrecadação devido ao isolamento social – necessidade apontada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para prevenção ao contágio.

Nesse contexto, 400 professores de Búzios e aproximadamente 500 professores e outros profissionais de São Pedro d’Aldeia foram pegos de surpresa em meio a esse cenário de pandemia. Em Cabo Frio não foi diferente. Na véspera do dia dos trabalhadores, o desgoverno de Dr. Adriano (DEM) anunciou que, a partir do dia 30/04, cancelaria mais de 3.000 contratos dos trabalhadores da educação, visando, segundo ele, “conter” os efeitos dessa crise. O irresponsável prefeito não apresentou nenhuma proposta para amenizar os problemas da população, muito pelo contrário, efetivou as demissões tirando o sustento de diversas famílias das quais muitas dependiam unicamente desse salário.

Somam-se a esses profissionais da educação demitidos pela prefeitura os milhares de cabofrienses que trabalham de maneira informal que tiveram a situação da sua renda familiar agravada com a crise. Se o povo importasse para o governo do Dr. Adriano, se construiria um plano emergencial adotando políticas públicas eficientes que dessem cabo a essa grande parcela da população que já se encontra às margens em vez de expor mais milhares de famílias.

Na saúde a realidade não é diferente dessa, inaugurado um hospital de campanha em Cabo Frio para atender os casos graves, enfermeiros se encontram sem os equipamentos de proteção individual (EPI’s) para fazer atendimento e precisam fazer vaquinha nas redes sociais para comprá-los. Apesar de médico, Dr Adriano não parece entender e se importar com o risco que coloca a vida dos profissionais da saúde que estão na linha de frente do combate ao vírus na cidade.

O desgoverno do município de Cabo Frio reafirma cotidianamente posições que colocam em perigo eminente a vida do povo. Prova disso foi o caso de não desligar da prefeitura os funcionários demitidos, impedindo que esses pudessem dar entrada no auxílio emergencial. Para além, são constantes os atrasos nos salários dos profissionais da cidade. O que se tem são velhas atitudes em um novo cenário: o cenário do coronavírus que pode levar ao caos se não existirem atitudes que protejam o povo.

Solidariedade tem sido a única fonte de apoio do povo na Região dos Lagos. Foto: Jornal A Verdade

Só o povo salva o povo

Enquanto milhões de brasileiros enfrentam o desabastecimento de água nos bairros mais pobres, periferias e ocupações urbanas, marcas de luxo produzem máscaras que custam centenas de reais. Estamos de fato todos no mesmo barco, como muito se fala, ou apenas passando pela mesma tempestade?

A crise gerada pela pandemia só evidencia mais uma vez a insuficiência do capitalismo para lidar com as necessidades do povo.

No momento em que a recomendação da OMS é de que se lavem as mãos a cada 20 minutos para evitar que haja o contágio, que permaneçam em casa e que evitem aglomerações, o povo, desamparado pelo estado, sofre sem água, sem meios de preservar sua saúde e sem condições de ficar sem trabalhar.

Apesar do isolamento social têm se feito muito barulho contra as barbáries colocadas à população, como as campanhas de conscientização nas filas da Caixa para denunciar o governo, puxadas por diversas entidades e movimentos sociais, junto às distribuições de máscaras e brigadas do Jornal A Verdade. Para além dos gigantes panelaços pelo ‘Fora Bolsonaro’ que acontecem não só na Região dos Lagos, mas por todo país.

A única saída é se organizar e ocupar os espaços que os governantes não chegam. Hoje, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas dá exemplo do que deve ser feito em meio uma pandemia para amparar as famílias que perderam sua renda. A campanha que o MLB se soma e organiza em Cabo Frio e pela Região já entregou mais de 500 cestas de alimentação e produtos de limpeza.

São em momentos de crise do sistema capitalista que mais se evidenciam suas contradições e pouco caso com a maioria da população, e mais do que nunca, sob um governo fascista precisamos nos somar e construir a resistência.

É necessário que as demissões sejam desfeitas imediatamente, que os profissionais da saúde tenham os EPI’s para que continuem seu trabalho, mas que preservem sua saúde e que sejam oferecidas as condições necessárias para que os cidadãos da Região dos Lagos possam ter alimentos à mesa sem se expor ao vírus, que lhes sejam garantidos o direito a quarentena e preservação de sua saúde. Enquanto os que foram eleitos para nos representarem não fazem nada, sigamos construindo campanhas de solidariedade e denunciando, em todos os espaços o caráter antipovo que o governo Bolsonaro e o governo Dr Adriano carregam. Não nos esqueçamos, só o povo salva o povo.

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