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domingo, 3 de julho de 2022

Com afrouxamento, ABC bate recorde de casos de COVID-19

Foto: Ettore Chiereguini/Agif. Rua Marechal Deodoro, Centro de São Bernardo, após o afrouxamento da quarentena.

Por João Coelho
Coordenador do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas e Favelas (MLB) e pré-candidato à prefeitura de São Bernardo do Campo pela Unidade Popular (UP).

A região do ABC Paulista registrou nesta quarta-feira (22.07) 2.666 novos casos de Covid-19 em 24 horas, o maior número de infectados em um dia desde o início da Pandemia, com 24 óbitos no mesmo período. Isso significa que nos últimos 14 dias a média de contaminação diária subiu 14,29% e a de mortes subiu 8,72% na região.

O ABC Paulista, que agora totaliza 36.879 casos e 1616 mortes pela doença, reabriu os comércios no dia 15 de junho e, junto com a capital, iniciou a reabertura de clubes, bares, salões de beleza, restaurantes, cinemas, teatros e academias no dia 6 de julho. O ABC se encontra na “Fase Amarela” do plano de flexibilização da quarentena promovido pelo Governador de São Paulo João Dória (PSDB).

Apesar da trágica situação, assim como o Governo do Estado, as Prefeituras do ABC se esforçam para propagandear que a pandemia está sob controle, que as gestões estão fazendo todo o possível para salvar vidas e que é necessário retomar as atividades econômicas normalmente. Porém a realidade é que a taxa de mortalidade na região (4,5%) é maior que a média nacional (3,8%) e que o número de casos tem dobrado a cada 20 dias e o número de mortes a cada 25 dias. Ou seja, o quadro está estável, mas estável em uma situação crítica e que com a reabertura dos comércios, bares, etc. tende a piorar.

Ao passo que as Prefeituras se esforçam pela reabertura, tendo chegado a entrar na justiça contra o Governo do Estado que negou para a região a reabertura no início de junho, a situação do povo é cada dia mais difícil. Por um lado os trabalhadores e trabalhadoras voltaram a ser obrigados a se aglomeraram nos locais de trabalho e no transporte público, aumentando os riscos de contaminação e de morte, por outro a pobreza e a fome crescem a cada dia, pois o poder público não tem tomado nenhuma ação efetiva para apoiar as famílias que passam grandes dificuldades financeiras. Em São Bernardo, por exemplo, o Prefeito Orlando Morando (PSDB) deixou 950 cestas básicas vencerem no galpão da Prefeitura sem entregá-las às famílias necessitadas da cidade.

O desemprego tem assombrado as famílias da região; além dos milhares de trabalhadores e trabalhadoras autônomas e informais que estão sem poder trabalhar, houve um corte estimado em 17.295 vagas com carteira assinada na região até abril, o que levou a taxa de desemprego regional para 17% em maio. Além disso o desemprego afeta 1/3 das famílias que possuem renda até um salário mínimo e uma em cada quatro famílias foi obrigada a atrasar pelo menos uma conta no último mês.

 Nessa situação fica claro que as as Prefeituras da região e o Governo do Estado não estão preocupados com a vida dos trabalhadores e das famílias pobres, querem na verdade retomar as atividades econômicas baseados em um plano que levará a população a morrer cada dia em maior número e que não resolverá o problema do desemprego e da fome.

O Estado não tem trabalhado com objetivo de garantir os direitos mínimos dos trabalhadores, as condições básicas para que as famílias possam preservar a saúde e se sustentar, quer na verdade retomar as atividades que garantem o lucro dos grandes patrões, para que seja possível continuar defendendo a propriedade privada e a acumulação de riquezas mesmo em um momento em que fica claro que o modelo econômico capitalista está levando a sociedade para o abismo.

O que os governos da burguesia querem é manter o lucro acima da vida e somente a organização e a luta dos trabalhadores pode mudar essa lógica.

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