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Entregadoras denunciam discriminação

MACHISMO – Mesmo enfrentando duplas à triplas jornadas, trabalhadoras entregadoras sofrem discriminação durante o trabalho. (Foto: Reprodução/CB)

Redação São Paulo
Jornal A Verdade

SÃO PAULO – “É complicado trabalhar por 12 horas na rua e não conseguir um lugar para usar o banheiro. Ainda mais sendo mulher”, afirma uma entregadora que preferiu não se identificar à jornalista Flávia Martinelli, do UOL. Mãe e com filhos para cuidar, a entregadora declarou que passa o dia inteiro levando comida para os outros e não tem direito à água ou a uma refeição. “Não pode ser assim. Queremos o básico do básico”, completa a motoqueira, que tem curso superior completo em recursos humanos. “Você sai de casa sabendo que está se expondo ao risco da Covid-19, sabe que o seu trabalho é essencial, mas não faz ideia do quanto vai receber”, conta a entregadora, que compara os valores que recebia na chegada dos aplicativos no Brasil com as tabelas atuais.

Para os aplicativos, entregadoras e entregadores não são empregados, mas “colaboradores”. Porém, na hora de pagar o serviço, a baixa remuneração é uma constante: “No começo, para atrair trabalhadores, eles pagavam uns R$ 15 por uma corrida de 12 km, por exemplo. Agora, você muitas vezes nem sabe a distância do local da entrega e só depois, fazendo as contas, percebe que recebeu R$ 9, R$ 10 por uma corrida nessa mesma distância! Não dá, não vale o custo e o risco. Tem que lembrar que toda manutenção da moto sai do meu bolso e se eu tiver um acidente vai ser tudo por minha conta. Num acidente, você comunica o aplicativo, eles te bloqueiam e pronto, problema seu.

“Vou colar para conhecer outras minas motoca também. Somos no máximo 10% dos entregadores”, disse a entregadora Lalá, 23 anos, que reivindica mudança na contagem de pontos de empresas que punem quem não trabalha aos fins de semana.

Aplicativos de entrega também não se entendem como empregadores, ainda que hoje, juntos, empreguem mais mão de obra do que outros setores do país e sejam considerados como ramo de atividade essencial em meio ao isolamento social contra a pandemia do coronavírus.

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