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Plano de retomada das aulas em SP: genocídio anunciado!

Foto: Jorge Ferreira / Jornal A VERDADE

Comissão de Professores do Movimento Luta de Classes

ABC PAULISTA – Com o avanço da pandemia causada pela COVID-19, o Governador do estado de São Paulo João Dória (PSDB) e seu secretário da educação Rossieli Soares, ex-ministro da educação do governo golpista de Michel Temer, colocaram professores e alunos de férias e implantaram o ensino a distância.

Sem nenhum diálogo com a comunidade escolar, em 28 de abril o governo de São Paulo retornou com as aulas impondo o ensino a distância, fazendo professores, alunos e seus pais terem que se adaptar à essa nova realidade. A Secretaria de Educação fez grandes investimentos na ampliação do aplicativo Centro de Mídias SP (CMSP) para transmitir aulas para as crianças e adolescentes do estado, além de fechar contrato com grandes operadoras como Claro, Tim, Vivo, Oi e com a TV Cultura para adotar as aulas não-presenciais.

Resultado: distante da população, preocupado apenas com suas propagandas e com o marketing de seu governo, fechando os olhos para a situação dos estudantes e dos professores, o secretário de educação insiste em dizer que suas medidas são um sucesso, mas como já apontado pelo Jornal a Verdade, mais da metade dos 3,6 milhões de estudantes não estão conseguindo acompanhar as aulas.

Na última quarta-feira de junho (24), poucos dias depois da flexibilização da abertura do comércio, o governador tucano juntamente com o secretário estadual de educação fizeram pronunciamento e apresentaram o plano para o retorno das aulas no estado, previstas para 8 de setembro.

Durante o pronunciamento e toda quarentena, a principal frase que diziam era de que “nenhum aluno seria deixado para trás”. Ora, dentre 3,6 milhões de estudantes da rede estadual, mais de 50% não tiveram sequer acesso ao CMSP. E não para por aí: apenas 740 mil alunos, dentre milhões, foram contemplados com os míseros R$55 de auxílio merenda. Não bastasse, Rossieli enfatizava a importância do acompanhamento dos responsáveis nas tarefas dos filhos, mas são os pais e mães desses alunos que não pararam de trabalhar, não tendo condições possíveis para o acompanhamento ideal da vida escolar. Não seria diferente, e chega a ser ofensa alegar falta de cooperação, já que o Estado não se comprometeu em dar assistência a esses trabalhadores para que se cumpra uma quarentena.

Com o plano de reabertura das escolas, há várias condições vinculadas aos indicadores de saúde do Plano SP. Na primeira etapa, a região onde se encontra a escola deve estar na fase 3 (amarela), ou seja, com baixo/médio risco de contaminação da doença. A pergunta que fica é: como saberemos o real risco de contaminação? Afinal, a mando de Bolsonaro, foram retirados dados “oficiais” do site do Ministério da Saúde e foram feitas mudanças nos boletins diários, deixando de informar o número de mortes pela COVID-19. Além disso, por parte de nenhuma prefeitura, são feitos testes em massa para que se possa mensurar o avanço da pandemia. Um verdadeiro crime com a população, ao negar esse direito e fraudar os dados sobre a doença.

Apesar da doença estar fora de controle, no aspecto epidemiológico, o governador decidiu ir na contramão para reduzir o número de casos. A abertura do comércio foi flexibilizada, mesmo São Paulo estando na fase laranja da enfermidade. Após essa abertura, o estado registrou o maior número de mortes do coronavírus desde o início da pandemia. Claro, comércios essenciais apenas para enriquecer bolso de patrão foram reabertos, colocando em risco a vida de muitos trabalhadores e dificultando, ainda, a efetivação do plano de reabertura das escolas.

Já dentro das escolas, os protocolos de segurança serão basicamente os tratados pela OMS: distanciamento de 1,5m, higiene pessoal e sanitização do ambiente. As condições de infra-estrutura das escolas não comportam o recomendado. Como garantir essas recomendações se, existem em média 35 a 40 alunos numa sala de aula sendo impossível o distanciamento de 1,5m e a própria estrutura das salas de aula não garantem o mínimo da ventilação necessária para o ambiente nesse período, inclusive com ventiladores quebrados?

Muitas escolas sequer possuem detergente e sabão nos banheiros para que seja feita a higiene pessoal; são os professores que devem levar de suas casas para que isso aconteça. Também foi recomendado a sanitização do ambiente, que deve ser feita de 3 em 3 horas. Vale lembrar que, só no ano passado, muitas escolas da região do ABC Paulista ficaram meses sem ter contrato com as empresas de limpeza e, pensando friamente, é impossível manter essa rotina de limpeza quando se tem apenas dois profissionais por período para dar conta de uma escola inteira.

No plano diz, ainda, que serão dados EPIs necessários para cada tipo de atividade exercida nas escolas mas, se até agora com o pico da doença, o Estado não deu o devido material para os profissionais da saúde, irão dar aos professores? Irão disponibilizar termômetro para aferir temperatura de cada estudante, galões de água e copos para que haja fornecimento individual de água, sendo que não há disponibilização de sabão e detergente?

São pequenos detalhes que contradizem o plano de volta às aulas. Professores, alunos e a gestão escolar sabem qual é a realidade das escolas estaduais, reflexo da amargura de várias gestões do PSDB, que cada vez mais precariza a educação e a trata como mercadoria e se recusa a abrir concursos aos professores e a melhorar o espaço físico das escolas. O avanço do novo coronavírus no nosso país só evidenciou ainda mais o descaso desse governo perante alunos e professores.

O fato é que o ensino à distância, apelidado de “ensino mediado por tecnologia”, sobrecarregou mais o trabalho dos docentes. Desde abril a sala das casas dos professores viraram salas de aula, seus computadores pessoais passaram a ser o principal equipamento trabalho, seus contatos pessoais estão com todos os alunos.

Se antes do ensino remoto a carga de trabalho dos docentes já eram grande, com a pandemia se intensificou ainda mais, os professores encontram-se abandonados pelos governantes que jogaram sobre seus ombros toda a responsabilidade da educação, não lhes oferecendo sequer computadores e o mínimo de estrutura e formação para o desenvolvimento de seus trabalhos. Muitos professores, por dificuldades tecnológicas e sendo impossibilitados de acessar o CMSP, levaram falta acarretando desconto no salário e a perda de bônus. Para além disso, com todo o peso da educação sobre suas costas, os professores e professoras não contam sequer com assistência psicológica.

Se a categoria de professores já está sobrecarregada agora com a implementação das aulas remotas, o cenário futuro é de piora. Serão adotadas as aulas presenciais, mas as aulas a distância continuarão. Como será dividida a rotina de um professor que precisa 1) montar aula presencial; 2) montar aula a distância; 3) aplicar e corrigir atividades; 4) participar de conselho, reuniões e ATPC? São muitas perguntas sem respostas. Não há diálogo com a categoria, que se submete a esse tipo de trabalho sem nenhum amparo do governo. Muito pelo contrário, muitos professores categoria O sem aulas e categoria V (substitutos) ainda seguem vivendo de vaquinhas feitas por seus colegas, já que não estão recebendo os seus salários e não possuem acesso ao auxílio emergencial. Política de exclusão adotada pelo estado de SP que há anos não abre concurso público para efetivação desses professores. O secretário e o governador alegam impasses jurídicos que dificultam a reivindicação de salário, mesmo após 3 meses de isolamento. Quem dera se essas questões fossem tratadas como prioritárias e feitas tão às pressas como foi feita a aprovação da reforma da previdência dos servidores públicos estaduais.

Nós, professores de toda a rede precisamos nos organizar para barrar as medidas genocidas desse governo e lutar para que a secretaria de educação garanta as condições para que os professores consigam trabalhar de suas casas e que o governo do estado de São Paulo dê o auxílio emergencial para os professores da categoria V e categoria O que não atribuíram aulas, fruto do descaso que os governos tucanos têm com os professores e com a educação.

A organização dos professores e professoras é essencial neste período para que não haja risco ainda maior nas nossas vidas e para impedir a retirada de nossos direitos!

Diante de todo esse cenário de contradições, a verdade é que não só os alunos serão deixados para trás mas também os professores. E por isso, a Comissão de Professores do Movimento Luta de Classes se posiciona contra a volta às aulas nesse estado de agravo da doença do novo coronavírus e convoca todos os professores e professoras para travarmos juntos as lutas que estão sendo mobilizadas para o dia 7 de julho.

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