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terça-feira, 4 de outubro de 2022

Volta às aulas em Goiás: o que pensam os profissionais da educação?

Incerteza sobre volta as em Goiás (Foto: aulasStock/Getty Images)

Por Rodrigo Oliveira

GOIÁS – A aprovação do Fundeb na Câmara dos Deputados (21/07) e a vitória frente aos destaques engendrados pelo Partido Novo são vitórias da Educação brasileira; vitórias possíveis graças à mobilização de professores e estudantes que acreditam em um projeto educacional popular e acessível. Ainda que este seja um momento importante, não devemos nos esquecer que Secretarias da Educação em todo o país programam a volta às aulas presenciais entre os meses de Agosto e Setembro. A pergunta que nos fazemos é: O que pensam os professores a respeito disto? Os profissionais da educação se sentem seguros com o retorno às escolas?

Estas mesmas perguntas nortearam uma pesquisa feita pela Associação e Mobilização dos Professores de Goiás – AMPG, em que foram consultadas 4262 pessoas, por questionário online (Google Formulários), ligadas ao trabalho nas escolas (professores, servidores administrativos e profissionais gerais), de diferentes níveis de educação (básico e superior) e governamentais (municipal, estadual e federal). A pesquisa foi realizada entre os dias 18 e 21 de julho de 2020.

Em um cenário em que os números de contaminados e mortos pela COVID-19 não param de crescer, e que a estabilidade de alguns estados não significa melhora efetiva, Goiás programa reiniciar as aulas presenciais ignorando as demandas e preocupações dos principais envolvidos.

A maior parte dos professores que responderam o questionário se declaram pardos (50,1%), do gênero feminino (81,4%), residentes em cidades com menos de 100 mil habitantes (32,8%), e afirmam trabalharem há mais de 20 anos como professores (30,5%). Esses dados nos mostram, para além das preocupações dos professores, um interessante recorte de gênero, raça e idade para o desenvolvimento de pesquisas futuras.

Quando questionados sobre questões relacionadas às ações governamentais para o combate à COVID-19, 52,4% dos profissionais da educação consideram o desempenho e os resultados como fracos quando analisam as ações do Governo Federal, e 42,3% consideram moderadas as ações do Governo Estadual. Tais indicadores demonstram que as ações realizadas não atendem satisfatoriamente as expectativas da ampla maioria dos trabalhadores da educação que, diante de tal cenário, temem pelas suas vidas.

Sobre a volta às aulas, 46,2% dos professores consideram a existência da vacina como única possibilidade para a realização de um trabalho seguro. 64,1% consideram fraca a segurança de seus ambientes de trabalho, e 64,4% afirmam reconhecerem um risco altíssimo de contágio no exercício das atividades presenciais. Quando questionados sobre a afirmação de que as escolas estarão preparadas e seguras para os professores e alunos, 68,4% discordam totalmente, enquanto 58,5% dos entrevistados concordam com a afirmativa da falta de infraestrutura das escolas para garantir segurança de alunos e professores.

Os dados demonstram a preocupação dos professores com o retorno às aulas presenciais; preocupam-se com suas vidas, com a vida de seus familiares e com a vida dos seus alunos. O governo estadual já mostrou sua displicência para com a educação em inúmeros momentos; recentemente, em entrevista ao jornal local, a Secretária da Educação, Fátima Gavioli, afirmou que não sentiu os sintomas da COVID-19, pois não se acomodou e pensou positivamente. A afirmação insinuava que a população não deveria temer a doença se tivesse uma atitude proativa diante da situação posta.

Essa é a cara da elite tecnocrata que gerencia a educação não somente no estado de Goiás, mas em todo o Brasil. Devemos nos posicionar pela saúde dos professores e dos alunos. A educação deve ser um caminho para a vida, e não para a morte; a educação não é mercadoria, e nem os professores.

Rodrigo é militante da Unidade Popular e Movimento Luta de Classes

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