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Povo venezuelano repudia direita golpista nas urnas

Eleição foi realizada com medidas de proteção contra a COVID-19. Foto: Europa Press.

Por Felipe Annunziata

INTERNACIONAL – Debaixo de um criminoso bloqueio econômico imposto pelos EUA e União Europeia, mais de 6 milhões de venezuelanos foram às urnas no último domingo (06/12) para eleger a nova Assembleia Nacional. Participaram do processo mais de 14 mil candidatos de 107 partidos e organizações políticas diferentes.

O comparecimento foi considerado baixo, em torno de 30% dos eleitores, embora não tenha sido o mais baixo da história. Isso se deve principalmente às dificuldades impostas pelo bloqueio, que vem destruindo a indústria petroquímica venezuelana, principal fonte do PIB do país. Ainda assim, a aliança “Grande Polo Patriótico” saiu vitoriosa do processo eleitoral com 68,43% dos votos. A coligação liderada pelo PSUV, de Nicolás Maduro, elegeu a maior parte dos deputados da Assembleia.

O resultado acaba com quatro anos de gestão da oposição marcados por diversas tentativas de golpes de Estado lideradas pelo ex-presidente da assembleia Juan Guaidó, que chegou, inclusive, a se autoproclamar presidente da República sem qualquer legitimidade para isso.

Segundo Pedro Batista, observador brasileiro nas eleições venezuelanas, em entrevista ao jornal A Verdade, existe “um quadro em que se aprofunda a pressão imperialista para derrotar o governo bolivariano. Há um recrudescimento do bloqueio econômico, falta combustível, pois não há insumos para o refino do petróleo. No dia da eleição podia-se ver longas filas de automóveis para abastecimento. Não há voos para Caracas dos países da região, a própria Conviasa, empresa aérea venezuelana, está proibida de tirar seus aviões do solo pelo organismo internacional de aviação. O salário mínimo é muito baixo. Por outro lado, a organização popular das comunas em todo o país segue forte, o que se refletiu no resultado da eleição”.

Foto da tela da urna com os partidos que disputaram a eleição nacionalmente. Na Venezuela partidos de caráter regional, além de organizações indígenas também participam das eleições. Foto: VTV

Partidos golpistas se uniram com imperialismo para atrapalhar processo eleitoral

Logo que saíram os primeiros resultados, os Estados Unidos e a União Europeia trataram de não reconhecer o processo. Os setores políticos liderados por Guaidó tentaram puxar um boicote. No entanto, nenhuma dessas ações conseguiu tumultuar o processo eleitoral que transcorreu com tranquilidade. Ainda assim, a eleição contou com a participação da maioria dos setores de oposição, que reconheceu os resultados das urnas.

Segundo Pedro Batista, “a oposição não aceita as mudanças que estão em curso no país, iniciadas com a eleição de Hugo Chávez, em 1998. A oposição liderada por Guaidó e Leopoldo Lopes atua segundo a orientação e ordem dos EUA. Eles não querem a pacificação do país, buscam retomar o controle do petróleo e do Estado, para que retomem a velha política oligárquica e contra os interesses populares. Guaidó e Lopes são agentes do imperialismo contra a Venezuela. Mas o fundamental foi que uma parte da oposição, a maioria, participou e reconheceu o processo eleitoral”.

Retomada da Assembleia Nacional abre novos desafios para os venezuelano

Agora, com a retomada da Assembleia Nacional, o governo Maduro ainda tem muitos desafios pela frente. Nada indica que os ataques golpistas orientados pelo imperialismo cessarão. Por outro lado, há questões que precisam ser superadas, como a dependência da economia do petróleo, bem como um enfrentamento mais direto aos interesses das oligarquias e da burguesia venezuelanas.

Pedro Batista acredita que os esforços do governo bolivariano também vão nesse sentido, elencando ainda a necessidade dos esforços de solidariedade internacional com a luta do povo venezuelano. “[Os objetivos] deve ser retornar a produção industrial e agrícola no país, garantir que a população tenha assegurada a satisfação de suas necessidades elementares, para isso o apoio internacional, a solidariedade tem grande significado, pois animará a organização popular, cívica e militar, a seguir em marcha com a revolução bolivariana. O governo precisará manter a mobilização permanente, a defesa em alerta e estar preparado para os ataques que continuarão”.

Colaborou para esta matéria Adrian Santos (RJ).

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