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Fascistas são derrotados nas eleições municipais

AGITAÇÃO REVOLUCIONÁRIA – A luta eleitoral não impede o debate sobre a revolução e o socialismo na sociedade. (Foto: Jornal A Verdade)

“A agitação política mais ampla e a organização de grandes campanhas políticas constituem uma tarefa absolutamente necessária, a tarefa mais imperiosamente necessária à atividade, se esta atividade for verdadeiramente socialista.” – Vladimir Lênin: O Que Fazer?
Luiz Falcão
Diretor de Redação do Jornal A Verdade

RECIFE (PE) – O resultado das eleições municipais revelou a enorme rejeição do povo brasileiro ao governo militar do capitão reformado Jair Bolsonaro e a sua política econômica de arrocho salarial e favorecimento aos banqueiros, do seu desvario em relação à Covid-19 e à total subserviência ao bilionário ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Eis os fatos: de um total de 59 candidatos que o fascista apoiou publicamente em suas “lives” realizadas no Palácio do Planalto, num claro ato de uso de recursos públicos na eleição, apenas quatro foram eleitos. Em São Paulo, seu candidato Celso Russomanno (Republicanos) ficou em quarto lugar com 10,5% dos votos. No Rio de Janeiro, Crivella (Republicanos), perdeu de lavada e não conseguiu se reeleger. Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho 02 e chefe do gabinete do ódio, mesmo tendo feito uma campanha milionária, encolheu sua votação em 35 mil votos e viu Tarcísio Motta (PSOL), um dos líderes do movimento Quem mandou matar Marielle?, ser o vereador mais votado do Rio de Janeiro, com 86.243 votos.

Sua ex-mulher, Rogéria Bolsonaro, arrumou somente 2.000 votos, menos que a militante da UJR, Giovanna Almeida (UP), que obteve 2.488 votos. Em Belo Horizonte, Bruno Engler (PRTB) perdeu feio e não foi nem para o segundo turno. Em Recife, sua candidata, Delegada Patrícia (Podemos), após ir a Brasília e participar de uma “live” com o ex-capitão, caiu para o quarto lugar… Em Fortaleza, o Capitão Wagner, após ser apresentado como o candidato de Bolsonaro, foi perdendo apoio da população e, no segundo turno, não conseguiu…

Apesar de tantas evidências, os fascistas e corruptos que estão no Governo tentam negar a estrondosa derrota do governo espalhando mentiras (fake news) de que houve fraude na eleição.  Por sua vez, os grandes meios de comunicação da burguesia e seus comentaristas pagos para fazer análises de acordo com os interesses da classe dominante exaltam a conquista de prefeituras pelos partidos da direita conservadora, a quem chamam de centro, ignorando os milhões de reais que estes partidos gastaram nas eleições.

Além da surra de votos que os candidatos fascistas levaram nas urnas, as eleições municipais mostraram um importante crescimento do voto na esquerda.

Em São Paulo, a chapa Boulos-Erundina, do PSOL, derrotou o candidato de Bolsonaro no primeiro turno e alcançou 40,6% dos votos. Em Belém, Edmilson Rodrigues (PSOL) foi eleito prefeito. Em Belo Horizonte, a chapa Áurea Carolina (PSOL) e Leonardo Péricles (UP) foi a mais votada entre as candidaturas da esquerda na capital mineira.

Registre-se também o aumento das contradições do PCdoB. Em Recife, o PCdoB fez aliança com o candidato João Campos (PSB), mas seu deputado estadual João Paulo apoiou Marília Arraes (PT).  Em São Luís (MA), o governador Flávio Dino (PCdoB) fez campanha para Duarte Júnior, do “Republicanos”, partido de Crivella e Russomano.

O PT continuou diminuindo o número de prefeituras. Em 2012, elegeu 630 prefeitos; em 2016, 256; em 2020, 183; mas foi ao segundo turno em duas capitais Recife (PE) e Vitória (ES) e conquistou as prefeituras de Contagem e Juiz de Fora (em MG), Diadema e Mauá (em SP).

A Unidade Popular e a Agitação Revolucionária

Depois de uma vibrante e incansável campanha, que durou dois anos e conquistou 1 milhão e 200 mil assinaturas para sua legalização, a Unidade Popular (UP) disputou suas primeiras eleições. A legalização da UP não foi uma vitória pequena, visto que até hoje Bolsonaro e seus seguidores, mesmo com o apoio das Forças Armadas, de ricos capitalistas e dos donos dos cartórios, não conseguiram legalizar o partido Aliança pelo Brasil, embora esteja há dois anos no governo.

Nesta primeira participação, a UP lançou 15 candidaturas a prefeito(a) e 99 a vereador(a). Entre os partidos sem tempo de TV e rádio, a UP alcançou um total de votos para prefeito de 15.726 e 32.056 para vereadores; ficou, portanto, na frente do PCO (1.188 votos para prefeito e 1.612 votos para vereador) e do PCB (2.416 votos para prefeito e 18.936 votos para vereador). O PSTU teve para prefeito 31.938 votos e para vereador 20.695.

Leve-se em conta que esses partidos estão legalizados há mais de três décadas e que a UP é um partido de trabalhadores e trabalhadoras, muitos desempregados, não teve propaganda na TV e rádio, não recebe fundo partidário e recebeu uma migalha de fundo eleitoral.

Mas o maior obstáculo para a UP nessas eleições foram, sem dúvida, as limitações impostas pela pandemia da Covid-19, que já matou mais de 175 mil brasileiros. Com efeito, a pandemia impôs diversas restrições a nossa agitação e propaganda: o isolamento social, as medidas para evitar aglomeração e o contato com as pessoas, em particular, do grupo de risco, dificuldade para dialogar com as famílias nas suas casas e a suspensão das aulas nas universidades e escolas, diminuíram em muito a agitação política, principal trabalho dos comunistas para conseguir os votos, e favoreceu os candidatos dos partidos da classe rica. De fato, nenhum partido foi tão afetado pelas restrições da pandemia quanto a Unidade Popular.

ENTRE TRABALHADORES – A Unidade Popular fez uma campanha voltada para a classe trabalhadora e moradores dos bairros periféricos. (Foto: Reprodução/Jornal A Verdade)

Também não devemos desprezar o fato de que a imensa maioria dos partidos que conquistaram prefeituras, além da propaganda na TV e rádio, entrando diariamente nas casas, gastaram milhões de reais do fundo partidário e eleitoral, além de rios de dinheiro doados pela burguesia, como provam as inúmeras propagandas pagas no YouTube, Instagram e WhatsApp.

Vejamos: levantamento feito pelo G1, com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revelou que entre os mais de 5,4 mil prefeitos eleitos no primeiro turno nas eleições municipais, 1.158 são milionários. Assim, um em cada cinco eleitos para as prefeituras têm patrimônio declarado igual ou superior a R$ 1 milhão. 35 prefeitos eleitos têm mais de R$ 20 milhões declarados; 81 eleitos mais de R$ 10 milhões declarados, e sete mais de R$ 100 milhões. Esta é a verdadeira fraude nas eleições numa democracia burguesa

Defesa da Revolução e do Socialismo

Por outro lado, não é demais lembrar a definição do III Congresso da Internacional Comunista sobre as eleições: “a campanha eleitoral deve ser conduzida não no sentido de obter a maior quantidade possível de representações parlamentares, mas sim de mobilização das massas em torno das palavras de ordem da revolução proletária”.

Em outras palavras, nosso principal objetivo nas eleições é elevar a consciência e a organização das massas, é trabalhar para vencer as ilusões na democracia burguesa e para propagar que somente com uma revolução que ponha fim ao capitalismo é possível acabar com o desemprego e a fome, o racismo, o feminicídio e a exploração.

Ter no Brasil um partido legal que faça essa agitação entre as massas, denuncie o caráter fascista do governo e seus crimes, em vez de propagar ilusões ou realizar alianças que fortalecem o domínio da classe dominante, já é uma grande vitória. Com efeito, como disse Lênin, não basta ter uma tática que utilize corretamente as eleições, é preciso aplicar uma política para elevar e não rebaixar o nível geral de consciência e a capacidade de luta das massas. (O Esquerdismo, doença infantil do comunismo).

Por isso, é indispensável saudar todos os camaradas que, vencendo as adversidades da pandemia, a falta de recursos, muitos sequer sem carros para se deslocarem e com pouquíssimo material de campanha, foram às ruas de máscara e álcool em gel levar o programa revolucionário da UP, derrotar o vírus do fascismo, desmascarar a “municipalização” e fazer agitação da necessidade de uma revolução popular, além de centenas brigadas do Jornal A Verdade.

BRIGADAS – O período eleitoral não deixou de ser um ambiente propicio para realizar mais brigadas do jornal A Verdade e ter mais contato com os trabalhadores. (Foto: Jornal A Verdade)

Em Belém do Pará, por exemplo, durante a campanha eleitoral os militantes da UP venderam 850 jornais. Desta maneira, sem abrir mão de nossos princípios, conquistaram honradamente milhares de votos que são uma verdadeira declaração em favor do poder popular e do comunismo. É claro que os falsos socialistas, que há muito desistiram de lutar por uma revolução, tudo farão para menosprezar nosso trabalho; afinal, adorariam nos levar ao pântano em que se encontram.

Dito de outro modo, o trabalho da UP não é e nem pode ser avaliado da mesma maneira que os partidos social-democratas de esquerda que se tornaram escravos do eleitoralismo burguês, e que veem na eleição a solução de todos os problemas da sociedade. Muito pelo contrário. Quem luta por uma verdadeira transformação da sociedade tem que utilizar todos os meios legais para levantar a bandeira da revolução e deixar claro que a verdadeira causa da pobreza é um sistema econômico que enriquece uma minoria à custa da exploração dos trabalhadores.

Ademais, a experiência recente da socialdemocracia fazendo todo tipo de alianças com a grande burguesia nacional para chegar ao governo e, em troca, mantendo os privilégios da classe rica, além de burocratizar estes partidos, os fez perder a confiança das massas, dos oprimidos e explorados. Ora, perder a confiança das massas em troca de um lugarzinho no parlamento, além de uma traição, é um erro que não só impede um partido de crescer, como o impossibilita de ser vanguarda da revolução. Em resumo, conquistamos votos livres e conscientes fruto de um trabalho honrado numa guerra do tostão contra o milhão.

Melhorar o Trabalho com as Massas

Nada disso, entretanto, diminui a necessidade de aprofundarmos a autocrítica no sentido de melhorar e avançar o trabalho com as massas populares, em particular, com os trabalhadores. De fato, embora o número de votos tenha sido bastante afetado com o fechamento de escolas e universidades e as restrições da pandemia, eles revelam que não podemos nos conformar com o número de sindicatos, de associações de moradores e de coletivos que temos nas empresas, bairros e favelas. É preciso, pois, mais trabalho e determinação para superar esse atraso e impulsionar mais e mais lutas, recrutar mais, além de otimizar nossos poucos recursos, concentrando forças e evitando a dispersão.

O mais importante, entretanto, é saber que o próximo período será de avanço das lutas operárias e populares e de superação da confusão política e ideológica dos últimos anos. A cada dia, mais e mais parcelas da população tomam consciência da incapacidade do governo do ex-capitão e dos generais fascistas em resolver os problemas do país e que se trata de um governo corrupto e contra os trabalhadores e os pobres.

O desemprego cresce e milhões de brasileiros e brasileiras ficam sem salário e impossibilitados de comprar alimentos para seus filhos ou pagar aluguel. Hoje, a taxa de desemprego está em 14,6% e pode chegar a 20% em janeiro, com as demissões que ocorrerão em dezembro. O país terá, assim, cerca de 30 milhões de brasileiros buscando uma vaga no mercado de trabalho no início de 2021. A fome cresce em todas as cidades e a inflação e a disparada dos preços reduzem os salários.

Números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que mais de 13,7 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da extrema pobreza, isto é, sobrevivem com R$ 151 por mês e 52 milhões de pessoas vivem abaixo da linha de pobreza, isto é, com R$ 436 por mês. São 80 milhões de brasileiros, adultos e crianças, que vivem abaixo da linha da pobreza e da extrema pobreza. Este é o resultado de um regime que beneficia uma minoria de bilionários e do atual governo militar.  Fome, desemprego, morte, destruição do SUS e da educação pública, despejo de milhares de famílias, destruição das florestas, racismo, estupros e violência contra a mulher, é o que têm a oferecer ao povo brasileiro a burguesia e o ultrapassado sistema capitalista.

Um exemplo: no dia 25 de novembro, 41 operárias da fábrica têxtil Status Jeans, localizada na cidade de Itajaí, interior de São Paulo, perderam suas vidas por total falta de segurança no ônibus em que eram transportados. A empresa lucra com o suor e trabalho das trabalhadoras, mas se nega a oferecer um transporte seguro.

Mais: os governos recolhem bilhões de impostos pagos pelo povo, mas destinam praticamente todo esse dinheiro para pagar juros aos banqueiros e deixam os pobres e seus filhos desamparados. Por tudo isso, os explorados e oprimidos estão se levantando contra esse sistema e esse governo. A repressão, como sempre, será o meio usado pela grande burguesia para manter seus privilégios e impedir que os trabalhadores e o povo lutem e conquistem seus direitos. Mas não é possível deter a força de um povo organizado.  A UP é um partido que acredita na união e na organização das massas trabalhadoras, no avanço de sua consciência; deve, portanto, continuar trabalhando por uma saída revolucionária para a grave crise econômica, política, ambiental que vive o capitalismo no Brasil e no mundo.

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