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segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Biden autoriza pessoas trans nas Forças Armadas: a farsa da inclusão capitalista

Joe Biden, novo presidente dos Estados Unidos, anulou a restrição de pessoas trans nas Forças Armadas. Foto: reproducão

Bento Xavier

SÃO PAULO – No final do último mês, circulou pela internet a notícia de que o novo presidente dos EUA, Joe Biden, revogou a decisão do ex-presidente Trump que proibia a participação de pessoas assumidamente transgêneros/transexuais das Forças Armadas dos EUA. 
É fato que a população trans luta historicamente pela inclusão nos espaços sociais, pois é um grupo que sofre com abandono familiar, exclusão do mercado de trabalho e nas escolas, ficando dependentes de empregos precários e à contextos de vulnerabilidade, além de sofrer com estigmas sociais que naturalizam os casos de assassinatos violentos.
Não é por acaso que a Revolta de Stonewall – evento histórico que influenciou a origem de paradas LGBTs que atualmente acontecem em diversos países e cidades – teve como uma das principais agitadoras a combatente Marsha P. Johnson, uma travesti negra que inflou as passeatas com discursos para além do direito individual de viver a própria identidade, mas exigindo o direito à moradia e à vida digna para as pessoas LGBTs.

Mas por que então um grupo que luta historicamente por inclusão não deve atribuir como vitória  a permissão para entrar no exército estadunidense?

Bem, para responder essa pergunta precisamos entender que espaço é esse que estão permitindo a nossa entrada. 

Não é novidade para ninguém que o exército americano não corresponde a sua propaganda de defensores da liberdade e do bem comum. Muito pelo contrário, é um exército que é utilizado por um dos maiores e mais agressivos Estados burgueses para reprimir as lutas pelo direito do seu povo (basta lembrarmos de qual força foi acionada para conter as recentes manifestações do povo negro), de invadir diversos países provocando guerras a fim de explorar esses territórios, e contribuindo para golpes de Estado em prol do capital e pelo interesse de manter uma burguesia que seja subalterna aos EUA e violenta contra o levante de seus próprios povos.  

Nenhuma dessas ações e objetivos das Forças Armadas dos EUA está de acordo com as necessidades da população trans, de fato, são contrárias ao objetivo central desse grupo que é lutar por postos de trabalho que remunerem os trabalhadores trans justamente, fim da exploração sexual, vida digna, estudo de qualidade, dentre outros direitos que permitiriam que nossos corpos deixassem de ser entendidos e usados como descartáveis na sociedade.

A transfobia é uma forma de violência voltada para os corpos trans, mas ela existe como produto de uma ideologia que corresponde aos interesses e benefícios da classe burguesa, para a qual todos os corpos são material de exploração e descartáveis. As ideologias como a LGBTfobia, o racismo e o machismo, por exemplo, existem porque justificam e alimentam a superexploração contra certas identidades (população LGBT, negros, indígenas, mulheres e etc.), constroem narrativas falsas desumanizadoras, tornando natural que essas milhões de pessoas divididas em grupos não tenham casa, comida, trabalho e acesso a lazer.

A verdadeira inclusão exige o fim do sistema capitalista

Enquanto estivermos vivendo em um modo de produção de exploração sempre será limitada e enganosa a inclusão social dos grupos marginalizados. Apenas se muda o modo de se explorar esses corpos. Essa mudança de lugar e de forma é que se utiliza Joe Biden quando aprova a participação de pessoas trans no exército, de fato está aprovando que morram em territórios distantes para garantir a riqueza de alguns poucos capitalistas, aqui a inclusão é morrer junto de seus compatriotas cisgêneros em prol da manutenção da classe burguesa.
O capitalismo se utiliza de grandes propagandas de seus pequenos feitos, pois suas políticas não geram mudanças reais. Não diminuirá o número de prostitutas nas ruas, não aumentará o número de estudantes formados, não aumentará o acesso à cultura e nem as vagas de empregos, o dinheiro seguirá indo para os mesmos bolsos enquanto a maior parte da população precisa vender sua força de trabalho e não tem acesso aos produtos de sua criação.

A inclusão na sociedade só será verdadeira apenas em uma sociedade socialista, na qual todos têm direito ao trabalho e os produtos deste são socializados entre os trabalhadores. Nessa sociedade, todos terão direito à educação e saúde. É verdade que a ideologia burguesa nos é forçada por diversos meios, por isso a crítica e autocrítica são essenciais para construirmos essa nova sociedade, na qual sua base são princípios de cooperação invés de exploração, nela não há sentido em ideologias desumanizadoras entre companheiros de luta e trabalho.

 

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