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quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Acre vive crise humanitária devido à pandemia e enchentes

CALAMIDADE. População do Acre sofre com enchentes e o abandono do governo federal (Foto: Pedro Devani/Secom)

Cheias e alagamentos têm atingido a região e levaram ao surgimento de surtos de dengue. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, já foram registrados 57.534 casos de infecção.

Por Igor Barradas | Redação Rio


BRASIL – Há duas semanas, o estado do Acre enfrenta uma crise humanitária sem precedentes por conta de enchentes, surto de dengue e falta de energia, além do aumento de casos de Covid-19. 

Especialistas afirmam que as enchentes já são consideradas as mais graves da história do estado: mais de 130 mil pessoas foram afetadas em pelo menos 10 cidades, incluindo a capital Rio Branco. Em Tarauacá, no interior, 90% da cidade está debaixo d’água. Ao todo, 37 mil famílias perderam suas moradias e ficaram desalojadas ou desabrigadas.

As cheias e alagamentos que têm atingido a região levaram ao surgimento de surtos de dengue. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde do Acre, foram registrados 197 novos casos de infecção por coronavírus somente neste último domingo (28). No total, o estado contabiliza 57.534 infectados, 7,5 mil casos suspeitos e outros 1.683 casos já confirmados de dengue.

Crise migratória

Além disso, o Acre também lida com uma grave crise migratória na região do município de Assis Brasil, na fronteira com o Peru. O país andino fechou a fronteira com o Brasil em março de 2020, no início da pandemia, gerando tensão entre os imigrantes haitianos que tentam atravessar a fronteira para o Brasil. 

Na última sexta-feira (26), o governo militar de Bolsonaro exigiu o uso de força policial para impedir a entrada dos refugiados. Recentemente, o ex-capitão já havia feito declarações racistas e xenófobas contra os haitianos, afirmando que “ninguém quer botar certo tipo de gente dentro de casa’’

A lei brasileira, entretanto, garante ao migrante “a garantia no território nacional, em condição de igualdade com os nacionais, a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. 

Imigrantes haitianos são reprimidos na fronteira do Peru com o Brasil (Foto: Samuel Bryan/Agência Brasil)

Política de morte

A verdade é que para o governo Bolsonaro e seus apoiadores pouco importa se há ou não condições dignas para vida dos trabalhadores. No pico da pandemia, o fascista tentou privatizar o Sistema Único de Saúde (SUS) com o intuito de beneficiar o setor privado, uma minoria de grandes empresários, e retirar o direito à saúde pública do povo pobre, provando mais uma vez a máxima de que “o Estado moderno não passa de um balcão de negócios da burguesia” (Marx).

Levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano passado aponta que no Acre há mais de 139 mil pessoas na extrema pobreza, vivendo com menos de R$ 145,00. Hoje, com o estado na faixa vermelha da pandemia, com 86% de ocupação dos leitos nas unidades de saúde, sem um plano de vacinação em massa e com o fim do auxílio emergencial, é difícil acreditar que essa situação não se trate de um projeto de morte arquitetado por quem hoje ocupa a Presidência da República. 

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