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Prefeito de Macaé decreta retorno às aulas sem diálogo com sindicato e estudantes

IMPRUDÊNCIA. Voltar às aulas sem vacina e no auge da pandemia em Macaé é colocar em risco a vida de profissionais da Educação, estudantes e famílias (Foto: Reprodução)

Entidades estudantis elaboraram documento apontando ao menos 16 falhas na proposta da Prefeitura. Entre eles, estão a “autofiscalização” das escolas privadas, as dificuldades no transporte dos estudantes e profissionais, a flexibilização do uso de máscara entre crianças de até 12 anos e erros na orientação da Prefeitura para o horário da alimentação na escola.

Por Rafaela Corrêa
Macaé

EDUCAÇÃO – O prefeito Welberth Rezende (Cidadania), de Macaé, no Norte Fluminense, anunciou nas últimas semanas o Plano de Retomada das Aulas Presenciais. Com 39 páginas, a proposta foi entregue aos vereadores no dia 22/02, mas sequer foi debatida com quem mais interessa, ou seja, com os profissionais da Educação, estudantes e suas famílias. 

Essa iniciativa, em pleno pico de contaminação e mortes em decorrência da Covid-19, é uma irresponsabilidade com as vidas de milhares de pessoas em Macaé. De fato, as cidades brasileiras que já determinaram o retorno às aulas estão vivendo um estouro no número de casos. Em São Paulo, por exemplo, já foram registrados mais de mil novos casos de contaminação entre a comunidade escolar. Por que, então, insistir na volta às aulas neste momento?

Sindicato e estudantes protestam 

Em resposta à proposta da Prefeitura, o Sinpro Macaé e Região e a Associação dos Estudantes Secundaristas do Estado do Rio de Janeiro (AERJ) protestaram contra a falta de diálogo e transparência na elaboração do Plano de Retomada das Aulas. 

Ivânia Ribeiro, vice-presidente do Sinpro, teve, inclusive, seu direito à fala negado durante Audiência Pública promovida na Câmara dos Vereadores. Outras entidades representativas do movimento estudantil também estavam presentes, como o Centro Acadêmico de Biologia da UFRJ/Macaé, o Diretório Central dos Estudantes da UFRJ e o Centro Acadêmico de Direito da UFF/Macaé. 

Ao se  revoltar com a fala do vereador Reginaldo do Hospital (PODEMOS), que se demonstrou favorável ao retorno das aulas presenciais mesmo afirmando que todo seu núcleo familiar foi contaminado pelo vírus e que ele mesmo estava orientado a repousar por estar com trombose pós-Covid, a professora Ivânia foi expulsa do plenário.

A Prefeitura argumenta que debateu a proposta com o SEPE (sindicato da rede pública de ensino), demonstrando, de certa forma, falta de conhecimento da política representativa nas bases (ou uma grande desonestidade), já que os profissionais da rede privada são representados pelo SINPRO e não foram ouvidos pela gestão.

Manifestantes foram barrados de audiência pública que debatia o retorno às aulas (Foto: SINPRO Macaé e Região)

Estudantes apontam problemas no protocolo

As entidades estudantis elaboraram documento apontando ao menos 16 falhas na proposta da Prefeitura. Entre eles, estão a “autofiscalização” das escolas privadas, as dificuldades no transporte dos estudantes e profissionais, a flexibilização do uso de máscara entre crianças de até 12 anos e erros na orientação da Prefeitura para o horário da alimentação na escola. “Achamos que uma questão central é a vacinação dos profissionais da Educação e a testagem em massa de toda a comunidade escolar”, afirmou Joyce Melo, do DCE-UFRJ. 

“A impressão que temos é que a Prefeitura manipulou o protocolo para caber dentro do que podem fazer hoje, e não para preservar de fato a vida dos envolvidos”, acredita Maria Eduarda, diretora da AERJ.

Lucro acima da vida

Mesmo com toda a repercussão negativa à proposta, o prefeito Welberth Rezende segue ignorando os questionamentos feitos pela sociedade e se nega a dialogar com o SINPRO e os estudantes.  

Atitude bem diferente ele tem quando a pressão vem dos donos das escolas privadas, maiores interessados com o retorno imediato das aulas presenciais. “Os empresários da Educação, que vendem como mercadoria o que deveria ser direito básico, querem lucrar cada vez mais e, por isso, pressionam o governo, que cede para eles enquanto se nega a dialogar conosco”, criticou Joyce. “Queremos um retorno seguro às aulas, com vacina e medidas sanitárias que garantam nossa segurança”, explica a estudante.

As entidades estudantis e sindicatos da área da Educação agora mobilizam para a realização de uma Plenária Geral da Educação em Macaé, nesta terça (02) com o objetivo de unificar a luta para a retomada segura das aulas presenciais.

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