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Haydée Santamaria: a firmeza de uma mulher na luta pela liberdade

EXEMPLO. Haydée Santamaria foi fundamental para o triunfo da Revolução Cubana em 1959 (Arte: Casa das Américas)

Nós, mulheres, temos sido colocadas nesta posição durante séculos. Entretanto, a abnegação revolucionária consciente, a decisão de lutar, a firmeza frente à tortura e a energia empregue na construção do socialismo são provas da coragem e da firmeza ideológica de Haydée Santamaria e que nós, comunistas, precisamos sempre almejar. 

Por Karol Lima
Rio de Janeiro


HEROÍNAS DO POVO – Nascida em 30 de dezembro de 1922, Haydée Santamaria Cuadrado foi uma importante revolucionária cubana. Presente no ataque ao quartel Moncada, em julho de 1953, juntamente com Fidel, Raul e outros rebeldes, Haydée participou ativamente da guerrilha e da direção da luta contra a ditadura de Fulgêncio Batista e fez parte da fundação do Partido Comunista de Cuba integrando seu Comitê Central. 

Após a Revolução de 1959, atuou como deputada na Assembleia Nacional, foi membro do Conselho de Estado, do Ministério da Educação e presidiu a renomada instituição cultural Casa das Américas, além de exercer diversas outras tarefas de importância. 

As mulheres cubanas da Revolução

A imagem das revolucionárias cubanas foi moldada pela memória oficial de Cuba, permeada pelo machismo de seu tempo, o que levou a uma certa deturpação do que teriam sido estas figuras. Há algum material traduzido de crítica e exposição sobre o que teria levado Haydée ao suicídio em 1980, e também no que diz respeito a como é contada sua história pela memória oficial de Cuba. Entretanto, a maior parte dos escritos é controverso ou raso. 

Evidentemente, é preciso ter em conta o momento histórico e o grau de conhecimento da humanidade sobre as doenças mentais quando se vai debater criticamente casos ocorridos no passado (possivelmente o de Haydée é um desses). O machismo na descrição do papel das mulheres na revolução também é um fato que precisa ser criticado para a devida valorização da fundamental participação feminina nas lutas pela libertação e pelo socialismo. 

Dito isso, não se pode ignorar o papel central que as mulheres tiveram na consolidação da Revolução Cubana, nem tratar sua participação na guerrilha como menos importante. 

Mesmo sofrendo com as consequências do machismo e do sexismo de muitos de seus companheiros, Haydée acreditava que a construção de uma vida coletiva que vislumbra o fim de toda e qualquer exploração perpassa por confrontar esses preconceitos de gênero e educar todas as pessoas na base da solidariedade e da fraternidade de classe. 

COM FIDEL. Após o triunfo da Revolução, Haydée foi membro do Conselho de Estado, do Ministério da Educação e presidiu a renomada instituição cultural Casa das Américas (Foto: Granma)

Na ocasião do assalto ao quartel Moncada, em 1953, Haydée foi presa com Melba Hernandéz e com seu irmão e companheiro.  Conta Fidel, em A História me absolverá, que os capachos de Batista se dirigiram a ela mostrando um olho na mão e disseram: “Este é do teu irmão. Se não disseres o que ele não quis dizer, lhe arrancaremos o outro”. Com a segurança e coragem de uma mulher convicta de seus ideais, Haydée surpreende os torturadores dizendo: “Se vocês lhe arrancaram um olho e ele não falou, muito menos falarei eu”. Por essa ousadia, foi mais tarde queimada com pontas de cigarros acesos e novamente afrontada. “Já não tens mais noivo porque o matamos também”. E ela novamente contestou-lhes imperturbável: “Ele não morreu, porque morrer pela pátria é viver”, disse.  

Fica claro, portanto, toda a firmeza e consciência que Haydée tinha de seu papel de revolucionária, ao contrário das mentiras que certos historiadores contam sobre uma suposta manipulação e das tentativas de reduzir sua figura à uma “mulher doce e abnegada”.  

“Creio que é preciso um grande esforço para ser violenta, para ir à guerra, mas é necessário ser violenta e ir à guerra se for preciso” 

Nós, mulheres, temos sido colocadas nesta posição durante séculos. Entretanto, a abnegação revolucionária consciente, a decisão de lutar, a firmeza frente à tortura e a energia empregue na construção do socialismo são provas da coragem e da firmeza ideológica de Haydée Santamaria e que nós, comunistas, precisamos sempre almejar. 

Anos após o triunfo da Revolução, refletindo sobre o sacrifício de seu irmão Abel Santamaria e seus companheiros de armas, Haydée disse: “Naquele momento, podemos arriscar tudo para preservar o que realmente importa, que é a paixão que nos trouxe a Moncada, e que seus nomes, sua aparência, suas mãos acolhedoras e fortes, sua verdade em palavras e que podem ser chamados Abel, Renato, Boris, Mario ou qualquer outro nome, mas sempre naquele momento e em que eles continuarão sendo chamados de Cuba”.

Viva as mulheres que insurgem contra a dominação! Viva Haydée Santamaria!

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