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Plano de vacinação para professores em SP contempla menos da metade da categoria

INSEGURANÇA – Apesar da inclusão de professores no grupo prioritário de vacinação, o número previsto de imunizações é insuficiente para garantir o retorno seguro das atividades presenciais (Foto: Inna Polekhina/Getty Images)

Pablo Cavichini | Professor da Rede Estadual de São Paulo

SÃO PAULO – O Governo do Estado de São Paulo anunciou na última quarta-feira (25) o início da vacinação contra Covid-19 de professores e policiais no estado. O plano de imunização para os agentes da segurança pública começa no dia 5 de abril, já para os professores, somente no dia 12. Segundo o plano do Governo de São Paulo serão vacinados 530 mil agentes públicos dentre as categorias mencionadas acima.

Após muita resistência por parte do Governo em incluir os professores no grupo prioritário de vacinação, finalmente o Governador João Dória (PSDB) cedeu à pressão e à luta dos profissionais da educação que reivindicavam há meses tal medida. Porém, apesar do avanço, o número previsto de aplicações do imunizante contempla menos da metade da categoria, e, sendo assim, é insuficiente para garantir o retorno seguro das aulas presenciais.

Vacinação parcial e insuficiente

Diferente do plano de vacinação que foi proposto para os agentes da segurança pública, no qual não se faz distinção de idade ou grupo prioritário, a imunização dos profissionais da educação (professores, inspetores, diretores, etc.) acontecerá somente para aqueles que possuem mais de 47 anos, colocando como prioridade os profissionais da educação básica. Segundo o INEP – Censo Escolar 2020, a Rede Estadual de Educação Básica conta com 74 mil professores que possuem 47 anos ou mais.

Se confrontarmos os números citados acima com a totalidade de profissionais da rede estadual de ensino, que conta com mais de 250 mil professores e cerca de 65 mil funcionários, logo encontramos o problema: nesta 1ª fase de vacinação, serão excluídos mais de 200 mil profissionais da educação pública. A maior parte dos profissionais que não serão vacinados é composta por professores não efetivos, ou seja, o setor mais precarizado e com menos direitos da categoria será, também, o que mais sofrerá com a pandemia e suas trágicas consequências, caso as aulas retornem presencialmente. Se não é possível vacinar de imediato toda a categoria o retorno das atividades presenciais nos próximos meses é inseguro.

Sem garantias mínimas de segurança, governo pressiona pelo retorno das aulas presenciais

Na última sexta-feira (26), o Estado de São Paulo registrou seu maior número de mortes por covid-19 em 24 horas. Foram contabilizados 1.193 óbitos, o que levou o vice-governador do Estado de São Paulo, Rodrigo Garcia (DEM), a anunciar a prorrogação da Fase Emergencial da quarentena até o dia 11 de abril.  Porém, nada disso impediu que fosse decretado no dia seguinte uma medida flexibilizando o retorno das aulas presenciais. No sábado (27), o Governo do Estado de São Paulo publicou um decreto que torna essencial o retorno das aulas tanto da rede pública quanto das instituições privadas de ensino. Com isto, fica nítido que o Governo ignora que São Paulo vive seu pior momento desde o início da pandemia.

Os absurdos das últimas medidas tomadas pelo Governador somam-se ao histórico de investidas contra os profissionais da educação que já vinham acontecendo desde dezembro de 2020, quando João Dória defendeu o retorno das aulas presenciais mesmo em cidades classificadas nas fases laranja e vermelha.  Diante de tamanho absurdo, a categoria se levantou juntamente com o Sindicato para barrar o retorno presencial. Porém, o Tribunal de Justiça de São Paulo não acatou a vontade das trabalhadoras e dos trabalhadores da educação e revogou a liminar que proibia a volta das atividades presenciais. Desde então, já foram registrados 2324 casos de professores contaminados em 1066 escolas diferentes, tendo como resultado direto do retorno presencial lamentáveis 55 mortes, que poderiam ter sido evitadas.

Diante de tamanha tragédia, professores e professoras estão reivindicando que todos os profissionais da educação sejam vacinados antes da retomada das atividades presenciais, afinal, não há retorno seguro se não houver a vacinação de 100% da categoria.  Porém, esta é uma realidade que o governador João Dória se nega a aceitar e que, embora nos últimos meses tente capitalizar votos defendendo falsamente a vida e a ciência, sua prática em nada se diferencia do negacionismo e do genocídio promovido por seu pseudo-opositor Jair Bolsonaro. O governador mostra, assim, que a plataforma política “Bolso-Dória” com a qual foi eleito segue firme e que ambos não passam de dois lados de uma mesma moeda: são políticos que servem fielmente aos oligopólios financeiros e aos interesses dos grandes capitalistas, tratando a educação como pura e simples mercadoria e insistindo em colocar o lucro de uma minoria irrelevante acima da vida da grande maioria do povo trabalhador.

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