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Com média de 500 mortes diárias em MG, mineradoras seguem funcionando

Trabalhadores da mineração são forçados a continuar com jornada normalmente mesmo em meio a alto número de mortos. Foto: Observatório da Mineração

Lucas Pena | Itabirito-MG

DESCASO – Minas Gerais passa hoje pelo seu pior momento desde o início da pandemia de COVID-19. No estado, houve registro de 900 mortes somente nos últimos dois dias (21 e 22 de abril), além de hospitais lotados com pessoas à espera de atendimento.

Neste cenário caótico, é que ingressamos tardiamente na chamada “onda roxa” do Plano Minas Consciente. O plano é uma proposta criada pelo governo do estado de Minas Gerais, por meio das secretarias de Desenvolvimento Econômico (Sede) e de Saúde (SES).

A fase da “onda roxa” do Minas Consciente prevê a adoção de medidas mais restritivas, uma vez que as fases anteriores não apresentaram resultados e acabaram caindo no descrédito da população mineira. Mas, apesar da adoção de medidas mais restritivas nos últimos dias, assim como foi durante todo período pandêmico no estado, o governador Romeu Zema (Novo) e seu “comitê” de enfrentamento à pandemia, para garantir os interesses das grandes mineradoras, mantiveram a mineração como atividade essencial.

Covid tem se espalhado mais em cidades com presença de mineradoras

No estado de Minas Gerais, a mineração tem sido a grande responsável pela interiorização e disseminação de Covid-19 nos territórios. Nos municípios onde a atividade de exploração mineral se desenvolve, como Ouro Preto, Mariana, Itabirito, Barão de Cocais, Nova Lima, Itabira, entre outras, os números de infectados e mortos por Covid-19 tem crescido exponencialmente quando comparados às regiões onde não há a presença da mineração.

Cidades inteiras fecharam seus comércios, paralisaram suas atividades não essenciais e passaram a restringir a circulação de pessoas. No entanto, a indústria de mineração se mantém em pleno funcionamento, colocando em xeque todo esse esforço coletivo. O funcionamento desse setor durante fase da onda roxa é mais uma vez colocar o lucro de uma minoria acima da vida da população.

Para o funcionamento da atividade, as mineradoras têm lotado ônibus com seus funcionários, deslocamento esse que se dá, muitas vezes, ao longo de várias cidades, além dos ambientes compartilhados como refeitórios, salas, cabines e veículos. Enfim, um cenário propício para que o vírus circule livremente.

Trabalhadores da Vale S.A. em Itabira aguardam transporte até as minas. Foto: Arquivo

Trabalhadores convivem em condições que favorecem o vírus

Se colocam a vida das cidades que as recebem em risco, o que dizer dos seus trabalhadores? Os trabalhadores da mineração têm vivido com o risco eminente de contágio e com o medo diário de transmitir aos seus familiares. Não bastasse, os trabalhadores de empresas terceirizadas vivem situação ainda pior tem sido alocados pelas mineradoras em casas com 10, 15 ou até 20 pessoas. Que tipo de protocolo permite tal situação? Como fazer isolamento de uma dessas pessoas caso venha a contrair o vírus? São perguntas que deveriam ser feitas ao governador Romeu Zema e aos prefeitos que deixam isso acontecer.

A mineração é parte importante da economia mineira e é de conehcimento geral. Mas os governantes não podem negligenciar vidas pedindo a todos vários setores que façam um esforço tremendo em favor das vidas, enquanto as empresas mineradoras seguem normalmente o seu funcionamento. O governo Zema pede ao pequeno comerciante que feche suas portas temporariamente, sem oferecer nenhum apoio, mas permite que a Vale S.A, que lucrou mais de US$4,9 bilhões em 2020, continue funcionando a pleno vapor no meio de uma grave crise sanitária.

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