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No pico da pandemia, prefeitura do Rio força retorno inseguro às aulas presenciais

Salas fechadas, sem condições sanitárias adequadas para aulas presenciais são a regra no Rio de Janeiro. Foto: Divulgação/Prefeitura do Rio

Igor Andrade da Costa | Rio de Janeiro

EDUCAÇÃO – Na noite de sexta-feira (23), a Prefeitura do Rio publicou duas notas na página da Secretaria Municipal de Educação com uma lista de 97 escolas que retomarão aulas presenciais na próxima semana e de outras que abrirão para a realização de uma avaliação. Todos os municípios da Região Metropolitana do Rio ainda se encontram em bandeira roxa, o que proíbe a abertura de escolas, devido ao nível de contaminação muito alto.

A rede de educação municipal do Rio é uma das maiores da América Latina, com 52 mil trabalhadores e mais de 640 mil estudantes matriculados. O sindicato da categoria e muitos especialistas consideram que a manutenção do seu fechamento para ensino presencial é fundamental para a política de isolamento social.

A prefeitura tem mantido creches e escolas de 1º e 2º ano do Ensino Fundamental abertas, mesmo com taxas de transmissão do COVID-19, de ocupação de leitos e mortes no pico. Desde o dia 21 de março, outras escolas passaram a receber estudantes do 3º ao 6º ano do fundamental. Já são 783 das 1.543 unidades escolares da Rede Municipal de Ensino do Rio de Janeiro funcionando de forma presencial, equivalente a 50,7% da Rede. A partir de terça (26), serão 880 escolas abertas, 57% da Rede. Apenas as escolas que reabrirão essa próxima semana poderão receber até 32 mil estudantes, segundo a Secretaria de Educação.

Mais de 10 mil crianças e adolescentes já se infectaram no Rio

De acordo com dados do DATARIO, do Instituto Pereira Passos, a avaliação de risco para a COVID-19 se encontra muito alta em todos os bairros da cidade. Dos 250.161 casos confirmados na capital fluminense, 3.624 foram crianças de 0 a 9 anos e 7.106 na faixa de 10 a 19 anos. O grupo de crianças e adolescentes constitui 4,53% dos casos confirmados, por faixa etária. Tais dados põem por terra o senso comum que crianças não contraem a doença e ameaçam os protocolos de segurança para evitar a contaminação.

Além das escolas que vão reabrir, a prefeitura do Rio de Janeiro anunciou uma avaliação diagnóstica entre os dias 26 e 30 de maio. Alguns diretores de escola anunciaram esta atividade como retorno às aulas presenciais. Sem qualquer decreto ou documento oficial que oriente a sua volta, a prefeitura convocou profissionais da educação para o trabalho presencial. Ao que parece a Secretaria de Educação do Rio articula uma volta presencial se utilizando os diretores escolares para encobrir suas ações.

Prefeitura do Rio se alia as políticas genocidas do governo federal 

No lugar de promover o lockdown com auxílio emergencial, a prefeitura joga com o desespero de quem trabalha fora de casa e não tem onde deixar os filhos para forçar a reabertura das escolas. Dos casos confirmados de COVID-19, onde se registrou raça e cor, 52,4% são de pessoas negras ou pardas. A população pobre e trabalhadora se desloca em transportes lotados exposta a contaminação e agora é obrigada a submeter seus filhos à mesma condição.

O jeito descontraído e despretensioso de Eduardo Paes dá ares “progressistas” ao prefeito da cidade do Rio de Janeiro, mas não se julga um livro pela capa. Um governo deve ser avaliado por suas ações. E as ações da prefeitura o alinham mais à política do governo genocida de Bolsonaro do que a um governo de caráter progressista.

Os profissionais de educação do Rio tem encotnrado como única alternativa para não se contaminar a adesão à Greve pel Vida, convocada pelo Sindicato dos Profissionais de Educação do Estado do Rio de Janeiro (SEPE-RJ). Mais uma vez, apenas a luta dos trabalhadores consegue se contrapor ao projeto genocida em curso, já que a ação do Estado joga cada vez mais trabalhadores serão para a contaminação.

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