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Prefeitura de Campos (RJ) quer despejar mais de 400 famílias

Famílias protestaram contra o despejo em Campos-RJ no dia 20. Foto: Juliana Rocha e Daniela Abreu

Isabela Moraes

CAMPOS DOS GOYTACAZES/RJ – Diversas famílias que eram beneficiárias do programa Aluguel Social da cidade de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, foram despejadas das casas que moravam pelos proprietários. Desde a gestão Rafael Diniz (Cidadania), o pagamento dos aluguéis estava atrasado e a administração atual de Wladimir Garotinho (PSD), em plena pandemia, não tratou como prioridade o pagamento desse programa, deixando diversas famílias em situação de vulnerabilidade. Após esses despejos, as famílias beneficiadas ocuparam casas do Conjunto habitacional Novo Horizonte, pertencente ao programa “Minha Casa, Minha Vida” da construtora Realiza. 

Na noite de terça-feira (20) os ocupantes fizeram uma manifestação contra a ordem de despejo que estava marcada para o dia 21. Com a mobilização de diversos movimentos sociais e partidos políticos junto aos sem-teto, a ocupação conquistou a garantia de que não sofreria despejo.

Governo e construtora não entregam casas e reprime a população

O conjunto habitacional conta com mais de 700 casas, sendo apenas 200 pessoas contempladas no sorteio feito dia 05 de setembro de 2019. No entanto, até hoje os imóveis não foram entregues pela prefeitura, Caixa Econômica Federal e pela construtora Realiza. Apesar de nem todos os ocupantes terem sido sorteados a situação tem se agravado, pois tanto quem conseguiu ser sorteado quanto quem não conseguiu continua sem casa. 

A construtora tem ostensivamente cercado o conjunto habitacional desde o início da ocupação. Durante a madrugada do dia 21 para 22, diversas ruas de dentro do conjunto instalaram mais grades. A construtora cercou quarteirões inteiros, impedindo a entrada dos trabalhadores sem teto nas casas. Na prática o processo de despejo está em curso. No entanto, mesmo com as movimentações da construtora, os sem-teto vem desde o dia 21 se mobilizando com a distribuição de lanches e refeições para as famílias da ocupação.

Famílias mobilizadas contra o despejo no conjunto Novo Horizonte. Foto: Juliana Rocha e Daniela Abreu

Luta por moradia tem se intensificado em todo país

A luta por moradia no Brasil tem se intensificado cada vez mais. Com o desemprego e fome, não existe outra saída para os trabalhadores mais empobrecidos senão a ocupação de um território para garantir o teto para suas famílias. Na cidade de Campos dos Goytacazes não é diferente. Diversas mulheres, homens, crianças, famílias inteiras, pessoas com idade suficiente para se aposentarem estão com a possibilidade de ir para às ruas, por não terem seu direito constitucional de moradia digna garantido. 

É muito grave o problema habitacional na cidade e a tentativa de criminalização da luta por moradia. Não deve haver a diferenciação entre os contemplados versus os não contemplados. Vivemos o período mais dramático da pandemia de COVID-19 com mais de 1050 mortos na nossa cidade. O governo quer jogar diversas famílias na rua. A luta para forçar o prefeito Wladimir Garotinho a contemplar ambos os grupos o mais rápido possível é a pauta principal dessas famílias.

Ações de solidariedade tem marcado o processo de resistência ao despejo em Campos dos Goytacazes. Foto: Juliana Rocha e Daniela Abreu

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