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Nossa solidariedade às pernambucanas vítimas de violência

Foto: Jorge Ferreira

Por: Movimento de Mulheres Olga Benário – Pernambuco.

Nós, mulheres pernambucanas, recebemos com profunda tristeza e revolta a notícia de mais dois casos de violência contra nossos corpos, sendo um caso de estupro coletivo e outro de feminicídio. Estes atos praticados contra mulheres jovens comprovam, mais uma vez, o que já passamos e vemos: nossas mães, filhas, irmãs e amigas sendo diariamente violentadas. Casos de violência contra as mulheres tiveram crescimento  de 65% durante a pandemia; em Pernambuco, só nos dois primeiros meses deste ano, o aumento foi de 19% no número de feminicídios segundo a SDS PE. Destaca-se que a cada 2 minutos uma mulher sofre violência em todo o país.

As mulheres, organizadas no Movimento de Mulheres Olga Benário vem externar nossa solidariedade para com os familiares da jovem caruaruense, que foi assassinada na Paraíba de forma cruel e covarde. Seu assassino, Jonathan Henrique, amigo de infância de Patrícia, utilizou-se de sua proximidade para assassinar a jovem que viajou pela primeira vez para fora do estado com a intenção de passar um fim de semana em João Pessoa na presença de um “amigo de infância”. Sem esperar tal violência, a jovem foi assassinada e teve seu corpo jogado numa área de mata próxima à casa do criminoso, que teve a ajuda de um segundo homem, Marcus dos Santos, que escondeu Jonathan após o crime.

O segundo crime ocorreu contra a jovem de 16 anos que sofreu estupro coletivo promovido por oito homens, sendo um deles o ex-namorado da vítima. O caso aconteceu na praia de Candeias, Jaboatão do Guararapes. A jovem, por ter tido uma relação anterior com o homem, foi atraída para o local e lá foi estuprada por esses oito homens, que expuseram as cenas em redes sociais como sendo algo comum e natural estuprar nossos corpos.

Tais crimes hediondos carregam traços da nossa difícil realidade e das marcas do machismo que deixam nos nossos corpos atos de violência cometidos por homens covardes que se sentem no direito de nos objetificar e de destruir nossas vidas. Este é o motivo que faz com que esta sociedade, baseada na exploração de classe, insista em pagar salários menores às mulheres, sob ataques constantes do assédio moral e sexual.

Somos mal tradadas, violentadas e expostas dentro de casa por maridos, irmãos e pai, tudo isso para manter o “poder do macho” no imaginário social e cultural do capitalismo. Não são casos de “amor”, “loucura” ou qualquer coisa do tipo: são criminosos que se escondem na impunidade para continuar nos matando.

Este é um claro reflexo de que, apesar de todas as campanhas pelos direitos das mulheres, de todas as conquistas (como a lei Maria da Penha), de sermos hoje metade da classe trabalhadora em nosso país, ainda sofremos as consequências da formação patriarcal de nossa sociedade. Ainda somos inferiorizadas e diminuídas, ainda somos saco de pancada de uma sociedade excludente onde o direito da mulher e a igualdade são valores a serem conquistados.

Ainda enfrentamos a ausência de promoção de políticas públicas na diminuição da desigualdade que, somada às políticas fascistas adotadas pelo governo de Jair Bolsonaro e de sua Ministra, a ultra conservadora  Damares Alves, que investem pesado contra a autonomia de vida das mulheres e pela desvalorização dos nossos direitos, assanha o machismo estrutural de nossa sociedade, alimentando o lado nefasto de uma parcela dos homens brasileiros que foram educados sob a cultura do estupro e da violência contra as mulheres.  Exigimos:

– Punição severa a todos que cometem violência contra as mulheres;

– Investigação dos crimes de feminicídios, estupros e todo e qualquer ato de violência;

– Ampliação dos espaços de acolhimento às mulheres em situação de violência, como casas-abrigo e de acolhimento às mulheres vítimas de violência.

Só nossa luta organizada dará fim a esse sistema de exploração e violência dos nossos corpos.

Chega de mortes! Mexeu com uma, mexeu com todas!

Patrícia, Presente!

Punição aos criminosos e a seus cúmplices!

Queremos justiça! Chega de violência!

Não expusemos o nome da jovem vítima de estupro coletivo para manter sua segurança e privacidade. Não achamos os nomes dos estupradores, por isso não colocamos. Lembremos sempre: a culpa nunca é da vítima. Devemos expor os criminosos e não a vítima!

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