TwitterFacebook

Stonewall Inn: Uma revolta, uma diversidade de lutas

LUTA POPULAR – A revolta de Stonewall ocorreu em junho de 1969 e foi um marco na luta por direitos da comunidade LGBTQIA+. (Foto: Reprodução / Domínio Público)

“Enquanto meu povo não tiver seus direitos em todo o país, não temos razão para celebrar” as palavras de Marsha P. Johnson revelam o mais puro objetivo da revolta de Stonewall Inn, nos EUA, palavras que despertaram a revolta de uma comunidade, um “basta” diante a repressão policial sobre o povo LGBTQIA+, um grito de resistência de todas as formas de amor e de existência. 

Yuri Miguel de Souza


Marsha não esperava, mas a revolta de Stonewall Inn, liderada por ela, juntamente com sua amiga Sylvia Rivera, tomaria proporções inimagináveis e seria um marco de sucessivas revoltas da comunidade LGBTQIA+.

Naquele momento histórico, a transexualidade ainda era considerada como doença pela OMS e qualquer orientação sexual que saísse do “comum” era classificada como distúrbio mental. Era uma época em que ser LGBTQIA+ significava conviver com o medo e a morte. Rodeado de ameaças em todos os sentidos, 24 horas por dia e todos os dias do ano, em todas as instituições e apoiada, abertamente, pelo Estado e seus poderes. 

O bar Stonewall, que vivia na ilegalidade, pois era proibido bares aceitarem clientes homossexuais, drags queens e transsexuais, ficava localizado em Village. Era comum ver operações policiais em torno e dentro do Village, reprimindo a presença da comunidade LGBTQIA+. 

Trans negras e latinas contra a repressão policial

LUTA POR DIREITOS – Sylvia Rivera e Marsh P. Johnson durante manifestação por direitos da comunidade LGBTQIA+ em 1970. (Foto: Reprodução / Domínio Público)

A revolta de Stonewall se deu no final da década 60, década marcada por uma maior expressividade de movimentos sociais nos EUA. Na madrugada de 28 de junho de 1969 , em mais uma operação policial visando fechar o bar Stonewall Inn, bebendo dos movimentos sociais e políticos da época, a comunidade LGBTQIA+ não deixou isso ocorrer e revidaram a violência violência policial incendiando e fazendo-os recuar. O grupo policial enviado para fechar o bar foi cercado e houve um confronto enorme com a tropa de choque, chamada para conter a revolta que estava ocorrendo.

Esse confronto teve duas figuras centrais, Sylvia Rivera, mulher trans, latina, prostituta e assim como sua amiga, Marsh P. Johnson, mulher trans negra e prosituta. Ambas eram ativistas e lideraram o início da revolta e sabiam que não bastava se limitar àquele momento, mas a luta precisava continuar.

Assim Sylvia e Marsh encabeçaram diversos atos de panfletagem para divulgar o que tinha acontecido e para chamar mais e mais pessoas para futuras manifestações. No ano seguinte, 1970, aconteceu uma passeata, tímida, mas era a primeira parada do orgulho LGBTQIA+, sendo um marco, assim como a revolta Stonewall, de como a comunidade pode se unir e de que dessa união pode enfrentar um Estado opressor. 

Além da linha de frente, Johnson e Riveira fundaram a organização Street Transvtestite Action Revolutionaries (S.T.A.R) que, sem a ajuda de empresas, dava moradia, comida e roupa para cerca de 50 pessoas. Em 1989 Riveira fala como foi dificil sustentar o projeto e como tiveram pedidos de ajuda negados de organizações, que contavam com professores e advogados (brancos e de classe média alta), ela conta que sustentavam a organização com o dinheiro do próprio trabalho sexual.

As raízes de Stonewall se encontram movimento pelos direitos civis 

REVOLTA CONTRA A REPRESSÃO – Stonewall foi uma luta contra repressão policial inspirada no movimento por direitos civis nos EUA. (Foto: Reprodução / Domínio Público)

A revolta de Stonewall possui raízes classistas, contendo como revolucionárias duas mulheres trans, uma negra e outra latina. Negar o peso e a importancia historica dessa revolta para a o movimento LGBTQIA+ contemporâneo e, ainda mais, desassociar a luta de classe e a luta do movimento negro de Stonewall é não compreender a origem do movimeto LGBTQIA+. É traçar resoluções baratas e reformistas, que não resolvem o problema, significa esvaziar uma pauta e esquecer a vida de verdadeiras revolucionárias da comunidade.

“Queremos que todos os gays tenham uma chance de direitos iguais, como pessoas heterossexuais na América. Acreditamos em pegar uma arma e começar uma revolução, se necessário.” – Marsha P. Johnson.

Print Friendly, PDF & Email
classic-editor-remember:
classic-editor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Jornais Internacionais

Páginas

Categorias

Especial

Links

Movimentos Sociais e Organizações

%d blogueiros gostam disto: