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USP coloca moradia de 300 estudantes em risco

DESCASO – USP quer deixar estudantes desabrigados em plena pandemia (Foto: Reprodução)

Luiz Chacon 

SÃO PAULO – O mês de julho foi marcado pelo avanço no debate sobre o retorno presencial das atividades da educação e também pela impossibilidade, para muitas universidades públicas, de voltarem a abrir suas portas ou mesmo continuar seus valiosos serviços por conta da política de desmonte e sucateamento aplicada pelo Governo Bolsonaro.

Este mês, para os estudantes da Universidade de São Paulo (USP), termina com a notícia de que a necessária reforma no Bloco D do Conjunto Residencial da USP (CRUSP) envolveria a completa desocupação do prédio ate o dia 15/08, sendo que os atuais moradores não teriam a sua moradia garantida.

Para os moradores, a notícia, que deveria ser motivo de felicidade dada às péssimas condições estruturais do prédio, tornou-se um pesadelo: com menos de 20 dias antes do prazo, esses estudantes se viram de frente com a proposta intransigente de deixarem suas casas em troca do insuficiente auxílio permanência (R$500,00) oferecido aos demais estudantes que deveriam estar morando no CRUSP e, por falta de vaga, não conseguem

As contradições são inúmeras uma vez que a USP ignora que há neste bloco diversas famílias, estudantes mães com seus filhos, estudantes imigrantes, estudantes que voltaram durante o período da pandemia para suas cidades natais e ainda possuem pertences nos apartamentos, estudantes cumprindo quarentena ou doentes com a COVID-19, estudantes internados em hospitais. Pior: a Universidade ignora que há outros dois blocos (K e L) desocupados, que desde 2007 têm ordem da justiça pra que sejam reformados e devolvidos aos estudantes.

Já é fato dado entre a comunidade estudantil que a miséria de 500 reais oferecidos como auxílio é insuficiente para pagar um aluguel na capital mais cara do país. Além do baixo valor, este auxílio só seria pago àqueles moradores que são “regulares” aos olhos da burocracia elitista da USP, ou seja, grande parte dos moradores, incluindo as crianças, ficariam completamente à mercê da própria sorte durante o inverno e em maio à pandemia da COVID-19.

É fato também que a taxa de evasão dos estudantes pobres na USP bateu recorde durante o último período, dada a falta de políticas de permanência e assistência estudantil, e esta medida aprofundaria ainda mais este cenário elitista e que constantemente priva a juventude trabalhadora (como é o caso dos moradores do CRUSP) dos espaços das universidades.

Como se ainda fosse pouco, a Superintendência de Assistência Social (SAS) e a Reitoria, que tem uma postura política profundamente governista e em conchavo com o atual governo do estado (PSDB), que tudo fazem para levar a cabo o projeto de privatização e destruição dos serviços públicos, em nenhum momento consultaram ou sequer dialogaram previamente com as assistentes sociais, gerando assim uma decisão unilateral e autoritária que muito se assemelha às ordens de despejo: deixando os moradores sem alternativa a não ser a mobilização para a luta e a resistência e ignorando o fato de que moradia e permanência estudantil são direitos conquistados e não favores.

Portanto é necessário que haja essa profunda mobilização entre os estudantes, moradores, coletivos, organizações e todos aqueles e aquelas que lutam pelo direito à educação e por uma vida digna. Uma luta para que esta reforma aconteça de maneira humanizada, garantindo a moradia de todos os atuais moradores; e, fundamentalmente, que as reivindicações quanto ao aumento dos beneficiários e do valor dos auxílios e bolsas, do aumento da quantidade de vagas no CRUSP, da regularização dos estudantes e da reforma e devolução dos blocos K e L sejam todas atendidas imediatamente, como solução para esta crise e para garantir a permanência estudantil na USP.

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