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Um ano da Rede Nise da Silveira

Psicólogas da Rede Nise da Silveira e militantes do Movimento Olga Benario – RS

Equipe da Rede de Apoio Psicológico Nise da Silveira

PORTO ALEGRE – A Rede de Apoio Psicológico Nise da Silveira completa seu primeiro ano. Nasceu em julho de 2020 com a proposta de oferecer gratuitamente atendimentos psicoterápicos virtuais sistemáticos e promover espaços de cuidado para mulheres em situação de vulnerabilidade social e em sofrimento com o contexto social decorrentes (ou ampliados) com a pandemia da COVID-19. Leva seu nome em homenagem à psiquiatra Nise da Silveira, símbolo da luta contra o machismo e o sexismo, que enfrentou a opressão de gênero de seu tempo, a prisão, a incompreensão acerca de seu olhar sobre a saúde mental e a vida. Julho também é o mês de luta internacional pelos direitos das mulheres negras, latinoamericanas e caribenhas, sendo estes fatos também nossas fontes de inspiração, gestação e nascimento da Rede. Nós bebemos dessa fonte para persistir e oferecer espaços de saúde mental em meio a tantos desmontes e desvalorização da mulher, das suas dores, violências sociais concretas e subjetivas, sua luta por existir todos os dias, desde sempre.

A Rede de Apoio Psicológico Nise da Silveira foi construída pelo Movimento de Mulheres Olga Benario em Porto Alegre com o objetivo de permitir acesso ao cuidado em saúde mental, e reúne um grupo de psicólogas voluntárias, além de turmas de estudantes de psicologia em estágio curricular, que atuam em uma perspectiva crítica ao desmonte do SUS e das políticas de saúde mental em curso no Brasil promovidas pelo atual governo genocida de Bolsonaro. Entendendo assim que o atendimento psicológico deveria ser acessível a todas as pessoas que necessitam dele.

A Rede Nise já acessou um total de 57 mulheres,  sendo que mais da metade delas se encontravam ou se encontram em situação de desemprego, fator agravado no período atual de pandemia da COVID-19. A escolarização das mulheres atendidas é variada, indicando que o desemprego atinge atualmente pessoas de todos os níveis de formação. 

A rede possibilitou alcançar 38,6% de mulheres (22 de 57) que ainda não haviam tido acesso a atendimento psicológico anteriormente. Sobre ter ou não alguma avaliação prévia em saúde mental, das 49 mulheres que responderam à pergunta, todas afirmam que já tiveram avaliação anterior de profissionais da área de educação e/ ou saúde, pontuando questões de saúde mental (como ansiedade e depressão). Reforça-se assim a real necessidade de atendimento para estas mulheres, que não estão sendo acolhidas na rede pública devido ao retrocesso das políticas públicas de saúde mental e sucateamento do SUS, com falta de investimento de recursos e as constantes privatizações no setor da saúde, que precarizam ainda mais o serviço. Dentre as mulheres alcançadas, 39 (68,4%) conhecem sua Unidade Básica de Saúde de referência, outras 18 (31,5%) desconhecem, ressaltando, por um lado, a carência do serviço de psicologia no SUS, mesmo entre aquelas que o utilizam para outras consultas, e por outro, a importância de que muitas mulheres possam apropriar-se mais dos serviços públicos de saúde que estão próximos e que devem oferecer diferentes tipos de cuidado. 

Uma parte significativa das mulheres que acessou a Rede Nise até aqui a conheceu por indicação de outras mulheres que já vinham sendo atendidas. Entendemos que este é um fruto importante do trabalho realizado, já que demonstra que os atendimentos têm sido um espaço de exercício de autocuidado, autoconhecimento, e fortalecimento das mulheres que o acessam. As indicações também demonstram as redes informais que se criam entre mulheres, como modo de cuidar umas das outras. Sabemos que em nossa sociedade, as mulheres são as maiores responsáveis pelo cuidado de outras pessoas. Nesse sentido, a Rede Nise procura estar atenta a estas mulheres, que muitas vezes têm seu direito ao cuidado em saúde mental negligenciado. O trabalho cujo aniversário agora comemoramos continua, procurando enriquecer a sua atuação e exercer uma psicologia em consonância com as demandas sociais e  cada vez mais engajada na luta por uma sociedade mais justa, livre da exploração e de opressões. 

Somos rede, trabalhamos em rede e, para isso, mantemos encontros semanais em que há troca e formação coletiva e onde pensamos as práticas terapêuticas como ferramenta importante na luta e emancipação das mulheres.

Se você é psicóloga e quer somar nessa construção, entre em contato através do instagram @movimentoolga.rs

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