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O custo humano do avanço da vacinação contra COVID-19 em Porto Alegre

Foto: Reprodução

Núcleo saúde MLC/RS

PORTO ALEGRE – Atualmente, Porto Alegre tem aproximadamente 53% de sua população com esquema vacinal contra COVID-19 completo, e 85,3% dos moradores da capital gaúcha já receberam a primeira dose da vacina. A prefeitura do município estima que de janeiro até a terceira semana de agosto tenham sido aplicadas 1.560.408 doses de vacinas contra COVID-19, número que compreende o somatório das doses administradas de CoronaVac, AstraZeneca, Pfizer e Janssen.

O avanço da vacinação se dá apesar de todos os esforços do Presidente do Brasil e de seus asseclas no sentido de boicote à compra de vacinas e à distribuição de doses no país, motivado pela tentativa reiterada de superfaturamento dos imunizantes a fim de obter enriquecimento pessoal à custa da morte do povo. Mas além da pressão popular, outro fator tem sido essencial para garantir que hoje, em Porto Alegre, a campanha de vacinação possa se voltar a todos os moradores acima de 19 anos, além de todos aqueles com comorbidades que tenham 12 anos ou mais: a atuação incansável dos profissionais da saúde, que apesar de aclamados nas redes sociais como “heróis” em diversos momentos da pandemia, na prática não deixaram de sofrer corte de direitos trabalhistas, baixos salários, assédio moral e perseguição política.

“Começamos a vacinar contra COVID-19 na Unidade de Saúde em que eu trabalhava em fevereiro. Como a procura era muito grande, foi montada uma tenda do lado de fora da Unidade. Fomos hostilizados desde o primeiro dia, sofremos com a desconfiança das pessoas, todos os dias nos acusavam de aplicar soro fisiológico ou de realizar o procedimento incorretamente, nos xingavam quando informávamos que a única vacina disponível era a CoronaVac e ninguém nos defendia”, conta uma técnica de enfermagem que atuou até junho de 2021 em um dos principais pontos de vacinação da cidade. “As filas eram intermináveis. Três vacinadores atuavam das 8 às 17 horas de segunda a sexta-feira, nenhum novo profissional foi contratado para atuar na vacinação, apesar do aumento da carga de trabalho. Para dar conta da demanda, todas as férias foram suspensas em março e passaram a nos coagir a trabalhar nos finais de semana. Quase toda a equipe passou a apresentar sintomas de esgotamento e uma colega desenvolveu tendinite. Lembro que em apenas 1 dia de trabalho cheguei a vacinar, sozinha, 400 pessoas”.

A situação exposta não é um fenômeno isolado: a exploração dos trabalhadores é cada vez mais profunda na sociedade em que vivemos, mesmo dos profissionais que são chamados de “heróis”. No modelo de trabalho atual da Atenção Primária à Saúde de Porto Alegre, por exemplo, chamado pela prefeitura de “contratualização”, vive-se a precarização dos vínculos trabalhistas gerada pela terceirização da contratação dos funcionários dos postos de saúde. Ou seja, dentro da estrutura existente, os profissionais são extremamente explorados, mas se sentem obrigados a se calar, vivem sob a constante ameaça do desemprego, sentem-se desvalorizados e facilmente substituíveis. Temos como tarefa urgente conscientizar esses profissionais de que a única maneira de garantir melhorias reais e duradouras das suas condições de trabalho e de vida é através da organização dos trabalhadores na luta por seus direitos, para que assim percebam, na prática, a força transformadora da união da classe que tudo move neste mundo.

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