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Solidariedade e conscientização política

BRIGADA DE SOLIDARIEDADE – Campanha de solidariedade durante a pandemia em Viçosa, Minas Gerais. (Foto: Reprodução/Jornal A Verdade)

Paula Dornelas

VIÇOSA (MG) – Desde o mês de maio, o Movimento de Mulheres Olga Benario, juntamente com a União da Juventude Rebelião, tem construído uma rede de solidariedade na cidade de Viçosa, Minas Gerais, realizando a entrega de cestas básicas, materiais de limpeza e higiene pessoal para as famílias que se encontram em situação de pobreza extrema na comunidade das Coelhas, especialmente aquelas que são chefiadas por mulheres.

Como muitos moradores nos disseram durante a entrega das cestas, felizmente, as famílias do bairro têm recebido esse tipo de ajuda, que, junto com um bico, com um pacote de macarrão trocado com o vizinho por um pouco de feijão, têm conseguido sobreviver dia a dia. No governo fascista de Bolsonaro é assim, o povo trabalhador luta diariamente por sua sobrevivência.

É nessa troca, na ajuda mútua de quem precisa, mas precisa um pouquinho menos que o outro, que a comunidade segue. É nos desentendimentos entre vizinhos, mas que no fundo entendem que o “buraco é mais embaixo” e que se precisar de ajuda “quem sou eu para negar?”. Cada família ali tem algumas especificidades, conflitos, vivências e relações, mas isso não é único e individual, de jeito nenhum. Vivem no mesmo bairro, compartilham frustrações da falta de estrutura ali, de calçamento, de ônibus, de serem marginalizados dos debates sobre a cidade.

Em um dia de entrega das cestas, chegando na casa de uma família, fomos recebidos por uma moça: “Maria, trouxemos uma ajuda pra você!”. Ela nos olhou feliz e, ao ver a cesta básica, respondeu: “achei que você ia dizer que tinha um emprego pra mim”. Essa cena ficou marcada na minha cabeça e escancara o quão equivocado está o discurso liberal de que o povo não quer trabalhar ou de que bolsa família, auxílio emergencial e outras formas de assegurar, minimamente, a vida das famílias não devem ser distribuídos porque vão se acomodar, não vão trabalhar ou porque o povo é preguiçoso, individualista e interesseiro.

A Maria, moradora da comunidade das Coelhas, em Viçosa, ficou feliz demais com a cesta básica recebida, que, pelo menos, por algumas semanas, vai ajudar a garantir as refeições dela e das suas duas crianças. Mas ela entende que não é por aí só. Ela entende que não dá para contar com um auxílio miserável: “dá pra saber se amanhã vou ter isso ou não?”. Não. Ainda mais sob um governo fascista.

Maria não quer viver dependendo das nossas cestas básicas. Ela está, assim como outros 14 milhões de brasileiros, em busca de um emprego. O povo trabalhador, que movimenta e constrói esse país, diferentemente da narrativa liberal, não é preguiçoso, não tem nem essa escolha de ser.

Nossa conversa com Maria foi breve, mas, junto com a cesta básica, com o sabão, o absorvente e o papel higiênico, entregamos também um jornal do Movimento de Mulheres Olga Benario e um exemplar do jornal A Verdade. A luta não se constrói somente doando cestas básicas, a transformação da vida não acontece por meio da caridade, não é isso que queremos, não é por isso que nossas campanhas e redes solidárias são construídas.

O que queremos é mostrar ao povo por que estamos nessa situação e que as trabalhadoras e os trabalhadores entendam a força que têm! Queremos nutrir com alimento, mas também despertar a consciência social para a luta, apontando o caminho para destruirmos este sistema que não nos acha dignos de viver. E seguindo o sentido de construir uma nova forma de viver, que tenha trabalho, que tenha coletividade, que tenha comida, que tenha vida em nossas vidas.

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